Da Miséria Humana…

Ratos

Na Idade Média, o poder público perdeu o controle da peste de ratos que dizimou parte da população, mas teve gente que tirou proveito da situação…

Na Idade Média, na Europa, eclodiu uma epidemia de ratos que matava, por dia, dezenas de pessoas. O poder público, por negligência, não conseguia controlar o problema e fez um pacto com a população. Seria pago um valor X pela quantidade de ratos capturados. Quem trouxesse +, ganhava +. Logo, percebeu-se que, com o esquema, ao invés de diminuir, os ratos só aumentavam. Descobriu-se, então, que as pessoas estavam criando camundongos.

Esse episódio histórico ilustra a pobreza que é a miséria humana. Ou seja, uma realidade tão orgânica e natural como respirar e talvez um caso sem solução. Basta traçar paralelo com a atual situação do país em que empresários oportunistas, governo omisso e população egoísta, sem nenhum espírito coletivo, de solidariedade e bom senso, tiram proveito da crise dos combustíveis que assola o país de qualquer maneira. Perde todos!

É o jeitinho brasileiro de querer se dar bem a todo custo e à custa de todos. A mentalidade cultural da esperteza e malandragem. Da falta de altruísmo. Por isso que a humanidade é essa merda que aí está. O que faz qualquer um, com um pingo de juízo, perder a fé no ser humano e jogar as esperanças pela janela. O melhore mesmo seria se jogar da janela…

* Este texto foi escrito ao som de: Suicide (1977)

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Amor não correspondido

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enquanto ela finge que conhece Woody Allen, eu fico aqui ouvindo Cat Power… Bebendo e ouvindo Cat Power…

Amor é uma merda! Amor não correspondido é uma merda. Quando eu mais precisei dela, ela me deu as costas e foi embora. Simplesmente me abandonou. Foi para Nova York curti a vida e fez de conta que nada tinha acontecido. E assim, enquanto ela finge que conhece Woody Allen, eu fico aqui ouvindo Cat Power… Bebendo e ouvindo Cat Power…

Ei, você aí! Este sou eu! Dá pra ver que tô perdido na vida. Pra começar, roubando esta fala de um ratinho gourmet da Disney pra contar uma história cheia de som e fúria. Um ratinho gourmet da Disney, pode? E daí?! Sou um looser mesmo, mas um looser de bom gosto, acho…

Mas me diga você que tem espectro existencial de um Albert Camus e entende dos problemas da alma, chafurdando na psique atormentada de pessoas como eu. Como reagir ao fracasso? Como sobreviver aos escombros de uma existência fadada ao nada, ao invisível? Qual caminho seguir quando se está por baixo e na pior?

Meu quarto é minha fortaleza, meu porto seguro, meu paraíso na Terra, o Eldorado de mim mesmo! É onde tenho tudo, meus discos, meus livros, meus filmes, as boas memórias de experiências sensoriais que me mantém vivo enquanto tudo ao meu redor parece cinza e sombrio…

* Este texto foi escrito ao som de: Later With Jools Holland (2013)

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Copacabana, o reduto do samba-canção

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O mestre Cartola e Dona Zica na cerca da casa em que ele escreveu os maiores samba-canções da música brasileiras

Um belo dia, Dona Zica estava aguando as roseiras que ela e o marido Cartola cuidavam com muito zelo, quando, surpresa com a quantidade de flores brotadas, perguntou: “Mas como tem dado essa roseira, né, o que é que houve?”. Ao que ele respondeu, quase desatento: “Sei lá, elas não falam”. Nascia assim, de forma despretensiosa e frugal, um dos clássicos da nossa música, “As Rosas Não Falam”, a canção mais regravada do mestre sambista.

Eis só uma das milhares de histórias saborosas contadas pelo jornalista e estudioso da música brasileira, Zuza Homem de Mello, no livro, Copacabana – A Trajetória do Samba-Canção (1929 -1958), um calhamaço de mais de 500 páginas que se propõe a contar a história desse grande gênero musical que deu origem a vários sucessos e vozes inesquecíveis, entre eles, Cartola.

Foram mais de 10 anos de pesquisa que renderam um livro ilustrado por fotos maravilhosas de uma época nostálgica até para um sujeito como eu que não a viveu. O legal do livro é ler cada capítulo, cada página, ao som das canções citadas, que traz por trás, sempre, relatos de autores calejados por esse bichinho infernal chamado “amor”. Foi um dos melhores títulos que li nos últimos meses.

