O Vale do Amor (2015)

vale-do-amor

Isabelle Huppert e Gérard Depardieu cruzam o Vale da Morte na Califórnia em busca de espiritualidade numa trama transcendente sobre o luto…

Há uma sutileza metafísica no drama “O Vale do Amor” – filme da dupla, Gérard Depardieu e Isabelle Huppert em cartaz na cidade -, que deixa o espectador meio desnorteado. Eu mesmo saí da sessão, ali, no Libert Mall, angustiado, diria que um tanto quanto sufocado. De modo que tentei afagar minha angústia ouvindo a voz do meu anjo da guarda, mas ela não me atendeu!! L

No filme os atores franceses vivem um casal separado que se reencontram para refletirem sobre questões universais pertinentes como perda, culpa, perdão e crença. Tudo à sombra da morte recente do filho, um fotógrafo gay que suicidou deixando uma carta para ambos. Na missiva sombria e enigmática ele avisa que não está mais vivo e pede que os pais o encontrem, em espírito, no “Vale da Morte”, na Califórnia.

O cenário de desolação e magia visual do filme só aumenta o suspense e clima de vazio que perpassa toda a trama construída com fragmentos de diálogos e lembranças das vidas dos personagens. “Nos sonhos acontece de tudo, não tem perigo”, diz ela tentando encontrar uma forma de contato com o invisível. “Perder as sobrancelhas é muito idiota”, resmunga ele, revelando o medo de uma doença fatal.

Apesar da tensão dramática da história, há muito humor nas entrelinhas de “O Vale do Amor”, humor agridoce, diga-se de passagem, como mostra a sutil cena de metalinguagem do assédio na beira da piscina. Momentos que ficam ainda mais deleitosos com as atuações seguras desses dois monstros sagrados do cinema internacional.

Uma bela e transcendente história do diretor Guillaume Nicloux diante do desespero do luto…

* Este texto foi escrito ao som de: The World Won’t Listen (The Smiths – 1987)

the-world-wont-listen-the-smiths

A Destruição de Bernardet (2016)

bernardet-2

Um dos mais importantes pensadores do cinema brasileiro é homenageado em filme ensaio que flerta com a ficção e a realidade…

Se você não conhece ou nunca ouviu falar de Jean-Claude Bernardet o problema é seu porque ele é incontornável. Aos 80 anos, um dos mais importantes pensadores do cinema, crítico seminal da cena cinematográfica brasileira, se reinventa como personalidade a partir do próprio caos pessoal. Doente, debilitado, testa os limites do corpo e da mente na condição de ator. “Será oportunista?”, brinca Kiko Goifman, roteirista e argumentista do documentário A Destruição de Bernardet, exibido ontem em sessão especial no Festival de Brasília.

Belga radicalizado no Brasil, Bernardet vive no país desde o final dos anos 40, naturalizando-se em 1964. No ano seguinte foi um dos professores expulsos da UnB em pleno regime militar. Fragmentos de sua vida são diluídos no filme numa narrativa que transita entre a ficção e a realidade. De personalidade difícil e dono de uma ironia perspicaz, zomba da própria sorte, fazendo da sentença de morte recebida pela AIDS, uma forma de libertação.

“O DOPS não é um bom ficcionista”, zomba, quando reler sua ficha no Departamento de Ordem Política Social.

Medo da solidão pegajoso, um passado enigmático de desencontros, cotidiano simples cercado de amigos e livros. Um dos momentos mais marcantes da fita dirigida pela dupla Cláudia Priscilla e Cláudio Marques é quando, num transe brechtiano, ele entrevista a si próprio. Daí tem aquele desfecho lírico no encontro quase transcendente entre o homem e a natureza, simbolizada por uma borboleta.

Enfim, um belo e diferente ensaio sobre essa incrível figura do cinema nacional.

* Este texto foi escrito ao som de: Kasabian (2004)

kasabian

Rifle (2016)

Sendo bem sincero. Já está chato o bordão “Fora, Temer!” proferido como se fosse água de torneira no Festival de Brasília deste ano. Em poucas palavras, gratuito, oportunista e infantil. Dito isso, vamos ao que interessa.

