O Livro Dos Seres Imaginários 2 – Jorge Luis Borges

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A figura do sátiro é uma das bestas-feras abordada pelo mestre Jorge Luis Borges em seu bestiário cheio de aberrações… Lembrei do bicho em “As Sete Faces do Dr. Lao”.

Já vou lá pela página 100 e alguma coisa e até agora não li nada sobre seres imaginários dessa coletânea do mestre argentino Jorge Luis Borges e nada de encontrar alguma besta fera relacionada à cultura o folclore brasileiro. Estranho…

De qualquer forma, me deliciando com a narrativa sobre as mais horrendas e incríveis criaturas criadas pela fértil e infinita imaginação humana. Gozado que muitas delas já habitavam meu inconsciente desde os tempos de guri, fascinado pelas aventuras de Hércules e Simbad, o marinheiro, entre outros heróis do gênero.

Eu só não sabia que nome dar, por exemplo, aqueles bichos como um gigante leão com cabeça de águia ou dragões com duas cabeças e coisas do tipo. Bem, aqui vão quatro ou cinco breves comentários desses monstros que pincei desse livro no mínimo curioso…

Centauro – Figura mítica grega imortalizada em meu inconsciente naquele filme do Fellini é a criatura mais harmoniosa da zoologia fantástica. Sua origem tem a ver com a união entre o rei de Tessália, Ixíon e uma nuvem, que Zeus deu a forma de Hera. Outra lenda diz que eles são filhos de Apolo.

Um cruzamento – É uma mistura de gato e cordeiro. Não sabe miar e tem medo de ratos e, embora fique de olho no galinheiro, não passou disso. Para matar a fome bebe leite. É adorado pelas crianças e gosta de imitar cachorro. Talvez a faca do açougueiro fosse a redenção para esse animal, mas por se tratar de uma herança escapou da lâmina afiada. Franz Kafka.

Dragões – Há mais de um, os principais no Ocidente e no Oriente. De todas essas bestas-feras, talvez seja a mais conhecida de todos. Reza a lenda de que seus ossos, dentes e salivas têm poderes medicinais. Grandes filósofos e escritores como Confúcio e Shakespeare fizeram referências a esse gigante que para o povo chinês é mais importante do que muitas deidades.

Elfos ­– Senhor dos Anéis ou Harry Potter? Pois bem, de origem germânica, são anões sinistros que se divertem tramando diabruras, como observa Borges em sua curta observação. Em alemão, a palavra para pesadelo é Alp, talvez porque na Idade Média era comum de que os Elfos criavam maus sonhos apertando os peitos do dorminhoco. Será?

Sátiros – A memória dos sátiros influenciou a imagem medieval dos demônios. Para os gregos eram Sátiros, mas os romanos o chamavam de faunos, ambos lascivos e beberrões. Talvez por isso, acompanharam o deus Baco em sua alegre conquista do Industão. Estavam sempre à cata de ninfas e adoram dançar e tocar flauta. Adorados pelos camponeses.

* Este texto foi escrito ao som de: On The Beach (Neil Young – 1974)

On the beach - Neil Young

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Oito anos sem Athos Bulcão…

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O artista plástico, junto com os arquitetos Oscar Niemeyer e Lucio Costa, ajudou a dar uma identidade visual à cidade

Amanhã vai fazer oito anos sem um dos nomes mais importantes da cultura de nossa cidade, o artista plástico Athos Bulcão, que nos deixou pouco depois de completar 90 anos de idade e antes de celebrar meio século de vida morando em Brasília.

Nascido no bairro carioca do Catete, mas criado em Teresópolis, Athos Bulcão, que um dia sonhou em ser médico, chegou à nova capital do país no final dos anos 50, a convite do amigo Oscar Niemeyer. Os dois se conheceram quando, em meados dos anos 40, Athos trabalhou como assistente de Cândido Portinari na criação do painel de São Francisco de Assis da Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte.

