Aliyah (2012)

O tema do emigrante judeu é o enredo desse drama em cartaz no Libert Mall

O tema do emigrante judeu é o enredo desse drama em cartaz no Libert Mall

Alex é um judeu desajustado na vida. Perdeu a mãe, o pai não quer saber dele e o irmão mais velho só quer saber de usurpar seu dinheiro para pagar dívidas. Desempregado, para se sustentar trafica nas noites de Paris até receber uma proposta moralmente decente. Ir para Tel Aviv, Israel, ser sócio de um primo honesto e trabalhador. Ele aceita, mas para a parceria precisar cruzar um périplo de desafios. Primeiro juntar $ 15 mil Euros, depois provar que tem origem judaica e nenhuma ficha criminal.

Uma das atrações do Festival de Cannes de 2012, Aliyah é o longa-metragem de estreia de Elie Wajeman e sabe-se lá porque chega com três anos por aqui. Estrelado pelo galã francês Pio Marmaï, fala de superações pessoais que resvala em feridas deixadas por uma família em conflito moral e afetivo, mas também de resgate às origens. Daí o significado do título que em hebraico quer dizer “ascensão”, palavra que significa a emigração do povo de deus para Israel.

“Talvez porque eu seja um fracasso como este país”, diz ele reclamando da França. “Vou embora porque ninguém me pediu para ficar”, dramatiza para a namorada que acabou de arranjar, vivida pela bela Adèle Haenel.

O final é propositalmente abrupto e sutilmente reflexivo. Tão sutil que passa a impressão de que não quer dizer nada. Mas diz muito.

* Este texto foi escrito ao som de: The Soul Album (Otis Redding – 1966)

The Soul Album

Discoteca Básica (2) – Goats head soup (Stones)

A banda como ingredientes no caldeirão da sopa de bode musical

A banda como saboroso ingrediente no caldeirão da sopa de bode musical

A capa era estranhíssima e não condizia nem um pouco com as canções melancólicas do álbum que trazia também um título bizarro, Goats head soup, algo como Sopa de cabeça de bode. Uma referência ao pai dos sortilégios? Em se tratando dos Rolling Stones talvez sim porque Satã sempre foi uma obsessão da banda inglesa. O fato é que este  não foi o primeiro disco do grupo que comprei, mas durante toda a minha adolescência o mais desejado e tudo por conta da baladona Angie, dizem as más línguas, escrita para a mulher de David Bowie, que era amante de Mick Jagger. Ou seria de Keith? Whatever… 

Mas como fazer algo bom, interessante e impactante depois de petardos como Sticky fingers (1971) e Exile on main st. (1972)? Queira ou não, esse registro de 1973 traz algumas agradáveis surpresas que iam além do megassucesso imortalizado pelos violões épicos de Keith e Ron Wood. Bom, podemos começar por pérolas sonoras como a vibrante Doo doo doo doo doo (Heartbreaker) e sua estilosa e moderna guitarra cheia de efeitos.

Hide your love é os meninos revivendo os bons tempos de blues band do começo da carreira como se a energia ainda fosse a mesma, enquanto que Can you hear the music é aquele tipo de pseudo experimentalismo que eles tentam fazer quando querem fugir do arroz com feijão que mandam tão bem.

Mas duas músicas em especial me sensibilizam consideravelmente em Goats head soup. A desesperadora Winter, cantada de forma passional por Mick e a melhor de todas, Coming down again, com destaque para a performance sentimental de Keith, com seu estilo bem particular. Deleite-se com o solo de sax do insuperável Bobby Keys, morto recentemente.

* Este texto foi escrito ao som de: Goats head soup (The Rolling Stones – 1973)

Goats head soup

Independência ou morte (1972)

Tarcísio Meira na pele de Dom Pedro I. Não se faz mais atores como antigamente

Tarcísio Meira na pele de Dom Pedro I. Não se faz mais atores como antigamente…

Uma colega minha disse outro dia depois dever uma foto do filme O beijo no asfalto (1981), que não se faz mais atores como o Tarcísio Meira. Entendo e concordo com que ela disse em gênero, número e degrau. E talvez tenha sido esse um dos motivos mesmo por eu ter assistido ao filme Independência ou morte (1972), exibido no Canal Brasil. Sim, porque se tem uma coisa que eu não sou é ufanista, meu patriotismo é zero.

