Obra-prima do gênero faroeste

Revi o clássico O homem que matou o facínora, de John Ford. Não lembrava o quanto era bom, uma obra-prima, com o perdão do clichê. Na história, James Stewart é um advogado amolfadinha que chega ao Oeste logo que pega o diploma. Depara com um lugar selvagem, repleto de forasteiros e foras da lei. Um dele é Liberty Valence (Lee Marvin), que inferniza a vida da pequena Shinbone Star. Quer resolver a situação com ideologia e romantismo, mas logo percebe que o melhor amigo do homem por aquelas pradarias é a winchester 22. Tem como parceiro o valente Tom, John Wayne, em atuação espetacular.

Ford, entre James Stewart e Wayne: seu nome era sinônimo de faroeste

Ford, um dos cineastas mais importantes do cinema americano, tem seu nome confundido com o faroeste, tamanha sua importância na popularização do gênero. É conhecido pela forma sintética e direta com que conta suas tramas. Além de tiroteios e mortes, o filme, que traz ainda a bela Vera Miles (Psicose) e Edmond O’Brien (A cinderela descalça) no elenco, traz uma pertinente reflexão sobre a liberdade de expressão e a amizade sincera.

Costa reverencia o cinema de autor

Em O Sangue Costa deixa sua marca autêntica de verdadeiro autor

Impressionado com o cinema sincero do português Pedro Costa, homenageado com mostra no CCBB Brasília. Não conhecia. Pensei que fosse um autor mais antigo, mas é contemporâneo. Um artista do nosso tempo. Faz uma arte autêntica, filme de autor, preservando os sentimentos e não o lado comercial. Algo raro nos dias atuais. Vi O sangue e pensei que estivesse vendo um filme do Bergman ou de qualquer cineasta francês dos anos 50. O cara é talento puro.

Obra-prima de McCartney reeditada

Talvez o melhor registro da carreira solo do ex-beatle

Não esqueço o dia em que cheguei ao trabalho com um bolachão de Band on the run, do Paul McCartney, debaixo do braço e o pessoal todo espantado como se eu estivesse com uma coisa do outro mundo nas mãos:

– Não acredito que você teve coragem de gastar dinheiro com isso!?, fulminaram.

Não soube se o “isso” era referente ao bolachão ou ao fato de ser um disco do Paul McCartney. Whatever… O que eles não sabiam era que estavam diante de um dos álbuns mais marcantes do ex-beatle, um dos melhores daquele ano de 1973. Resumindo: um clássico. Gravado na Nigéria, traz momentos marcantes como a faixa título, o rock Jet, as baladonas Bluebird (a minha preferida) e Let me roll it, além da experimental Picasso’s last words (drink to me). Sem falar do toque vaudeville da capa. Daí a ansiedade com o anúncio com a reedição do álbum que deve contar com uma série de extras, versões diferentes desses petardos. Confiram: http://tv.estadao.com.br/videos,PAUL-MCCARTNEY-RELANCA-BAND-ON-THE-RUN,118859,275,0.htm

Fusão de ritmos musicais

Grupo matogrossense traz mistura inusitada de música regionalista com pop rock

O grupo matogrossense Triêro traz uma mistura autêntica de folk, com músicas populares e pop rock. O resultado empolga numa performance que é um mergulho nas raízes da cultura brasileira. O vocalista, violinista e líder Anthony Brito é talento puro e um dos compositores mais promissores da nova seara. A banda ainda é forma da por Pedro Verano (instrumentos de sopro), César Henrique (bateria) e Diogo Machado (percussão). Confira o blog deles e ouça algumas músicas que contam com elementos de catira, folia e outras misturas regionalistas. http://triero.com/

Woody Allen e sua metrópoles

Acho que já assisti a Manhattan umas duzentas vezes. E toda vez que vejo tenho uma impressão diferente. Hoje (07) mesmo o filme estava dando sopa no Telecine Cult. Peguei o bonde andando e não fui até o fim da estação. Mas pelo pouco que revi, pude pescar novas impressões nessa obra-prima do Woody Allen.

Gosto da forma como ele declara o seu amor à cidade, da maneira inteligente e sutil com que entrelaça os conflitos e anseios dos personagens com a urbs, de como o seu senso de humor cáustico serve de contrapeso diante da densidade que perpassa os temas abordados que vão desde adultério, passando por amores não correspondidos, insegurança, vaidade, o medo do não reconhecimento, o desejo de afirmação tanto profissional quanto existencial.