Contratado pela Novacap, o jovem Athos Bulcão não perdeu tempo. Os primeiros trabalhos do artista na nova capital foram realizados na Igreja de Fátima, a Igrejinha, o Palácio da Alvorada e o Brasília Palace Hotel. Aos poucos, como quem não quer nada, foi deixando sua marca impregnada de beleza singela e lirismo simétrico pela cidade.

As intervenções abstrato-geométricas criadas por Athos Bulcão estão presentes em várias obras arquitetônicas de Brasília. Podem ser apreciadas pelas paredes e corredores, fachadas da Câmara dos Deputados, Aeroporto, Catedral Metropolitana, Palácio do Itamaraty, Hospital Sarah Kubitschek, prédios da 107 Norte, enfim, até na lateral externa do Teatro Nacional e, claro, embelezando a nossa querida Igrejinha.

São pinturas, desenhos, gravuras, relevos em madeiras e concretos que se fundem numa perfeita harmonia e integração entre arte e arquitetura. A marca do artista, claro, são os simbólicos e inconfundíveis azulejos que, com suas formas subjetivas, passam a impressão de movimento e profundidade.

* Este texto foi escrito ao som de: Iê, Iê, Iê (Kid Abelha – 1993)

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De Longe Te Observo (2015)

De Longe Te Observo 2

Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza em 2015, esse drama venezuelano mostra a conflituosa relação entre homens na terra de Nicolás Maduro…

O olhar cru que perpassa a narrativa desse drama venezuelano lembra as produções pernambucanas que há tempos vem encantando o espectador brasileiro. Direto e certeiro no seu ponto de vista sobre a natureza humana, com tudo o que ela traz de pior, o filme conta a estranha relação entre um homem de meia idade pervertido e um jovem podre delinquente. Uma relação que surgirá do fosso que separa os dois mundos em que eles vivem.

Logo no início um desconforto. A cena desse velho obscuro se masturbando diante do corpo seminu de um jovem. A busca por esse fetiche bizarro irá acontecer mais vezes, até culminar num ato de violência. Mas mesmo assim, esse protético cinquentão não deixará de vagar pela periferia da capital venezuelana Caracas em busca de seu objeto de desejo, Elder, o sujeito violento que o machucou e o roubou. Ao fundo, cartazes de Nicolás Maduro pelos muros.

Aos poucos, esse contato que começou do atrito entre impulso e repulsa se estreitará por meio de afetos velados, sentimentos subtendidos e traumas em comuns que têm como elo a figura parte de ambos, que surge na trama de forma enigmática. Do inconsciente mais profundo surge o fantasma do inconsciente. “Você apanhava de seu pai?”, pergunta o jovem curioso. “Não”, responde vagamente Armando, que não se definiu sexualmente.

Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza (2015), o filme do cineasta estreante Lorenzo Vigas é costurado de ideias e impressões vagas que norteiam essas jornadas incertas dentro de narrativa sem rodeios. Parece uma contradição, mas só vendo o filme, que metaforicamente mostra os personagens desfocados, para entender esse delicioso arranjo dramático conduzido por atuações hipnotizantes do ator chileno Alfredo Castro e do novato Luis Silva.

Há muito do diretor italiano Pier Paolo Pasolini nesse roteiro escrito a quatro mãos pelo diretor Vigas e o mexicano Guilermo Arriaga, parceiro de Alejandro González Iñarritu em filmes como 21 Gramas Babel. E a força da trama é potencializada ao externar essa relação entre homens num país marcado pelo machismo, preconceito e violência. Eu se fosse você ia ver essa fita, afinal, não é todo dia que tem um filme venezuelano dando sopa por aí…

…O final é arrebatador…

* Este texto foi escrito ao som de: Everything is everything (Donny Hathaway – 1970)

Donny Hathaway

Paula Toller – Uma Musa do Rock!

Paula Toller

De repente, do nada, obcecado pela beleza da cinquentona Paula Toller, uma das artistas mais elegantes e discretas da nossa música…

Ontem acordei apaixonado pela Paula Toller. Geralmente a deusa do meu coração é aquela garota de sorriso mágico que andava perdida em Nova York, mas ontem, não sei porque, cismei de eleger a Paula Toller a musa do meu dia. Sou assim, de repente, do nada, bate um click dentro da minha cabeça, no meio do meu peito e pronto, tudo é azul da cor do mar. Ou, como vocês preferirem, da cor dos lindos olhos azuis dela.