É o período das boates enfumaçadas em cujo clima de paixão e desejo se mistura ao tilintar dos copos das bebidas e vozes de intérpretes como Linda Batista, Dick Farney, Dalva de Oliveira, Nora Ney, Elizeth Cardoso, Dolores Duran e a gata rebelde, Maysa. Com o fim dos cassinos em 1946, Copacabana, a princesinha do mar, se tornaria o cenário ideal para o pecado, a fuga dos amantes, o desterro dos amores não compreendidos.

Algumas passagens do livro são marcantes, como o surgimento do “Clube dos Cafajestes” ou ainda o relato minucioso, quase antropológico, no início da obra, de um Rio de Janeiro mítico e cheio de glamour dos anos 50 que não existe mais, infelizmente, mas que insiste em perdurar em nossas mentes e corações por meio das maiores vozes que este país já teve. Copacabana é um livro para se ler ouvindo ou ouvir lendo, cheio de encanto na alma.

* Este texto foi escrito ao som de: Cartola (1976)

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Bethânia Bem de Perto

Bethânia 2

A jovem cantora baiana nos idos de 1965, substituindo Nara Leão no show-manifesto Opinião

No próximo dia 30 a diva da MPB, Maria Bethânia, deve se apresentar em Brasília. Toda vez que a cantora vem à cidade causa comoção, histeria e depois saudade. Uma das vozes mais emblemáticas do país, a artista é uma persona singular. Se você for ao show, uma dica é conferir no Canal Brasil – acho que ainda dá tempo -, o documentário, “Bethânia Bem de Perto”. Trata-se se um registro pioneiro da cantora antes do mito.

O feito é de Julio Bressane e Eduardo Escorel, ambos, nos primórdios do métier, ou seja, idos do ano de 1965, filmando os bastidores da chegada de Bethânia ao Rio de Janeiro, para substituir a musa da Bossa Nova (veja só), Nara Leão, no musical Opinião. Em cena, um compositor do morro (Zé Keti), outro do Nordeste agreste (João do Vale), mais a carioca da Zona Sul, Nara, refletindo as mazelas do país, pré Golpe Militar, num show-manifesto.

“…Num pequeno teatro de arena de Copacabana, combinando o charme dos shows de bolsos da Bossa Nova em casa noturna com a excitação do teatro de participação política”, como lembraria o irmão Caetano Veloso, no livro “Verdade Tropical”.

No filme, de pouco mais de 30 minutos, a câmera já com toques de marginal, de Bressane, capta a jovem artista nos bastidores de sua primeira grande empreitada, bem à vontade com amigos, seu cigarro Minister e discos de ídolos como Billie Holliday. “Como eu posso esnobar o Roberto Carlos, o cara mais famoso do Brasil… Eu soube que ele é uma pessoa ótima”, desconversa ela, ao tentar lhe jogar uma casca de banana.

Noutra cena, brinca de mau me quer, bem me quer, tendo como plateia, um jovem Jards Macalé, disfarçado de Paulo Silvino, é só conferir. Uma das coisas que mais me impressionou ao rever este filme foi notar a semelhança da voz de Bethânia jovem com a de Ivete Sangalo. Com o detalhe que não acho a menor graça no Ivetão…

* Este texto foi escrito ao som de: Maria Bethânia (1965)

Maria Bethânia

Os Irmãos Cara de Pau (1980)

Blues Brothers

John Belushi e Dan Aykroyd fazendo boa ação para ajudar um orfanato neste clássico das Sessão da Tarde

Falei sobre o comediante Lenny Bruce outro dia e fiquei com vontade de escrever agora sobre o John Belushi. Mas especificamente sobre o filme, “Os Irmãos Cara de Pau” (1980), um daqueles clássicos da Sessão da Tarde que não esquecemos jamais. Na fita ele é Jake, o irmão mais velho de Elwood (Dan Aykroyd), os Blues Brothers, que têm a missão de levantar US$ 5 mil para que o orfanato em que cresceram não seja implodido pela burocracia do Estado.

A ideia da trama é aparentemente simples, reunir uma antiga banda de amigos, fazer um som da pesada e levantar a grana, mas no meio do caminho, uma séria de tretas com a polícia e, para piorar as coisas, a gatíssíma Carrie Fisher encarnando uma namorada vingativa de Belushi, depois que ele a abandonou no altar diante de mais de 300 convidados.

Estrelas do programa de TV, Saturday Night Live, a dupla Belushi e Aykroyd, levaram os personagens de sucesso para o cinema com a ajuda do diretor John Landis (Um Lobisomem Americano ­em Londres – 1981), um dos ícones dos anos 80 que não filma faz longa data. Será porque, hein? Aqui ele assina o roteiro com Dan Aykroyd nesse musical maluco pelas ruas de Chicago. O estilo do humor é nonsense e arrebatador.