Segundo longa do gaúcho David Pretto, “Rifle” abriu ontem a Mostra Competitiva do 49º Festival de Brasília narrando o conflito entre pequenos fazendeiros e a indústria do agronegócio no Rio Grande Sul. A pegada do drama é realista, construída por elipses narrativas que pode incomodar o espectador preguiçoso. Dione, um jovem recatado está no olho desse furacão que retrata a realidade de um Brasil rural que caminha para a modernização.

A propriedade de sua família é uma pedra no meio do caminho dos poderosos homens do negócio rural da região e ele vai defender suas raízes com unhas e dentes, um rifle na mão. Justiceiro à moda antiga, faz justiça com as próprias mãos.

Claro, há muita referência aos faroestes hollywoodianos na construção dos personagens e enquadramento da câmera sobre cenário desolado e vazio, mas o desenvolvimento do tema social brasileiro respalda em filmes como “Baixio das bestas” e porque não “Aquarius”. Cada um, dentro de sua abordagem temática, revela um Brasil dos injustiçados sufocado pelo o que o cineasta Glauber Rocha chamava de opressão do sistema.

Os curtas da noite

 Ótimo Amarelo (BA) – Curta-metragem baiano dirigido por Marcus Curvelo, Ótimo Amarelo é uma reflexão triste e pessimista sobre as marcas da memória tendo como protagonista um personagem que volta do exílio em busca de suas raízes em Salvador. O passado, por mais nostálgico que seja, lhe bafeja na cara cheio de momentos melancólicos como a rápida passagem do ídolo Bebeto pelo futebol baiano, a volta do clã ACM ao poder e farras com amigo. O estilo contido da narrativa do filme não agradou o público.

Quando Os Dias São Eternos (SP) – Já animação paulista Quando os Dias Eram Eternos, único filme do gênero a participar da competição, recorre à filosofia japonesa para contar a história de regresso de um filho para os braços da mãe que está morrendo de câncer. A direção do brasiliense Marcus Vinicius Vasconcelos, radicado há anos em São Paulo, mescla uma montagem lírica com traços sombrios.

* Este texto foi escrito ao som de: Fuzzy Logic (Super Funny Animals – 1996)

fuzzy-logic

“Cinema Novo”(2016)

 É fato. Os filmes brasileiros só ganharam projeção internacional com o “Cinema Novo”, o movimento cinematográfico dos anos 60 que redescobriu a realidade brasileira por meio de trabalhos críticos, dimensionando a figura do cineasta a um status de guardião da sociedade. É isso e muito mais o que mostra o belíssimo documentário de Eryk Rocha, que, além de uma homenagem à figura de seu pai, um dos ícones do movimento que ajudou a criar, presta reverência a toda uma geração de realizadores do audiovisual.

São quase 20 autores entre cineastas e diretores de fotografias, entre eles Nelson Pereira do Santos e Ruy Guerra, além dos mestres da imagem Mário Carneiro e Dib Lufti, todos diluídos num relicário de cerca de 130 filmes pesquisados. Impressionante a leveza da montagem de Renato Valloni que conseguiu condensar essa multidão de imagens num trabalho coeso e honesto. O público nem sente a hora passar.

Um jornalista francês em Cannes criticou que o filme não explicava o que era e o que representou o movimento para o público, mas não é verdade. Mesmo apostando numa abordagem experimental, lírica, enfim, num filme de montagem, Eryk Rocha consegue mostrar como nasceu o movimento, o auge com projeções e reconhecimento nos festivais de cinema da Europa, os filmes como uma radiografia de um país em conflito, a ruptura desse grupo com o endurecimento da ditadura.

Mas faz isso deixando que cenas dos filmes do Cinema Novo e os cineastas que os fizeram contem o que foi o movimento naquele Brasil conturbado. Um Brasil, diga-se de passagem, bem parecido e que dialoga com o Brasil de hoje, como bem afirmou o talentoso Eryk Rocha.

