As Confissões (2015)

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No filme falando em inglês, francês e italiano, o ótimo ator Toni Servillo é um monge acusado deu crime na alta cúpula da sociedade política econômica

Tem filme novo do ator italiano Toni Servillo na praça. Trata-se do divertido drama de suspense, “As Confissões”, de Roberto Andò. Na trama, ele é Roberto Saulus, um monge italiano, inexplicavelmente, convidado para participar de uma reunião com a cúpula do G8 na Alemanha. Na pauta, a crise financeira global.

Mas ele não é o único estranho no ninho nesse encontro de homens e mulheres poderosos que têm o controle de decidir os rumos da humanidade com uma simples canetada. Integram o grupo uma estrela do rock e uma escritora de livros infantis, ambos levemente inspirados no cantor, Bono Vox e na escritora, J. K. Rowling, autora da saga Harry Potter. A ideia é que, com esses convidados ilustres, humanize um evento tão sisudo aos olhos do mundo.

Mas, de repente, todos os olhos se voltam para o religioso discreto. Tudo porque, após um encontro as portas fechadas com o presidente do Banco Mundial, Daniel Roché (Daniel Auteuil), o líder financeiro aparece morto. Assassinato? Suicídio? Que confissão ele teria feito ao monge? Que mistério ronda um encontro tão badalado do ponto de vista financeiro que poderá afetar diretamente a humanidade? Será o religioso um criminoso?

A primeira impressão que se tem é que o espectador está diante de um enredo de Sherlock Holmes. “Saulus. Roberto Saulus”, se apresenta o personagem central dessa trama, numa clara referência a um dos detetives mais famosos da literatura universal. Lembra Sean Connery em O Nome da Rosa. Mas, assim como tudo nessa reunião de estrelas da política econômica mundial, tudo é uma farsa.

“Às vezes, ser uma minoria, é um privilégio”, ensina o religioso, esbanjando sabedoria e humildade. “As únicas riquezas que tenho são minha batina, minhas sandálias e o silêncio”, ironiza Saulus.

Falado em inglês, francês e italiano, As Confissões é uma fábula moderna sobre poder, ganância e, sobretudo, a fragilidade humana. Assim como em A Grande Beleza (2013), de Paolo Sorrentino, coloca em evidência mais uma vez o talento do ator italiano Toni Servillo. A cena final dele abandonando esse hotel luxuoso vazio de esperanças, é digna de um Dr. Lao. Ou seja, discreta e, exuberantemente, exemplar. Se é que me entendem.

* Este texto foi escrito ao som de: Everybody’s In Show-Biz (The kinks – 1972)

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