Dan Aykroud, bem novinho, é uma simpatia em cena, mas não páreo para o autêntico cara de pau John Belushi. Despretensioso, o filme é uma ação entre amigos que, além da curta participação de John Candy, traz ainda Ray Charles como um balconista de loja de instrumentos que enxerga tudo, Aretha Franklin a dona de um restaurante zangada com o marido e o pastor mais soul do pedaço James Brown. O bluesmam, John Lee Hooker dá o seu recado, na maior elegância, numas das esquinas de Chicago…

Enfim, uma daquelas comédias despretensiosas e inesquecíveis que vai morar para sempre em nossos corações e mentes! Vai encarar?

* Este texto foi escrito ao som de: The Blues Brothers: Music From The Soundtradck (1980)

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Onde Nascem os Fortes

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Poderosa trilha sonora de supersérie é um bálsamo norteador que expõe a beleza bruta de clima árido, sufocante marcado por injustiças sociais atávicas

Parece título de faroeste norte-americano. Mas é bang bang no meio do sertão nordestino onde o sol, de tão incessante e onipresente, parece brilhar para cada um num lugar onde só nascem os fortes, que é o título da grande sensação da TV brasileira. Não adianta as histórias de Jesus e seus asseclas bíblicos abiscoitarem multidão de fiéis acéfalos ruminantes sem nenhum critério cultural ou estético, se a trama não tem liga, paixão narrativa, entende?

 

E se a trilha sonora é tão pungente e cativante quanto os dramas e contradições dos personagens em cena, melhor ainda. Logo de cara, somos fisgados, sensorialmente, pelo tema de abertura escrito e composto por Zeca Veloso, um dos herdeiros do rebento de Caetano, na bela faixa, “Todo Homem” que, cantada em falsete, parece lembrar voz de mulher. “Todo homem/Precisa de uma mãe”, canta, remetendo a personagem de Patrícia Pillar.

Na fusão do descompasso entre o moderno e o arcaico enraizados na atual cultura dos sertões espalhados pelo Brasil, onde motoboys e nativos rudes transitam num mesmo espaço em que flana a poeira dos carros e dos animais, a música é um bálsamo norteador que expõe a beleza bruta de clima árido, sufocante marcado por injustiças sociais atávicas. O coronelismo, enfim, a lei do mais forte, ainda é vigente nos dias de hoje, seja lá no agreste, ou aqui no Congresso.

O sotaque é de Pernambuco, mas o som do nordeste esparrama pelas vozes de Fagner em “Jura Secreta”, Elba Ramalho, na enigmática, “Ave de Prata”, no folk dylanesco de “Canção Agalopada” e “Jardim das Acácias”, de Zé Ramalho, no aboio sentimental e nostálgico cantado por um Caetano Velos melancólico na clássica, “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.

E por falar em Bob Dylan, Gal Costa comove o telespectador na versão competente de Caetano Veloso e Péricles Cavalcanti – que ainda não entrou em cena -, da impactante, “Negro Amor” (“It’s All Over Now, Baby Blue”).  A diva da nossa MPB ainda canta na supersérie, entre outros sucessos da carreiras, as pérolas de seu disco gravado ao vivo, em 1971, “Vapor Barato” e “Como Dois e Dois”, esta última gravada pelo rei Roberto Carlos.

Na trilha internacional, as perversões cristãs da personagem de Débora Bloch, uma carola que corre pela árida paisagem solitária, ao de Rachmaninoff, sintetizada na ruidosa canção do Velvet Underground, “Vernus In Furs”. “Garotinha açoitada no escuro/Vem ao sinal do sino, seu servo, não o abandone/Golpeie, querida senhora, e cure o coração dele”, canta Lou Reed, de forma lasciva e obscena.

“Your Song”, de Elton John, “Don’t Explain”, com Nina Simone, e “Son Of A Preacher Man”, sucesso na voz de Dusty Springfield, completa, entre outras, a parte estrangeira das canções de “Onde Os Fortes Nascem”. Curiosamente, nas duas searas, as faixas mais antigas e saudosistas, é que tem relação mais forte com os conflitos dos personagens.