“O cinema brasileiro tem duas raízes: a Bahia eos CPcistas”, diz em dado momento Glauber Rocha, se referindo ao Centro Popular de Cultura (CPC), grupo oriundo da União de Estudantes, a gênese do Cinema Novo. “O movimento acabou quando a ditadura transformou os filmes do Cinema Novo em projetos individuais, essa é a verdade”, decreta o sempre realista Cacá Diegues.

Encanta ver as raras imagens do grupo unido explicando o que é o Cinema Novo e falando do Brasil daquela época. Para quem é um grande fã do Cinema Novo, esse documentário é um deleite do começo ao fim. Deu vontade de sair da sessão e revisitar, rever muitos dos filmes do movimento que virou de ponta cabeça o cinema brasileiro e que até hoje influencia novos cineastas.

Como disse o próprio Eryk Rocha ontem no palco do Cine Brasília: “Que esse filme vire rua, vire manifestação”. Tomara,

* Este texto foi escrito ao som de: Some Friendly – The Charlatans (1990)

some-friendly

A morte de Domingos Montagner, o pau do Zulu e as chorumes do Duduvier…

domingos-montagner-3

Um ator de talento e magnetismo único que foi embora cedo demais, às vezes a vida é cinicamente impiedosa…

Que conste nos laudos: Não aguento mais ouvir falar sobre a morte do ator Domingos Montagner. Mas fazer o quê se essa semana foi foda mesmo, tensa e intensa com esse episódio triste, além de bobagens como o pau do Zulu e os chorumes do coração do Gregório Duduvier. Punk, meu chapa, punk! De modo que vai aqui o meu desabafo.

Muito triste, claro, um artista jovem morrer assim, de maneira banal no esplendor da carreira, mas a vida é cinicamente inesperada ou alguém aí ainda não percebeu isso? Gozado que pouco tempo atrás tinha assistido uma entrevista dele no Canal Brasil falando do desafio de viver um vilão no filme “Vidas Partidas” – o folhetim de Marcos Schechtman sobre violência doméstica -, além de suas lembranças dos tempos de palhaço antes de virar ator global.

Um grande ator com certeza, dos raros que valorizava mais o trabalho do que o glamour da vida artística. Bastava vê-lo em cena. Tanto que Montagner começou a fazer cinema e televisão tarde, quase 50quentão. Isso mesmo 50quentão e me lembro dele, entre outras coisas, numa rápida participação no filme, Gonzaga – De Pai para Filho, cinebiografia sobre o rei do baião. Tinha talento e magnetismo de sobra o cara, talento e magnetismo que o Velho Chico levou embora, assim, num estalar de dedos, num piscar de olhos.

É, que fique a lição. Não se deve jamais dar as costas, zombar da força da natureza, há muita mística e mistérios nela que nós, seres humanos ignorantes e arrogantes, não conseguimos entender. É algo transcendente, sabe.

Não sei se há transcendência ou mesmo glamour no pinto molenga do modelo Paulo Zulu perambulando pelas redes sociais como um dos assuntos mais badalados da semana. Ok, sabemos que não foi culpa dele, tadinho, que a imagem vazou, mas convenhamos. Que tipo de bobaca fica fazendo nude em frente do espelho como se tivesse peteando o pentelho?

Tenho o ego bem menor do que o meu pau, ou seja, a vaidade, autoestima e grau de exibicionismo abaixo da média, portanto, sem a menor chance de cometer bobagens infantis como essas. Não sou do tipo “oráculos patéticos” que fica mandando nudes gratuitamente por aí só para se sentir a grande sensação do momento entre amigos. Tenho mais o que fazer e, de mais a mais, há várias maneiras de se mostrar sem parecer ridículo. Meu tipo de vaidade é outro. Às vezes -, quer dizer +.

