Ícaro

Icarus 2

O cientista perseguido Gregory Rodchekov e o diretor Bryan Fogel. Filme tem pegada investigativa… 

Comprado pela Netflix pela bagatela de US$ 5 milhões, o documentário, “Ícaro”, o mais incisivo concorrente da categoria ao Oscar 2018, já chama atenção pelo cartaz, no qual um atleta aparece como um fantoche.

Era para ser um filme em que o diretor Bryan Fogel, na condição de ciclista amador, iria provar que o sistema de antidoping na Europa era falho, mas a história ganhou uma guinada de 360º com a revelação dos bastidores do maior escândalo do esporte nas últimas décadas, quando se traz à tona os detalhes, por meio de um cientista russo desertor que parece ter saído de romance de George Orwell, o maior esquema de doping criado há anos pelo governo russo.

Com forte pegada investigativa, a trama é cheia de reviravoltas e prende atenção despectador pelo clima de suspense. Lembra o polêmico documentário canadense, “The Corporation”, flertar com o fantasma de Edward Snowden, o espião traidor norte-americano, e, mesmo com certo clima demódé de Guerra Fria, compromete a credibilidade das autoridades de um dos maiores países olímpicos, a Rússia de Vladimir Putin.

O documentário “Visages, Villages”, de Agnés Varda, é bonitinho e talvez franco favorito ao prêmio de Melhor Documentário, mas se isso acontecer será só por sentimento de culpa. “Icarus”, pela ousadia do tema e furo, é o mais revelador e merecedor da estatueta.Ícaro

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O Poderoso Chefinho

Poderoso Chefinho.jpgDas três animações que vi, dos cinco que concorrem ao Oscar 2018, “O Poderoso Chefinho” é o mais chato e pretensioso. Nada a ver com a sensibilidade tocante de “O Touro Ferdinando”, do brasileiro, Carlos Saldanha, que trás a história deste brutamonte, apaixonado por flores, ou a reflexão metafísica sobre a morte em “Viva – A Vida É uma Festa”, o meu favorito.

Do mesmo diretor de “Madagascar”, a história deste bebê executivo que chega para atazanar a vida do irmão mais velho – agora enciumado e inseguro no seu posto de filho predileto -, ao mesmo tempo que tenta armar um complô empresarial, até arranca boas gargalhadas, emociona pelo sentimentalismo previsível de cenas fofuchas, mas peca por não saber explorar de forma mais complexa e humana uma faixa-etária tão fascinante.

A Dama e o Vagabundo

A Dama e o vagabundoEla tinha um sorriso de anjo tão cativante. Acho que ela ainda tem um sorriso de anjo cativante… Mas só que agora embotado pela soberba e arrogância… De pé, no ombro do gigante, nariz empinado e postura de rainha, ela se sente acima do bem e do mal, a deusa do tudo e do nada, mais do nada do que do tudo e o triste é que nem se dá conta disso: “Eu tenho gente que faz isso pra mim”, delira.

Ele gostava de quando ela era do seu tamanho. Agora ela é “grande” e tudo parece tão estranho… Falso… Vazio… Mas acho que quando ela cair na real vai ser tarde demais, pelo menos entre os dois e isso o deixa tão desolado como um náufrago num mar de tristeza…  “A vida inteira que podia ter sido e que não foi”, Manuel Bandeira.

Lembrou-se do dia em que ela o alertou, bem ali, em frente ao portão da firma, sobre os perigos entre a realidade e a fantasia, ou seja, ele “estava vendo filme demais”… “Daí confunde as coisas”, alfinetou a tolinha, mal sabendo que a vida imita a arte, a arte imita a vida…

Que fantasia as pessoas acharem que são melhores do que as outras ludibriadas pelo teatro do poder, do sucesso, do dinheiro. Tudo tão efêmero e passageiro, tudo tão sem valor, diante das grandes perdas da vida. Daquilo que realmente gostamos… Quem é injusto e ingrato? “Cínico é aquele que sabe o preço de tudo e o valor de nada”, Oscar Wilde.

Quando ele mais precisei dela, ela lhe deu as costas, fingiu que ele fosse um “nobody”. Mas tudo bem. Ela é uma nota de US$ 100 dólares e ele um níquel furado. Ela é a Mulher Maravilha, ele um mujique de Tolstói. Ela é a princesa do coração de todos nós, ele um anão na terra de gigante. Ela é a dama, eu o vagabundo…

Amanhã, quando ele não estiver mais aqui, talvez ela se dê conta do tamanho da admiração e dedicação que ele tinha por ela. Mas será tarde demais, tudo não passará de uma sombra de equívoco e melancolia. Tomorrow Never Knows… Quem sabe um dia suas crianças a perdoem…

* Este texto foi escrito ao som de: Tigermilk (Belle & Sebastian – 1996)

Você… Um labirinto dentro de mim…

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“Socorro! Só você pode me salvar…Socorro! Sou um náufrago em alto-mar!”