No escurinho do planetário: sensualidade e lirismo.

Há pelo menos duas passagens brilhantes no filme: a abertura indecisa, meio gaguejante e a cena do planetário, de um lirismo sensual e visual impressionantes. E a Diane Keaton tão exubrante…

Perdidos entre a realidade e a ficção

Fernando Eiras é um dos grandes nomes do teatro brasileiro. Mas ele também já emprestou seu talento ao cinema – em filmes do mestre Júlio Bressane – e à televisão, área que transita uma vez ou outra. Na essência, ele é um homem de teatro, animal de palco que mantém uma relação de cumplicidade, amor e ódio com o público. Prova dessa relação de promiscuidade e afeto pode se notado no brilhante espetáculo In on it, um dos destaques da mostra Cena Contemporânea deste ano. 

Escrito pelo dramaturgo e cineasta Daniel Maclvor, a peça conta com direção do premiadíssimo Enrique Diaz e no palco Eiras divide atenções com Eiras Emílio de Mello. Os dois fazem uma dobradinha espetacular em cena, dá gosto vê-los atuando. Posso dizer de olhos fechados, há tempos não via atuações tão vibrantes. Um texto tão intrigante e envolvente.

Emílio de Mello e Fernando Eiras vivem dois artistas em conflitos

 

Um belo exercício teatral, de metalinguagem, a trama gira em torno dos conflitos e indecisões de dois artistas que tentam encenar um espetáculo. Um escreveu. O outro será protagonista. E tentando acerta os ponteiros, dentro de um divertido jogo de quebra-cabeça, eles vão colocando o público, peça chave no desenrolar da dramaturgia, a par das tragédias e agruras dos personagens. Temas universais como a morte, problemas de relação, medo, a vida, são colocados de forma despretensiosa, mas contundente. A diversão é garantida, mas há aberturas para reflexões incisivas. 

Impressionante como Eiras e Emílio de Mello trabalham com desenvoltura e inteligência esses conceitos em cena, confundido as pessoas da plateia com o que é realidade e o que é encenação, de fato.

 

In on it é o primeiro texto de Daniel Maclvor encenado no Brasil. Esperamos que novas adaptações da obra desse artista sensível chegam por aqui…

Amor idealizado…

Então ela disse: “Estou gripada!”

De  repente tomei um susto porque percebi que ela era de verdade, real como você e eu. Outro dia a vi saindo do supermercado com sacolas na mão. Só então tive certeza que ela realmente era de verdade como você e eu.

Eu a desejo tanto, a quero tanto e não posso fazer nada… Triste isso, né?!

De repente percebi que ela era real como você e eu...

Big tanto quantos os Beatles e os Stones

Ouvindo Big Star agora. Impressionante o sentimento das canções, baladonas grudentas, lindas e simples que têm um sabor de fim de tarde, de vento suave e frio soprando no rosto. Longe do popularismo dos Beatles e dos Stones, o grupo encabeçado por Alex Chilton e Chris Bell, figura entre os grandes do rock. Não tem como não ouvir Try again e I’m in Love with a girl e sair correndo com lágrimas nos olhos… Os dois discos lançado pelo grupo #1 record (1973) e Radio city (1974) são verdadeiras perólas garipem essas obras-primas e salvem suas almas…

Canções com sabor de fim de tarde, de vento na cara...

Um Homero mais histriônico

Um colega meu sensível e inteligente gosta de dizer aos quatro ventos que odeia teatro. Acho isso um absurdo, estultice sobretudo vindo de alguém que tem uma compreensão tão coerente com relação ao cinema, espécie de representação moderna da arte inventada pelos gregos.

 O teatro é a representação da vida em sua essência.

Recriação criativa e lírica do clássico de Homero

Os integrantes da companhia israelense ISH Theater personifica bem essa ideia com o espetáculo Odysseus chaoticus, destaque da programação do Cena Contemporânea. Irreverentes, os três clowns da trupe mesclam de forma criativa elementos do circo, neo-realismo italiano, acrobacia, pantomima e dança para conta a história do heroi Ulisses, imortalizado por Homero no clássico A odisséia. Na verdade, uma recriação bastante ousada e lírica da obra. Ás vezes são exagerados, demasiadamente histriônicos, caricatos, mas jamais equivocados na representação dos sonhos, anseios e frustrações humanos.