Desculpe o transtorno, mas preciso falar sobre o Duduvier também. Quando comecei a ler a crônica dele na Folha aquele dia, na boa, achei que fosse sobre a Clarice Lispector. Nem sonhava que era a Falcão da Adriana e do João. Quando descobrir do que se tratava, me decepcionei. Ainda mais quando se viu que havia uma puta de uma jogada de marketing por trás de tudo. Sentimos afetivos, ainda mais de ordem amorosa, é algo bastante valioso para ser negligenciado ou banalizado num texto bonitinho viral. Tem que ser tratado com transcendência.

Não sou budista nem algo do tipo, mas acho que o que falta para muita gente nesse mundo globalizado e virtual é um pouco de transcendência… Só isso…

* Este texto foi escrito ao som de: Moseley Shoals (Ocean Colour Scene – 1996)

moseley-shoals

Feios, Sujos e Malvados (1976)

feio-sujos-e-malvados

Vencedor do Prêmio de Melhor Direção em Cannes, essa comédia grotesca do mestre Ettore Scola traz o lado podre da sociedade italiana…

Fui ver o filme nacional “O Roubo da Taça” outro dia e me lembrei dessa comédia italiana que não assistia há séculos. Fazia tanto tempo que nem me recordava direito de como era o filme. A única lembrança que me veio à mente era a associação da palavra, grotesco, com os personagens bizarros que vivem amontoados numa favela de Roma.

Dirigido por Ettore Scola, essa comédia burlesca narra os conflitos de uma família que se aperta num barraco caindo aos pedaços ao redor do velho caolho Giancinto Mazzatella. Ele perdeu um olho trabalhando e agora todos estão de olho na bolada que ele recebeu de indenização do governo.

“Não tenho família. Tenho inimigos”, lamenta ele com a amante que acabou de convidar para morar no muquifo pra lá de apertado.

Uma tragédia shakespeariana mesclada com clássica comédia italiana, Feios, Sujos e Malvados traz a visão decadente de uma Itália formada pelo o que há de pior em sua sociedade. A construção dos personagens feitas entre o caricato e o exagero, mostra crianças abandonada em meio a imundice, mulheres vítimas de abuso, tratadas como objetos, pederastas, travestis e motoqueiros baderneiros brigados por uma luz ao Sol. Mas sabendo que nasceram feios, sujos e malvados e vão morrer assim. Nas entrelinhas uma velada crítica ao consumismo.

Vencedor do Prêmio de Melhor Diretor em Cannes, Scola mostra aqui uma realidade sem maquiagem, a vida como ela é que todos nós fingimos que não existe. O final, com uma das netas desse patriarca mesquinho e egoísta acordando de madrugada com a gravidez à mostra, é de um pessimismo brutal.

* Este texto foi escrito ao som de: Lô Borges (1972)

lo-borges

Triste por dentro… Morrendo aos poucos…

Urso 2.jpg

“Às vezes, a melhor forma de de viver é não existir, tentando desenvolver um estilo de vida que não necessite da minha existência”

Ele a adora e ela nem se dá conta da importância que isso tem para ele. Nem se esforça. Uma indiferença esnobe que o deixa doente e desnorteado, a ponto de estar o tempo todo triste por dentro, morrendo aos poucos, como se tivesse com um câncer na alma, alma que poderia ser vendida ao diabo, só pra conseguir um pouco de atenção dela… É isso, Fausto de Goethe! Minha alma pela atenção dela… Será que funciona?

Não sei… Baixa autoestima? Mimado? Dramático? E aquela canção do Coldplay que não lhe sai da cabeça: “Everything’s Not Lost”. “Um demônio para cada dia…”, canta Chris Martin. Deus é uma mentira vagabunda, já dizia Nietzsche, não com essas palavras… Mas já dizia Nietzsche…

…De repente, ela surge no meio da festa com seu sorriso de anjo e encanto pessoal que contagia e irradia o lugar. Todos querem falar com ela, tocar, sentir sua presença divina em meio à balbúrdia da alegria que contagia o grupo… De longe, ele a mira com dedicação feérica, desejo latente pulsando no peito, no sexo, nas entranhas de sua existência…