…Sendo sincero? Isso tudo vai acabar bem mal,

Porque eu gosto de você e você acha tudo normal.

O lance de eu gostar de você, gostar muito de você,

E você só gostar de mim porque eu gosto de você…

 

Ei, hoje eu me sinto à deriva em alto-mar…

Um autêntico náufrago de cinema…

E você é meu bote salva-vidas,

Só você pode me salvar e isso não é cinema…

 

Mas as ondas estão te levando para outra direção,

Para bem longe do meu frágil e doente coração…

Tudo bem, eu queria desaparecer mesmo daqui!

Nem que fosse por um dia ou a vida toda… Sumir…

 

Acredite garota, para o bem ou para o mal,

Você é, para mim, sempre um motivo especial.

Uma espécie de enigmático universo paralelo

Cheio de canções pop com gosto de caramelo.

 

Enquanto isso, eu vou andando sozinhos pelas ruas…

Colecionando ouro e prata, perdido em vielas nuas!

Só para pagar pelo meu vício que é você, um sundae no fim,

Sou o Mr. Agonia, só há vazio e desespero aqui dentro de mim.

 

E você… Um labirinto dentro de mim

E você, meu gostoso tormento sem fim.

O câncer da solidão me corrói por dentro

O câncer de sua ausência é um triste tormento.

 

A nuca doí e o braço esquerdo dormente

Dentro de mim o desejo me faz ficar quente

Mas preciso embora pra te deixar respirar

Espero que eu sobreviva pra um dia te amar

 

Socorro! Só você pode me salvar…

Socorro ! Sou um náufrago em alto-mar…

* Exte texto foi escrito ao som de: Harry Styles (2017)

Harry

Tem uma baleia azul no meu aquário

 

Blue Whale
“Gostava de quando ela fazia querer ser uma pessoa melhor…”

Abri meu coração hoje, cara!

E ela fez uma investigação

Encontrou sonhos despedaçados

E uma alma em confusão

Eu era tão feliz quando eu acreditava nela

Eu era tão feliz quando ela estava por perto

Mas agora sou uma estatística em sua vida

Um grão de areia na imensidão do deserto

Ela inferniza minha vida com seu sex appeal

Vai embora e me deixa morrendo de desejo

Seu sadismo faz minhas gengivas sangrar

Minha boca maldita é sedenta de seu beijo

Não confie em ninguém, meu chapa!

Nem mesmo em sua sombra cambaleante,

Porque um dia ela irá te abandonar,

Na escuridão profunda da noite vacilante…

Agora meu dente dói, meu estômago queima,

Ando escondendo onde a luz não ilumina mais

E eu só queria ter a confiança insana de um rei

Talvez a coragem sincera de um suicida loquaz

Não passo de um covarde social

Tudo se resume a ego e cifrão

Ando cavando minha própria cova

Com a ajuda dos hipócritas de plantão

Quero ser John Malkovich

Quero apenas ser eu mesmo

Quero apenas tentar sobreviver

Nem que seja nesse fétido esmo

Mas quem poderá me salvar?

O Mickey Mouse não é meu amigo

Jesus Cristo não é estrela no meu céu

Então minha vida corre perigo

Não olhe agora, brother

Mas tem uma baleia azul no meu aquário

E ela é bem grande, selvagem e real,

Ela me faz navegar me sentindo otário

Gostava de quando ela me fazia

Querer ser uma pessoa melhor

Gostava de quando ela me fazia

Querer sentir uma pessoa melhor…

* Este texto foi escrito ao som de: Ágætis byrjun (Sigur Rós – 1999)

Sigur Rós

Lindos Pés Virados Para O Mar…

pes

“…E lá longe, a perder de vista, bailando no infinito do horizonte, a doce lembrança de um sorriso mágico ladeado por pintas de pecado…”

Lindos pés angelicais virados para o mar, perdido em praias de enigma, praias que não tenho a mínima ideia de onde fica e, de repente, num passe de desespero, há uma avalanche de desejo deslizando, intensa dentro de mim, pelo meu estômago, pelas minhas entranhas, pela minha pele febril, meus delirantes e dormentes sentidos cheios de excitação…

Acho que beijaria cada centímetro do corpo perfeito dela, mas descansaria dois ou três dias, só pra morder o dia inteiro seus dedos dos pés, ou quem sabe os pés inteiros ou o desenho malicioso de seu joelho, solar como uma tela de Gauguin, sinuoso como as curvas das nuvens do céu dos mares do Sul…

…E lá longe, a perder de vista, bailando no infinito do horizonte, a doce lembrança de um sorriso mágico ladeado por pintas de pecado… Não olhe agora, meu chapa, mas acho que, por amor ou talvez desejo, eu perdi o juízo…