Gozado que ela sempre foi minha musa da música brasileira, do rock, enfim, de todos os gêneros, mas, não sei porque, nunca tinha verbalizado isso para ninguém. Talvez porque eu tenha esquecido de dizer, mas agora o faço. A impressão que tenho é que eu queria guardar esse segredo só para mim, um segredo meu que não dividia com ninguém mais por queria que ela fosse musa só para mim.
 Agora divido.
 Paula Toller habita meu imaginário desde os tempos em que ela andava por aí de cabelos curtinhos como se fosse uma fada dos anos 80 cantando hits como Fixação, Como Eu Quero e Pintura Íntima. Ah, como eu queria essa pintura íntima que é ela, “uma estrela do crime/um anjo louro exterminador” que virou uma fixação dentro de mim.
Gosto da voz sutil e delicada dela, do estilo despojado, despretensioso e discreto, do sorriso, das curvas britânicas, o charme elegante, o elegante charme. Cinquentona, Paula Toller continua mais linda do que nunca!!!
 Desde ontem ouvindo o dia inteiro a voz dela…
 * Este texto foi escrito ao som de: Kid (Kid Abelha – 1989)
Kid

Mãe Só Há Uma (2016)

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Novo filme da cineasta paulista Anna Muylaert é baseado em caso do menino Pedro, sequestrado em uma maternidade em Brasília…

Os filmes da paulista Anna Muylaert têm uma abordagem digamos assim, de cientista político. Mesmo aquelas produções menos despretensiosas, como Durval Discos (2002), deixa transparecer nas entrelinhas um olhar social mais apurado com relação às contradições sociais de um país confuso sob todos os aspectos. Que Horas Ela Chega?, por exemplo, é um retrato contundente sobre o conflito de classes diante de novo panorama econômico da sociedade.

O drama Mãe Só Há Uma também, mas a partir de uma tragédia particular baseada em história real que chocou o Brasil em 1986, o sequestro do menino Pedro. Na trama, Pierre (Naomi Nero) leva uma vida normal de adolescente classe média baixa quando descobre que foi trocado na maternidade. O pior não é nem isso, a irmã dele, de 12 anos, também e o conflito que se dá desse desajuste de mundos diferentes.

Os pais biológicos, após incansáveis buscas desse filho recuperado, querem tirar o tempo perdido o sufocando de mimos, afetos e novos olhares. Agora ele chama Felipe, mora numa confortável casa classe média e vive com uma família burguesa conservadora. A perda da identidade se confunde com a liberdade tolhida, potencializada pela dúvida do personagem diante de sua orientação sexual. Apesar de sair e transar com mulheres, Pierre/Felipe se veste de mulher e gosta de comportar como tal.

Apesar de narrativa curta e direta, há muitas questões de caráter social e humano colocados em Mãe Só Há Uma. Talvez o filme até seja um complemento, nesse sentido, do trabalho anterior da diretora, o incômodo, Que Horas Ela Chega?

 E, embora os conflitos familiares e dramas interiores dos personagens surgem na tela de forma forçado e artificial, a essência da ideia foi passada. Ou seja, a de que, independente de quem somos e de onde viemos, somos donos do nosso próprio nariz.

* Este texto foi escrito ao som de: Zizi Possi (1986)

Zizi Possi 1

Admirável Mundo Louco!

Suplicy

Pode ter sido um ato de oportunismo, mas você teria dúvida em qual Eduardo apoiar? Acho que prenderam o cara errado…

Prenderam o Eduardo errado! Enquanto o Cunha corrupto está aí solto, o Suplicy foi preso por lutar pela população de sua cidade. O incidente aconteceu, ontem, em São Paulo, em protesto contra uma reintegração de posse na Cidade Educandário, na região da Rodovia Raposo Tavares. Mesmo o político admitindo que a área represente um risco para a população, deitou-se no chão para evitar o iminente confronto entre policiais e os moradores do lugar.