* Este texto foi escrito ao som de: Trilha Sonora Nacional e Internacional de “Onde Os Fortes Nascem” (2018)

Onde Nascem Os Fortes 3

 

O Rebelde Lenny Bruce

Lenny Bruce

O mais temido dos comediantes em ação, detido por obscenidade, numa época em que fazer rir era um ato de rebeldia…

Isso não tem a menor graça ou é uma piada de mau-gosto. Mas o fato é que os grandes comediantes norte-americanos, aqueles que imortalizaram o gênero, Stand Up Comedy, ou apostaram num humor mais realista e crítico, vamos assim dizer, os caras que ampliaram o horizonte do humor norte-americano, morreram jovens, bem jovens, antes de completar 40 anos. No caso de Lenny Bruce, o tema deste texto, aos 40 anos, em agosto de 1966.

Conhecido pelo estilo ousado e atrevido, John Belushi foi outro comediante que partiu cedo, aos 33 anos, em março de 1982, vítima de uma overdose de speedball, coquetel de cocaína e heroína. Vale conferir no Netflix sua atuação ao lado de Dan Aykroyd, em “Os Irmãos Cara de Pau” (1980). Homenageado por Jim Carrey em “Man On The Moon”, Andy Kaufman, falecido em maio de 1984, aos 35 anos, também ousou na comédia apostando no nonsense.

Pode-se dizer que, em maior ou menor grau, todos são crias de Lenny Bruce, descoberto nos anos 50, pelo saxofonista do Dave Brubeck Quartert, Paul Desmond. Sem Lenny Bruce, por exemplo, não existiria Woody Allen, que era mais fã do comediante canadense Mort Sahl, é verdade, mas Lenny Bruce tinha aquela coisa autodestrutiva que tanto fascina as pessoas.

Uma boa dica para conhecer a trajetória do cara é conferir o drama, “Lenny” (1974), cinebiografia dirigida por Bob Fosse, com Dustin Hoffman no papel-título. Filmado em charmosa fotografia, preto e branco, o filme mostra, com narrativa tensa, o auge da carreira do artista que pagou caro por ser um dos primeiros comediantes a falar o que queria no palco.

Desbocado e às vezes irresponsável, Lenny Bruce quebrou as barreiras do preconceito, abordando temas que a conservadora América não queria ouvir falar, fazendo ácidas críticas sociais e políticas, como a guerra do Vietnã. Com seu ar de Albert Camus, transformou o horror do cotidiano em humor.

“Ele abriu as portas para a comédia moderna e o primeiro cara que atravessa a ponte leva todas as balas”, chega a avaliar um dos comediantes atuais no documentário, “Looking For Lenny”, lançado em 2011.

Resultado. Foi caçado em cena como uma ratazana de cortiço, detido, inúmeras vezes por obscenidade e outras hipocrisias, até morrer vítima de overdose, já com a carreira em declínio. Reverenciado pelos Beatles na famosa capa de Sgt. Pepper’s, o comediante rebelde foi lembrado pelo R.E.M. em “It’s The End Of The World as We Know It (And I Feel Fine)” e Bob Dylan na canção, “Lenny Bruce”.

“Lenny Bruce era ruim, ele era o irmão que você nunca teve”, ironiza o bardo.

* Este texto foi escrito ao som de: Shot of Love (Bob Dylan – 1981)

Shot of Love

A Marca da Pantera (1982)

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Então a “Lolita”, Nastassja Kinski, fazendo o diretor Paul Schrader perder o juízo nos bastidores desse terror sensual

“A Marca da Pantera”, que revi outro dia no Netflix, é um daqueles filmes que marcou minha adolescência. Mais pelo felino de pelagem negra e olhos amarelos, do que, veja só, pela deliciosa Nastassaja Kinski, no esplendor de seus 20 aninhos. Ou seja, como diria Woody Allen via Diane Keaton em “Manhattan” (1979): “Em algum lugar Nabokov está sorrindo, não é?”.

Clássico dos anos 80, o filme é dirigido pelo junkie, Paul Schrader, o roteirista de “Taxi Driver” (1976) e “A Última Tentação de Cristo” (1988), de Martin Scorsese. Schrader, que na época do filme vivia com as narinas entupidas de cocaína e um revolver na cintura, colecionava sucessos em Hollywood como “Hardcore – No Submundo do Sexo” (1979) e “Gigolô Americano” (1980), com Richard Gere.

Aqui ele faz releitura sensual do original de 1942, “Cat People”, dirigido pelo francês Jacques Tourneur. Bom, não sei se é + sensual porque não vi ainda a primeira versão. Só sei que é de dar água na boca, por conta de uma maldição ancestral, ver a Nastassaja Kinski se transformar, entre uma cena e outra, numa pantera sedenta de desejo e sangue. É o pulo da gata…

“Somos uma raça incestuosa”, desconversa o irmão tarado vivido por Malcolm McDowell.

