Bob Dylan – Shadows in the night

O bardo e o cool: num dos mais improváveis encontro da música norte-americana...

O bardo e o cool: num dos mais improváveis encontro da música norte-americana…

E ele não para de nos surpreender. Aos 73 anos, Mr. Zimmerman, ou seja, Bob Dylan, irá lançar em 2015 seu 36º álbum de estúdio homenageando, veja só, o grande cantor Frank Sinatra (e olha o cara aqui de novo). Não poderia ser um encontro mais do que inusitado, mas em se tratando do autor de peça antológicas como Blowin’ in the wind e Like a rolling stone, tudo é possível. Eu sei, eu sei, a notícia está mais do que velha, mas como ontem escrevi sobre “a voz”, me lembrei desse belo presente que nós, amantes da boa música, ganharemos dos dois artistas a partir de fevereiro do ano que vem.

Bem, em ternos de estilo Bob Dylan e Frank Sinatra estão um para o outro o que o Mickey Mouse representa para o ratinho gourmet Remy, do sensacional Ratatouille. Nada. Mas no que diz respeito à importância musical dos dois astros para a música mundial e, sobretudo seus fãs, são como irmãos siameses.

“Era possível ouvir tudo na voz dele: a morte, Deus, o universo, tudo”, já andou comentando por Dylan, cheio de respeito.

Intitulado Shadows in the night, o álbum de covers quebra um hiato de três anos do cantor Bob Dylan - Shadows in the nightfolk e contará com 10 faixas imortalizadas na voz daquele que foi um dos mais importantes nomes da música do século 20. No youtube já é possível ouvir a melancólica Full moon and empty arms – canção da dupla Buddy Kaye e Ted Mossman gravada por Sinatra em 1945 – e notar que Dylan e sua banda irão dá uma roupagem bem pessoal a esses standards. A curiosidade é grande de um grande fã das duas estrelas da música norte-americana como eu, sobretudo pela genialidade do bardo beatnik em criar releituras estranhas, mas curiosas de canções de seu próprio repertório.

Com capa estilosa e retro, Shadows in the night traz além de Full moon and empty arms, sucessos como I’m a fool to want you, What’ll I do, Some enchanted evenin e Stay with me, fácil de ser ouvida nas redes sociais porque Bob Dylan já andou cantando a faixa em suas últimas apresentações. Bem, a voz roufenha e gasta de Dylan é marca presente, mas nessas performances dá para notar certo amadurecimento como intérprete, com o artista visivelmente emotivo e intimista em cena.

Não é de hoje que esse projeto está engavetado na cabeça de Bob Dylan. Segundo o artista, só não tirou o álbum dos seus planos por falta de coragem. E desde quando um dos maiores nomes da música precisa de coragem para alçar vôos mais ousados? Talvez a insegurança encontre razão de ser no fato de, poucas vezes ele, um verdadeiro artesão do cancioneiro universal, tenha precisado cantar canções de outros compositores. Pior ainda. Sucessos de outros compositores imortalizados na voz de “a voz”. De fato, é de meter medo.

* Este texto foi escrito ao som de: Tempest (Bob Dylan – 2012)

Bob_Dylan-Tempest

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