“Prisão? Quem se importa? Evitei um conflito que poderia ter consequências muito mais sérias”, disse o ex-senador de 75 anos. “Decidi me deitar para evitar que houvesse qualquer ato de violência contra os moradores”, explicou, descartando qualquer mise-en-scène que favorecesse sua campanha a vereador por São Paulo.

Teatro ou não, você aí tem alguma dúvida de qual Eduardo apoiar?

Não aguento mais ouvir falar sobre a chegada das Olimpíadas ao Brasil. Ok, a indignação pode ser um clichê desgastado e talvez até oportunista, mas o fato é que esse evento num país onde a Cultura é negligenciada, a Saúde sucateada e a Educação medíocre, não merece ter seus gastos desviados por essa tática de “pão e circo”.

Se o Brasil fosse um país de políticos sérios – o que deixou de ser a muito tempo, na verdade nunca teve políticos sérios -, abriria sempre mão de festas esportivas como essa para reverter o investimento gasto para sanar os nossos problemas. Algo bem óbvio… Enquanto isso… A fábula gasta para adaptar a cidade do Rio de Janeiro para receber os atletas foi gasta com material vagabundo.

 

Pelo menos foi o que atestou algumas comitivas olímpicas. A representante da equipe australiana, por exemplo, foi categórica. Após participar de quatro eventos do gênero, ela disse que nunca encontrou instalações tão porcas e degradadas. E tudo está novinho em folha… Que vergonha serão as Olimpíadas no Brasil…

Não sei, não, mas alguma coisa me disse que mais um governador de Brasília não irá terminar o seu mandato. Será estigma ou falta de caráter na política?

* Este texto foi escrito ao som de: We’re Only In It For The Money (The Mothers Of Invention/Frank Zappa – 1968)

Frank Zappa

Gata em Teto de Zinco Quente (1958)

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Um dos melhores filmes adaptados de texto de Tennessee Williams, conta com atuações poderosas de Paul Newman e Liz Taylor, trocando farpas ferinas

A força do texto do dramaturgo Tennessee Williams no cinema é perturbadora porque as adaptações foram arrebatadoras. As minhas versões preferidas são, na sequência: A Noite do Iguana (1964), Vidas em Fuga (1959), Uma Rua Chamada Desejo (1951) e A Rosa Tatuada (1955). Mas e Gata em Teto de Zinco Quente (1958)? Bem, esse é hors-concours em minha predileção porque está acima do bem e do mal. E porque está acima do bem e do mal?

Primeiro porque traz no elenco a diva das divas, Elizabeth Taylor, soberba e deliciosamente impecável em cena. Gozado que já devo ter visto essa fita umas sete ou oito vezes e sempre descubro algo novo toda vez a vejo. Desta vez fiquei enfeitiçado pelos pés de fada verde da Liz Taylor, um tesão de desejo.

Depois porque ela está contracenando com um dos gigantes do cinema dos anos 50, o galã, mas também bom ator Paul Newman. E terceiro porque talvez seja um dos textos mais pungentes e formidáveis de Tennessee Williams, onde a natureza humana em todo o seu cinismo e podridão é desnudada sem que sobre pedra sobre pedra.

Mas note bem. O grande personagem em cena aqui não é a bela e carente Maggie (Liz Taylor), nem o atormentado alcóolatra Brick (Newman) e sim o “Velho”, vivido pelo ótimo Burl Ives. Ele é o patriarca de uma família do Tennessee em decadência moral há bastante tempo, agora vomitando sinceras e incômodas verdades na cara um dos outros depois que ele descobre que tem uma doença terminal.

“Uma crise familiar traz o melhor e o pior de todos”, diz um dos personagens do drama.

E eis aqui a essência dessa trama pontuada por personagens em crise. Sensual, Liz Taylor é a mulher carente de carinho, afeto e amor do marido alcóolatra, um herói do esporte fracassado que bebe para aplacar a culpa pela morte do amigo Skipper, aqui, talvez amante da mulher. No texto original vetado pelos produtores, amante do marido. “Não vivemos juntos, Brick. Só dividimos a mesma jaula”, diz ela, revoltada com o desprezo e indiferença dela.