…Só queria saber qual era a cor do beijo dela, se azul pecado ou vermelho sonho. Talvez a intensidade de sua respiração dançando em meu pescoço carente de sua presença me fizesse sentir algum tipo de vida, mas sua presença preciosa é sempre roubada pelo vazio de “oráculos” inócuos ou pela mediocridade dos tolos e seu falso charme de príncipes do nada…

E assim, do nada, vejo-me perdido num cenário das 1001 Uma Noites, onde minha imaginação idealiza o quarto de Sherazade completamente tomado de essência de sãndalo, , misturado com o perfume do seu corpo… Momentos proustianos, no melhor estilo “La La Land”…

Nada mais mágico do que o rito de passagem da aurora ou crepúsculo, as duas melhores horas do dia, a madrugada invadida pelo Sol, o fim da tarde tomado pelo manto da noite…

Quem sabe logo mais, perdido nos devaneios da minha solidão, eu posso grafar a história de sua vida em minha alma moribunda…

* Este texto foi escrito ao som de: Happy Sad (Tim Buckley – 1969)

tim

Sozinho e Perdido…

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“Sozinho e perdido/Num labirinto/Encarando o Minotauro/Lutando pela vida…”.

Sozinho e perdido

Num labirinto sem saída

Encarando o Minotauro

Lutando pela vida…

Sozinho e perdido

Sem lugar pra chegar

Mas afinal, pra onde ir,

Sem ânimo pra tentar?

Sem força pra tentar…

De cinema em cinema

De bar em bar

Aonde isso vai dar?

Sozinho e perdido

Sem pertencer a tribos

Na arena da vida

Lutando com inimigos

Sozinho e perdido

Delírios no nono andar

Se eu tivesse asas, baby,

Talvez pudesse me salvar

Se eu pudesse me salvar

De cinema em cinema

Ficção e realidade

Mentira e verdade

Eles têm o poder

E sabem lutar

Onde estão minhas armas

Onde estão minhas armas

No cinema ou no bar?

No cinema e no bar…

capital

Teorema (1968)

teorema

No filme, o estranho Terence Stamp é um jovem que invade a rotina de uma família burguesa de Milão, deixando marcas indeléveis na moral de cada um

Homossexual com convicções marxistas-cristãs, Pier Paolo Pasolini foi um dos nomes mais polêmicos do cinema dos anos 60 e 70.  Autor do roteiro de Noites de Cabíria (1957), de Federico Fellini, estreou na direção com Acattone (1961). Rodado no final dos anos 60 a partir de livro homônimo de sua autoria, Teorema acirra o discurso do artista sobre a luta de classes e birra contra o capitalismo numa narrativa alegórica triste e soturna. O filme já começa tenso.

“Essa novidade trata-se de um fato isolado ou será uma tendência do mundo moderno?”, provoca um repórter, nas cenas iniciais da fita, quando um grande empresário de Milão doa sua fábrica para os operários.

O que se vê na sequência é o desmantelamento da família quando um estranho forasteiro (Terence Stamp) passa a fazer parte desse lar pequeno-burguês não apenas na condição econômica, mas também ideológica. O empresário desiludido, a esposa solitária, os filhos oprimidos pela visão capitalista, enfim, até a empregada meio perdida nesse ambiente tão distante de sua realidade são corrompidos por essa figura misteriosa e seus jogos libidinosos.

A narrativa seca e sem mise-en-scène oferecida por Pasolini não nos permite entender se o jovem rapaz era um empregado da fábrica ou uma alma solitária arrebatada pelas ruas de Milão em busca de uma aventura a mais. O que se percebe, nas entrelinhas, é que a nuance freudiana que perpassa a vida dos personagens aqui entra em choque com a análise política feita pelo cineasta na época.

Como acontecia com todos os filmes de Pasolini, essa visão pessimista da sociedade italiana sintetizada a partir de uma família abastada, mas caótica, chocou os hipócritas de plantão. Sobretudo a igreja. Algumas cenas do filme são incômodas nesse sentido, como aquela em que uma elegante Silvana Mangano saí pelas ruas à cata daquilo que não encontra em casa. Sem falar da censura aos mitos, políticos e religiosas, ironizada na cena da empregada santa.

* Este texto foi escrito ao som de: Listen without Prejudice (George Michael – 1990)

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A Mentira – Nelson Rodrigues

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“Toda família tem um momento que começa a apodrecer. Pode ser a família mais decente, mais digna do mundo”, filosofa o autor de “A Vida Como Ela É…”.

Foi a mais rodrigueanas das minhas musas quem me deu a dica, ou seja, me fez lembrar que na minha estante mágica eu tinha esse romance de um dos meus autores preferidos, há tempos ali hibernando. Tanto tempo que nem lembrava mais. Lançado em folhetim em 1953, trata-se do primeiro romance que assina com seu nome, sem a maquiagem dos pseudônimos, e estrou a Coleção Baú do Nelson Rodrigues, lançado pela CIA das Letras nos anos 2000.