Pois bem, dirigido por Carlos Coimbra (quem?), o filme fez na época quase três milhões de espectadores. E parece que tem dedo dos militares na explicação desse sucesso todo porque, tirando o Tarcísio Meira – um pão, diga-se de passagem -, e a bela e suntuosa direção de arte, a fita não é lá essas coisas. Os milicos inclusive encheram a produção de prêmios.

Na trama, como historicamente é sabido, as peripécias, articulações e crises palacianas que levaram Dom Pedro I a romper com Portugal e lutar pela independência do Brasil. O tom da narrativa é épico, romântico e meio novelesco até, o que me incomodou bastante, mas me surpreendi com a abordagem do escândalo do affair do Imperador com a Marquesa de Santos, que tinha o privilégio, mesmo na condição da amante, frequentar a corte.

Uma surpresa agradável foi ver o ótimo ator Dionísio Azevedo na pele do vanguardista e sensível político José Bonifácio, um dos articuladores da independência do Brasil.

* Este texto foi escrito ao som de: Certa manhã acordei de sonhos intranquilos (Otto – 2009)

Otto - 2009

Joy Division – Unknow pleasures

Biografia da banda cult escrita pelo baixista Peter Hook (dir.) chega ao Brasil

Biografia da banda cult escrita pelo baixista Peter Hook (dir.) chega ao Brasil

“Nossa primeira apresentação como Joy Division terminou em briga. Típico”. É assim que Peter Hook, o baixista do grupo começa a biografia Unknow pleasures, reeditada pela desconhecida editora Seoman. O livro que conta a história e curta trajetória de uma das cults bandas mais influentes do período punk chega ao Brasil com três anos de atraso. Mas ainda bem que chegou, antes tarde do que nunca.

O prefácio é do guitarrista do Ira! Edgar Scandurra, o que traz certa surpresa para mim, já que sempre associei a banda paulista a grupos mods como The Who e The Jam. No texto ele explica como Ian Curtis com seu jeito nervoso de apresentar em cima do palco influenciou uma galera, de Renato Russo a Arnaldo Antunes, do Titãs, trançando um paralelo com a raivosa cena de Manchester da época com a São Paulo do final dos anos 70 e início dos anos 80.

“As bandas têm histórias de origem muito parecidas. Geralmente são amigos de escolas, provenientes da classe trabalhadora, ou seja, garotos ‘inúteis’, com falta de opções de trabalho e diversão”, comenta irônico.

Bem, eu ainda estou nas primeiras páginas, na verdade nem cheguei à parte um do livro, mas só pelo estilo direto e irônico de Peter Hook já vi que vou me divertir pacas. “Em geral eu não incluo outras pessoas quando escrevo. Todo mundo se lembra das mesmas coisas de modo completamente diferente. As contradições nos confundem de verdade e estragam tudo, e fazem a gente questionar a si e o que aconteceu”, avisa o autor na introdução curta e grossa.

* Este texto foi escrito ao som de: Unknow pleasures (Joy Division – 1979)

Unknow pleasures

Barbarella (1968)

Antes de Jane Fonda, o diretor Roger Vadim tinha feito proposta a Sophia Loren e Brigitte Bardot

Antes de Jane Fonda, o diretor Roger Vadim fez o convite a Sophia Loren e Brigitte Bardot

Ok, confesso na cara dura que revi Barbarella outro dia só porque ultimamente ando ouvido muito Duran Duran. O que tem a ver uma coisa com outra? Ora bolas, só o fato de Simon Le Bon e companhia homenagearem o vilão da trama para dar nome à banda. Só isso e não apenas isso por que a fita de 1968 dirigido por Roger Vadim é uma obra cult da ficção científica. Não foi um grande sucesso na época, mas com tempo foi conquistando gerações futuras e hoje sempre figura lista de importantes e emblemáticas produções do gênero.

Mas muito da mitificação do filme tem a ver com a bela atriz Jane Fonda, na época com apenas 24 anos e casada com o diretor Roger Vadim, que já tinha o mérito de ter sido o descobridor, veja você, de Brigitte Bardot. Aliás, antes de Jane, o cineasta tinha feito o convite para o papel a Sophia Loren e Brigitte Bardot. A trama é inspirada em HQ homônima de 1962 escrita por Jean-Claude Forest.