…Ela é perfeita nos mínimos detalhes com suas coxas bem torneadas, barriguinha deliciosa e saliente saltando sutilmente para fora da camisa vermelha ofuscante, sorriso de fada estampado no rosto. No meio da escuridão do espaço agitado, ele tenta vislumbrar o desenho delicado de suas narinas em forma de pera, o risco perfeito de sua boca desenhado por dentro. A vontade que tem é de beijar cada centímetro de seu corpo perfeito delineado em curvas angelicais… Mas ficou feliz só de vê-la pulando alegre, faceira, como se fosse uma criança radiante depois de tudo que ela passou… Foi embora para casa feliz com a felicidade dela…

…Mas triste por dentro… Morrendo aos poucos… Solitário como um lobo da estepe, vazio e frio por dentro como uma Sibéria russa, amargando lentamente a crise de sua existência, cheio de culpa e medo, sem vontade de seguir adiante, desenvolvendo um estilo de vida que não necessite de sua existência. A vida sem ela é entediante e monótona… Ele não queria estar em lugar nenhum… Às vezes, a melhor forma de viver é não existir…

* Este texto foi escrito ao som de: The Stone Roses (1989)

stone-roses-2

“Às vezes, a melhor forma de de viver é não existir, tentando desenvolver um estilo de vida que não necessite da minha existência”

Aquarius (2016)

Aquarius

No filme, Sônia Braga vive uma mulher que bate de frente com a especulação imobiliária ao não querer se desfazer de suas raízes afetivas

Não vá com muita sede ao pote porque Aquarius, o novo filme sensação de Kleber Mendonça Filho, não é lá a sétima maravilha do cinema nacional. Pelo menos não do jeito que a crítica especializada está pintando ou quer que seja pintado. Ou seja, como bandeira ideológica de um momento político. Há muita superestimação em torno de um diretor que meio que se contradiz no seu discurso crítico social.

Sim, se contradiz porque ele e boa parte do público burguês que está indo conferir o filme fazem parte de uma elite esnobe e soberba que é retratada na tela. Uma elite soberba e esnobe que finge em lutar pelos fracos e oprimidos, o lado esquecido da sociedade. Há muita hipocrisia no filme, no que diz respeito ao discurso, como há muita falsidade nas relações humanas, políticas e sociais no Brasil.

Na trama, Clara (Barbara Colen/Sônia Braga), é uma mulher que venceu o câncer patológico da doença e agora enfrenta o câncer da realidade brasileira com seus problemas sociais conduzidos pela arrogância da classe dominante e do poder econômico. Uma triste situação esmiuçada quando ela, apegada a um apartamento à beira da Praia de Boa Viagem, localizada no edifício Aquarius, área nobre do Recife, não quer ser render a pressão da especulação imobiliária.

“Você fez curso de business, mas não tem formação humana, nem de caráter”, diz ela ao engenheiro civil de mais um espigão que será levantando perto de sua casa.

Um dos jovens diretores brilhantes da cena cinematográfica de Pernambuco, Kleber Mendonça Filho foi durante muito tempo figura cativa no Festival de Cinema de Brasília, onde abiscoitou vários prêmios com seus curtas-metragens inteligentes e questionadores. Um estilo que mantém desde que começou a filmar longas-metragens. Depois da aclamação de público e, sobretudo, de crítica, com “O Som Ao Redor”, ele volta à baila com o polêmico Aquarius.

 Não há dúvidas de que seu novo projeto é um filme sério, contundente e necessário, sobretudo quando põe em xeque as mazelas do poder público e revela, de forma sensível e inteligente, o fosso que separa os dois brasis em que vivemos. O Brasil da soberba e o Brasil da pobreza. Uma pena que essa reflexão seja banalizada pela rixa ideológica atrasada na qual vivemos hoje.

Usar o filme como bandeira política nos dias de hoje empobrece o cinema nacional.

* Este texto foi escrito ao som de: The Stone Roses (1989)

The Stone Roses