O texto é de uma fúria impactante, com seus diálogos ousados e frases suicidas geniais. Isso porque, com ama ingenuidade de kamikaze, Nelson Rodrigues quebrava tabus revelando as histórias e os desenlances das subtramas dessas histórias de uma família classe média carioca padrão que era e continua sendo o espelho de qualquer família suburbana.

“Toda família tem um momento que começa a apodrecer. Pode ser a família mais decente, mais digna do mundo”, sentenciou certa vez, no alto do seu cinismo. “A família é o inferno de todos nós”, arrematava meio que pisoteando em cima do cadáver.

Desse modo, na família de Dr. Maciel ninguém presta, ninguém é moralmente decente. A começar por ele, o chefe da família que, de “Doutor”, só tinha mesmo esse título, mais falso do que Jesus Cristo de cinema. Depois de levar a caçula ao médico, vem o susto: “Sua filha vai ser mãe”, diz o médico, depois de lamentar os catorze anos da guria.

Pronto. É a deixa para Nelson Rodrigues mergulhar num enredo onde, como o título denuncia, a mentira surge como personagem impiedoso, sempre circundado pelo fantasma do pecado, da culpa e da lascívia. Lolita em sua pureza diabólica, Lúcia nega em dizer quem foi o autor do “crime”. Possesso, Dr. Maciel sobe pelas paredes, baba na gravata e inferniza a vida da esposa, para ele uma lesma, das filhas e genros, um bando de pusilânimes.

No imaginário criado pelo autor, todos são culpados e criminosos até que prove o contrário. O que não deixa de ser verdade na vida real. Só que na vida real somos protegidos pela hipocrisia do cotidiano, o cinismo de uma verdade mentirosa. Aqui, possuído por uma teatralidade ululante e arquitetura dramática precisa, Nelson Rodrigues cria climas e suspenses cinematográficos caóticos, dominando com maestria a psicologia dos dramas da alma humana.

A moral da história vem envolvida numa áurea de farsa da vida privada, onde nada é o que aparente ser, sobretudo as pessoas. E como todo gênio que se presa, o autor tem pleno domínio de seu universo, a ponto de se repetir, no bom sentido, no que diz respeito a situações e os personagens impagáveis.

Alguém certa vez disse que Nelson Rodrigues era o nosso Dostoievski. Para mim Nelson Rodrigues é melhor do que Nelson Rodrigues.

Este texto foi escrito ao som de: Alucinação (Belchior – 1976)

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Depois da Tempestade (2016)

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No novo filme de Kore-Eda, um escritor em crise luta para se afirmar profissionalmente e reconstruir os laços familiares

Não sei por que, mas todas às vezes que vou ver um filme japonês que não seja os clássicos – ou seja, Kurosawa ou Ozu, que conheço pouco, por sinal -, eu entro na sessão com a impressão de que vai ser uma merda e o efeito final é o contrário. Foi o que aconteceu, por exemplo, com drama Depois da Tempestade, o mais novo trabalho do cineasta, Hirokazu Kore-Eda, em cartaz no Libert Mall.

A simplicidade da trama beira ao neorrealismo italiano. É a história de Ryota (Abe Hiroshi), um escritor que ainda não decolou, apesar de um livro publicado. Desiludido, ele também está em busca de reconhecimento como homem de família respeitado perante a mãe, a irmã, que ele odeia, a ex-esposa e o filho. Para piorar a situação, ele tem problemas em honra compromissos como pensão do filho e, como se não bastasse, é viciado em jogo.

Enquanto a fama não vem, o jeito é ganhar a vida frilando como dublê de detetive. Aliás, uma aventura que ele desenrola melhor do que escrevendo. Essas ações cotidianas de um homem aparentemente fracassado são ritmadas com a graça e o realismo dos dramas minimalistas dos conflitos domésticos. Bobagens corriqueiras como a falta de grana, implicâncias infantis pessoais com a irmã e a mãe, enfim, ciúmes de um amor que não existe mais.

“Desculpe por ser um filho fracassado”, lamenta o filho Ryota à mãe, uma personagem espirituosa e cheia de sabedoria vivida pela ótima Kirin Kiki.

Tal qual o cinema introspectivo do mestre Yasujiro Ozu, Depois da Tempestade é um conto singelo e sincero sobre o sentimento de familiaridade, da importância de ser feliz com aqueles com quem podemos de fato confiar, nossos parentes. Quem estará nos esperando de braços abertos mesmo depois de uma forte e inesperada tempestade.

* Este texto foi escrito ao som de: Come A Time (Neil Young – 1978)

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