O enredo é estranho, superficial, mas divertido e chama atenção pelo estilo debochado e o fato da personagem Barbarella, mesmo sendo uma adorável inocente, expor com seu corpo quase desnudo o filme inteiro, muito do desejo, anseios e ousadia daqueles loucos anos 60. E estamos falando de revolução sexual e tudo o que puder vir junto com esse conceito.

A cena de abertura com ela fazendo um strip-teaser sideral é de tirar o fôlego. A cena em que ele faz sexo com uma máquina de prazer, estourando o motor é hilária. Resta saber se o pai Henry Fonda gostou da estripulia da filhota rebelde.  

No ano 4000, ela é uma corajosa astronauta encarregada de prender um renegado vilão que fugiu da Terra levando com ele poderosa arma nuclear. Pelo caminho ela vai enfrentando vários perigos em meio ao cenário cafona e kitsch desenhado pela produção do extravagante produtor italiano Dino De Laurentis. “Um anjo não faz amor, ele é o amor”, diz Pygar, criatura alada cega para quem Barbarella deu todo o seu amor.

* Este texto foi escrito ao som de: Rock and Roll Circus (The Rolling Stones – 1968)

Rock and roll circus

Astros do cinema – Cary Grant

Até 1986 o ator ainda era um prodígio de elegância...

Até 1986 o ator ainda era um prodígio de elegância e charme…

Admito que levei bastante tempo para assimilar o estilo empolado do ator Cary Grant. Até mesmo a enquadrá-lo na categoria de galã, o que só foi acontecer com o tempo, no exercício de ver, sistematicamente, seus filmes. Mesmo assim, só a barreira da primeira impressão que consegui vencer.

Nascido Archibald Alexander Leach em Bristol, Inglaterra, em 1918, o jovem ator partiu para uma turnê teatral para os Estados Unidos após ser expulso da Fairfield Grammar School e nunca voltou. Lá, almejando o sonho de chegar ao estrelado de ídolos como Clark Gable e Gary Cooper, adotou o nome de Cary Grant, numa referência às siglas dos nomes dos dois astros.

A carreira em Hollywood começou nos anos 30, com as seminais comédias malucas que o projetaram à condição de galã, tendo na sequência a honra e sorte de ter trabalhado com os melhores diretores em todos os gêneros. A parceria mais sólida e bem-sucedida foi com o mestre do suspense Alfred Hitchcock.

Esbelto, dono de charme irresistível, até 1986 o ator ainda era um prodígio de elegância e, embora haja quem diga que fosse daquelas estrelas do cinema que nunca saiu do armário, teve o prazer de beijar as mais belas mulheres das telonas.

Top five – Cary Grant Ladrão de casaca

Ladrão de casaca (To catch a thief, 1955) – Com certeza os melhores filmes de Cary Grant foram ao lado de Hitchcock e o mais emblemático para mim dessa parceria é essa deliciosa fita que traz dois momentos marcantes. Aquela do beijo inesperado de Grace Kelly no ator e claro, a famosa cena do piquenique. Só Cary Grant tinha o charme de falar de obscenidades na hora do almoço e ter a impressão de que era papo de coroinha.

Intriga internacional (North by northwest, 1959) – Há quem aposta que este filme represente o auge da carreira do ator que domina com primazia o clima kafkaniano desenhado pelo mestre Alfred Hitchcock. A cena do milharal é antológica.

Interlúdio (Notoroius, 1946) – Com cenas passadas de mentirinha no Rio de Janeiro, Cary Grant e Ingrid Bergman formam aqui um dos mais belos e emblemáticos casais do cinema. Tenho um carinho pela cena romântica na sacada do hotel sob o luar.

Tarde demais para esquecer (An affair to remember, 1957) – Cary Grant aqui é o par romântico de Deborah Kerr em trágica história pontuada por diálogos espirituosos e um humor velado. Dá uma pO lado dramático do ator

Levada da breca (Bringing up baby, 1938) – Junto com Katharine Hepburn ele protagoniza aqui um dos clássicos das “screwball comedy” – as deliciosas comédias malucas dos anos 30 e 40 -, vivendo um paleontólogo meio abobado. A cena do esqueleto do dinossauro desmontado depois de muito sacrifício é delícia pura.