Schrader, então fascinado pelos pequenos par de seios da atriz, seus suculentos lábios carnudos e rosto másculo, embora sensual, cria aqui uma fábula bizarra exaltando a volúpia, o amor impuro e a morte. É terror fetiche, mas sem ser vulgar. No final, você não sabe se gosta mais do felino ou da bela jovem estrela do cinema, filha do grande Klaus Kinski.

Tudo ao som da trilha composta pelo italiano, Giorgio Moroder, um dos papas da disco’music, na época, com letra da lenda David Bowie. Sem juízo, no meio das filmagens, o diretor pediu a jovem Nastassja em casamento, ao que ela declinou no auge de sua sabedoria teenage: “Paul, eu sempre transo com meus diretores. E com você foi muito difícil”, renca!

Precisa de mais motivação para ver o filme?

* Este texto foi escrito ao som de: Let’s Dance (David Bowie -1983)

Let's Dance

Porque ver “Manhattan” de Woody Allen

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Atestado de maturidade do cineasta, talvez o filme seja a mais bela declaração de amor de um artista a uma cidade…

Não importa quantas vezes você já assistiu a “Manhattan” (1979), de Woody Allen. Porque a cada sessão é uma experiência nova, uma magia diferente, um pacto excitante a essa que talvez seja uma das mais belas declarações de amor de um artista a uma cidade. E não só isso, mas também as implicações sentimentais, confluências emocionais e conflitos existenciais de uma relação amorosa numa grande cidade. E não qualquer cidade, mas a metrópoles de Frank Sinatra, Gay Talese e… Woody Allen.

“Manhattan” é Woody Allen em estado de graça rumo ao caminho da maturidade criativa. É talvez o seu filme mais charmoso, mais encantador e romântico. O mais sensível e belo também. Impressionante o senso de humor dele diante da nossa condição trágica com relação aos encontros furtivos, as confusões do conflito passional.

“Ela só tem 17 anos. Sou mais velho do que o pai dela”, tira sarro, numa mesa de restaurante, sobre essa relação improvável com uma “Lolita”, a jovem e bela Mariel Hemingway e só pelo sobrenome já dá pra saber de quem ele era neta. “Em algum lugar Nabokov está sorrindo, não é?”, ironiza a personagem de Diane Keaton. Que elegância na ironia do comentário, diálogos espirituosos e inteligentes.

Woody Allen tem um jeito divertido, sofisticado de falar de coisas sérias sem parecer pedante ou intelectual, embora ele seja um homem culto que sabe tirar sarro da arrogância e empáfia de personagens e lugar que conhece muito bem. Ou seja, aqueles com quem esbarra com frequência pelas ruas, restaurantes e badaladas festas fakes. Pelo menos era o que ele fazia na juventude e de onde tirava suas ideias e situações…

Há algumas passagens memoráveis no filme, como a sensual sequência do museu lunar, às escuras com uma Diane Keaton derretendo de volúpia e a cena em que ele elenca uma série de coisas que valem à pena estar vivo para se deleitar, sobretudo, em “Manhattan”…

 

Duran Duran pela ótica de John Taylor

Simon e J. Taylor

O baixista John Taylor – que deve ter inspirado o Paulo Ricardo, em algum momento – e o grande parceiro de banda, Simon Le Bon: Melhores amigos…

Quatro ou cinco coisas que você deve saber sobre o Duran Duran…

…Que nem está entre as minhas bandas prediletas, mas como estou lendo a biografia do baixista, John Taylor… (No Ritmo do Prazer, Amor, Morte e Duran Duran)…

Era a banda preferida da princesa Diana…

A banda lançou moda com aqueles blazers com ombros proeminentes…

O nome da banda foi inspirado no vilão do filme de ficção científica “kitsch”, “Barbarella” (1968), o velho miserável, Durand Durand, vivido por Milo O’Shea…

John Taylor, um dos fundadores da banda, queria ser aviador, mas se voltou para o rock por causa do punk. Começou a tocar guitarra, mas mudou para o baixo depois de ouvir “Everybody Dance”, do Chic…

O baixista John Taylor já bateu boca com Sting quando era um ilustre desconhecido, durante apresentação do trio na Universidade de Birmingham por causa dos Heartbreakers do Johnny Thunder…

Chegou uma época que havia uma overdose de Taylor na banda…

Só sentiu que a banda ia mesmo decolar quando Simon Le Bon rascunhou algumas letras enigmáticas em cima de um arranjo que a banda trabalhava: “A poesia tinha chegado”…

* Este texto foi escrito ao som de: Duran Duran (1981)

Duran Duran