Os diálogos cortantes como uma navalha de Tennessee Williams é de uma ousadia de arrepiar para época, desnudando a psicologia crua da natureza humana com seus espasmos de sexualidade velada e cinismo à flor da pele. “Você é um bêbado e eu não dou filhos”, lamenta Maggie, revelando a causa da tragédia pessoal do casal.

Diante de qualquer texto de Tennessee Williams, perdemos a fé no ser humano.

* Este texto foi escrito ao som de: Gasoline Alley (Rod Stewart – 1970)

Gasoline Alley

O Livro Dos Seres Imaginários – Jorge Luis Borges

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Escrito com senso de humor e erudição, essa obra do mestre argentino Jorge Luis Borges é uma aventura entre monstros da mitologia e literatura

O argentino Jorge Luis Borges é um dos nomes mais enigmáticos da literatura universal e sua condição de velho cego conferi um ar, assim, digamos, quase de figura mítica. Talvez impressões apressadas da minha parte que nunca tinha lido nada do escritor e poeta, até agora, e que começa com uma obra curiosa no título e conteúdo: “O Livro Dos Seres Imaginários”.

Editado pela primeira vez com o título original de “O Manual de Zoologia Fantástica” em 1957, o livro seria ampliado em sua coletânea com novas histórias sobre criaturas bizarras e folclóricas em 1967, quando passou a ser definitivamente chamado assim. Segundo o próprio autor, trata-se de um bestiário fantástico que deve ser lido “como quem brinca com as formas cambiantes reveladas por um caleidoscópio”.

Com colaboração de Marguerita Guerrero, a obra elenca em ordem alfabética os seres mais estranhos surgidos na literatura e mitologia garimpadas desde a origem dos tempos e descritas em obras clássicas escritas por Homero até Shakespeare, passando pelo filósofo chinês Confúcio e escritores consagrados como C. S. Lewis – autor de As Crônicas de Nárnia – e Kafka. Escrito com a colaboração de esse título definitivo que pode ser encontrado

Algumas dessas bestas-feras horripilantes são conhecidas de nosso imaginário, como o pássaro Fênix, as sensuais e nefastas sereias, além dos centauros, unicórnios e as híbridas quimeras. A delícia do livro está na mistura de erudição e senso de humor da escrita que traz revelações curiosas de mitos já conhecidos.

Por exemplo, imortalizado em clássica aventura do detetive Sherlock Holmes, escrita por Sir Conan Doyle, o Cão Cérbero, na trama apresentada numa forma mais moderna, encontra referência na mitologia escandinava e cultura budista. Figuras fáceis na literatura advinda da Idade Média, sobretudo com os alquimistas, os pequenos Gnomos são mais antigos que seu nome, que é grego. E por aí vai…

…Um livro pra se divertir lendo, ler e se divertir aprendendo sobre mitos, mitologias e fantasias…

* Este texto foi escrito ao som de: Titãs Acústico (1997)

Acústico Titãs

Os Pokébobos estão chegando…

Pokémon Go

A válvula de escape da garotada de hoje, não são livros ou filmes de qualidade, mas uma tela de celular onde aparece seres virtuais inatingíveis

Agora é febre mundial a galera sair por aí que nem bobo atrás de um bichinho virtual japonês feio pra dedel. O tal do Pokémon Go é uma bobagem ululante que me dá vergonha alheia e me leva àquela frase do Euclides da Cunha: “Ou evoluímos ou regredimos”. E no caso aqui a contradição é medonha, porque, quanto mais caminhamos para o futuro, mais nos desligamos do humano, do real e voltamos ao passado. Ou seja: Regredimos ao evoluir.

Sempre achei que vídeo game ou qualquer tipo de jogos virtuais deixa a pessoa meio debilóide, boboca. Talvez por isso mesmo, por ser uma espécie assim de debilóide às vessas, que não consigo me situar dentro de um joguinho de vídeo game. Não sei que botão apertar, quando sou eu que estou fazendo o movimento quando aperto o botão ou se estou ganhando ou perdendo num joguinho qualquer, seja ele o mais simples que for.