* Este texto foi escrito ao som de: Substance (Joy Division – 1977/1980)

Joy Division

Dona Maroca, a carola

Tinha uma fé de araque como papelão jogado na chuva

Ela tnha uma fé de araque como papelão jogado na chuva

Chegou do trabalho cansado e aborrecido por conta das chatices do chefe. Ou seja, paciência zero. Ao abrir a porta de casa, deparou com uma cena patética. Ululantemente patética. De tão patética, quase não acreditou. A mãe bem próxima da televisão como se estivesse segurando o aparelho para não cair ou confidenciando algo ao seu ouvido. E olha que aparelhos de TV não têm ouvidos. Não lá em casa.

Por via das dúvidas parou um instante, mirou com atenção o que via, deu-lhe um beliscão para ter certeza de que não estava sonhando e seguiu em frente. Sim, a mãe estava de confabulações com a tevê. Na verdade, estava rezando junto com a tevê e o padreco que estava do outro lado da tela. Um copo do lado de água benta denunciava que o caso era sério. Seríssimo.

Dona Maroca era assim. Rezava de dia, de tarde e à noite. Em casa, ao pé da cama, em encontros religiosos nos vizinhos, na igreja, nas missas de sábado e domingo, e com o padreco da Canção Nova grudado à televisão, como se fossem dois confidentes do senhor.

Acontece que a fé de Dona Maroca, a carola era de araque como um pedaço de papelão na chuva. Ou seja, não valia nada. Ela rezava, rezava, rezava, mas no dia em que uma tempestade com relâmpagos tonitruantes cruzava o horizonte cinza de sua janela ela tremia nas bases. Um dia quebrou a aba da boina de Toniquinho de tanto apertar de medo.

Odeio essas pessoas que se acham melhor do que as outras só porque vão à igreja ou se julgam acreditar num deus que não resolve os problemas dela. Então se reza tanto assim e as coisas não melhoram, ela continua com medo, porque não trocar de igreja, deus ou crença? Pra quê ficar perdendo tempo com um deus que não resolve nada? Eu quando estou triste ou com medo, me sentindo pra baixo e com vontade de suicidar, ouço uma canção dos Beatles, vou brincar com as minhas sobrinhas ou fico olhando meio que hipnotizado para a foto da minha paixão platônica que tem um sorriso mágico que é minha religião, minha fé, meu deus.

* Este texto foi escrito ao som de: Some girls (The Rolling Stones – 1978)

Some Girls

Samba (2012)

Romance de Charlotte Gainsbourg e Omar Sy suaviza tema contundente

Romance de Charlotte Gainsbourg e Omar Sy suaviza tema contundente

Talvez uma das principais atrações do festival Varilux deste ano, a comédia dramática Samba até hoje tem levado bastante gente ao cinema. Na sessão que fui quase que não achei lugar. E tudo, imagino eu, graças ao charme inocente do grandalhão Omar Sy, aqui no papel-título que não faz nenhuma referência ao nosso contagiante ritmo musical. Mas apesar do bom humor da trama, o tema abordado é seríssimo, o drama dos imigrantes na excludente e preconceituosa França dos dias atuais.

Há dez anos morando no país, Samba até hoje não conseguiu os papéis certos que lhe permitiriam viver uma vida normal na terra de Charles De Gaulle. Até que um dia é detido e preso. Para sair da cadeia vai contar com a ajuda de uma agente da Imigração que é pura confusão vivida pela charmosa Charlotte Gainsbourg.

Repetindo o sucesso do edificante, Intocáveis, a dupla de diretores Eric Toledano e Oliveir Nakache parece ter como filosofia de vida rir da própria desgraça. Ou seja, abordar questões complicadas, tristes e incômodas sempre com bom humor e inteligência crítica. Daí o sucesso de Intocáveis e agora Samba, que é baseado num romance.

Embora o romance de Omar Sy e Charlotte Gainsbourg ajude a esquentar a temperatura entre os espectadores, é sua parceria com o divertido ator Tahar Rahim, aqui na pele de um imigrante brasileiro de mentira. Assista ao filme para entender o motivo. A cena dele dançando e fazendo strip-teaser para um mulherio no cio no alto de um andaime é impagável.

* Este texto foi escrito ao som de: Catch a fire (Bob Marley – 1973)

Bob Marley - Catch a fire!

Leonardo Da Vinci – A natureza da invenção

O inventor italiano foi um autêntico homem da renascença...

Genial inventor italiano foi, essencialmente, um autêntico homem da renascença…

Não há frase que defina melhor o talento de Leonardo Da Vinci para mim do que: “Essencialmente um homem da renascença”. E quer saber a razão? Ora bolas, então dê uma conferida na exposição Leonardo Da Vinci – A natureza da invenção, em cartaz até o dia 27 de setembro numa galeria subterrânea do Tribunal de Contas da União (TCU) que eu nem sabia que existia. Simplesmente é fantástico e é incrível como não paro de me surpreender com o cara que para mim foi um dos maiores gênios da humanidade.

A exposição chega a Brasília depois de passar por Berlim, Paris, São Paulo onde levou mais de 100 mil pessoas. São cerca de 40 peças e 10 exposições interativas vindas do Museo Nazionale dela Scienza e dela Tecnologia Leonardo da Vinci, em Milão, Itália, todas construídas de acordo com milhares de anotações e desenhos deixados pelo inventor. Sim, porque tudo o que vemos ali em perfeita forma e tamanhos diversos só foi idealizado pelo cara no papel já que na época não existia tecnologia suficiente para que ele colocasse em práticas suas engenhocas formidáveis. Estamos falando de século 15 e 16, auge da Renascença. De modo que fico pensando cá com os meus botões o que não faria um cara desses nos dias de hoje.

O ponto de partida para suas criações era sempre a natureza e os seus mistérios. “Nunca o home inventará nada mais simples nem mais belo do que uma manifestação da natureza”, deixou anotado em seus alfarrábios. Teares, máquinas de guerras, gruas e guindastes enormes, protótipos do que seria um avião, escafandro e até algo parecido com uma asa delta. Hoje tudo isso pode parecer comum no cotidiano do homem contemporâneo, mas na época não passava de suposições muito bem fundamentadas, estudadas e projetadas.

Caramba, Leonardo Da Vinci foi o inventor do desenho anatômico. Precisa dizer mais alguma coisa?

* Este texto foi escrito ao som de: Abbey road (The Beatles – 1969)

Abbey road

Meu verão na Provença (2014)

No filme Jean Reno faz um sessentão rabugento que está a cara do Michael Keaton

No filme Jean Reno faz um sessentão rabugento que está a cara do Michael Keaton

O francês Jean Reno não está a cara do Michael Keaton no cartaz da comédia francesa Meu verão na Provença (Avis de mistral, 2014), em cartaz no Libert Mall? Eu acho. Dirigido por Rose Bosch, o filme é uma daquelas tramas clichês sobre relacionamento familiar que, para nós que não temos muito preconceito, adoramos a amar.

Pois bem, não achei a fita lá essas coisas, mas me diverti bastante com a rabugice de Paul (Reno), um sessentão que largou a vida de excessos para cultivar uvas. Um belo dia, nas férias escolares, ele recebe a visita de três netos que não vê há séculos. Também pudera, já que sua relação com a filha não é das melhores.

Meio que a contragosto, ele hospeda os guris – dois adolescentes e um menor que é mudo -, fazendo com que a rotina na fazenda seja um tédio para todos. Com o tempo o gelo vai se quebrando, dando espaço para afetos e amizade. Carinhos e confortos. Essa parte é meio bobinha e previsível, irritante até, ainda bem que os momentos divertidos de Meu verão em Provença, com os adolescentes se adaptando, descobrindo e se perdendo na telúrica Provença compensa todo o resto. O lado hippie de Paul cantando canções de Bob Dylan ao luar é bem divertido também.

Bom mesmo é ver Jean Reno fazendo um papel diferente daqueles de policial ou justiceiro pelas ruas de Paris.

* Este texto foi escrito ao som de: Pat Garrett & Billy The Kid (Bob Dylan – 1973)

Pat Garrett e Billy The Kid