Mas enfim. O fato é que os jovens de hoje são reféns dos Iphones e Smartphones. Tudo o que eles fazem, seja no campo profissional, familiar ou afetivamente, tem a ver com um desses aparelhos na mão 24h por dia. Até parecem que são uma extensão do corpo, de tão presente que eles estão. Hoje em dia não há mais beijo molhado na boca, o calor da amada/amado esquentando o seu corpo ou qualquer outro tipo de carinho fraterno, materno, paterno, seja lá o que for.

Basta uma curtida com carinha de alegre soltando coraçãozinho ou flores, para que a pessoa se sinta feliz, satisfeita e realizada. Como disse o jornalista Fred Mello Paiva, outro dia, falando sobre o Facebook, uma curtida hoje tem o efeito de um orgasmo. E é isso. A válvula de escape da galera, a fuga do mundo moderno é uma bobagem nas telinhas de um celular ou de um computador que não conseguimos sentir.

Para mim, nada melhor do que fugir da realidade que me cerca hoje em dia que é esse mundo doente e vazio do que ler um bom livro, ouvir um bom disco ou assistir um bom filme. Às vezes não consigo, mas sempre que posso, tento incentivar minhas crianças nesse sentido. Agora mesmo, quando a pequena acordar, vou esconder o tablet dela nos quintos dos infernos e inventar uma brincadeira lúdica e saudável. Coisas do tipo, correr atrás de bola, pintar,

Pokémon Go uma ova!!!

* Este texto foi escrito ao som de: Força Bruta (Jorge Ben – 1970)

Força Bruta - 1970

Life – Um Retrato de James Dean

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Acho que a única coisa que gostei do filme até agora foi o trocadilho maneiro do título, que faz referência à revista estilosa dos anos 50

Tentar transformar em ficção a vida de um artista da grandeza de James Dean, mesmo com sua curta trajetória, pode ser um risco perigoso para qualquer cineasta. Sobretudo porque o ator que morreu jovem, aos 24 anos, no auge da carreira, se tornou um mito quase inatingível. Diretor de vários clipes de bandas como Metallica e U2, e de “Control”, cinebiografia do líder do Joy Division, Ian Curtis, o Holandês Anton Corbjin parece nem se importar com isso.

Até porque, o que interessava para o cineasta era contar a história de amizade entre o ator de talento rebelde e o fotógrafo Denis Stock, que registrou as fotos mais icônicas do artista antes de sua morte num trágico acidente de carro em setembro de 1955. O recorte de retratar apenas duas semanas da vida do ídolo, período que Stock precisou para fazer um ensaio fotográfico para a revista Life, conferiu uma leve densidade à narrativa.

Mas só de leve. Porque o roteiro fraco do filme faz o espectador se perder entre diálogos monótonos que parecem ter sido criados apenas como pretexto para justificar as fotos que Stock imortalizou da intimidade de James Dean. Registros esses que, previsivelmente, aparecem nos créditos finais da fita.

No filme, James Dean é vivido por Dane DeHaan. O fotógrafo Denis Stock é interpretado por Robert Pattinson o vampiro da saga Crepúsculo que até pode enganar as fãs com seus dentes afiados, mas não é bom ator. A ideia do roteirista Luke Davis é até interessante, a de traçar um paralelo entre a revolução estética que foi a revista Life, no início dos anos 50, com o surgimento de novo modelo de interpretar que estava surgindo no cinema, com jovens e selvagens atores como Marlon Brando, Paul Newman e James Dean.

Mas o tema não é aprofundado, muito menos à crítica que se faz ao submundo do cinema na construção de um astro, com suas firulas em torno de publicidade tacanha e exposição barata. Um filme bem intencionado que vai só cumprir o papel de apresentar esse grande nome das telonas às novas gerações.

* Este texto foi escrito ao som de: I’m Your Man (Leonard Cohen – 1988)

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