As relações humanas e Leonard Cohen…

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“Quando eu quero saber o que pensa os meus sentimentos ouço uma canção barroca do bardo canadense, um dos maiores poetas do rock”

Ah, as tais relações humanas… Como é difícil administrar desejos, emoções e sentimentos, ainda mais que tudo hoje em dia se resume a vaidade e dinheiro. Ou sempre foi assim e eu que não sabia? Essa ingenuidade infantil minha ainda vai me colocar em maus lençóis, me deixar numa roubada… Bem, e vaidade para mim não é ser relevante o suficiente para atrair a admiração do maior número de pessoas possíveis, mas apenas ser importante para a pessoa que você admira…

…Então, ainda bem que no final deu tudo certo. Eu acho. Pelo menos por algum tempo, um breve espaço de tempo. Agora, aqui, dentro de mim, tudo está mais leve, sereno e tranquilo. Aquela tempestade cheia de som e fúria que me fazia perde a razão, o sentindo e o bom senso não me atormenta mais, adeus demônio insano da minha alma melancólica. A noite insone e lenta me cai agora como um sopro acalentador de ternura e sonhos de paz… Good night…

E tudo só porque ouvi a voz de anjo da guarda dela num fim de tarde angustiante em meio à beleza bucólica e sufocante do Catetinho. Só porque senti uma energia do bem emanando no ar enquanto ouvia sua doce retórica de acalanto deslizando pelos meus ouvido calejados de bobagens cotidiana…

Enquanto isso, a voz arrastada do menestrel Leonard Cohen me guiava solenemente. “Senhorita viajante, fique um pouco mais até a noite findar/Eu sou apenas uma estação pelo seu caminho/Eu sei que não sou seu amante…”, cantava o bardo canadense, norteando minha mente depressivamente sem rumo. “Eu sei que não sou seu amante”, era a frase que insistia ecoar em minha mente depressivamente desnorteada…

Todas as vezes que me sinto deprimido, assisto aos filmes do Woody Allen da fase Bergman, que são, deliciosamente, densos e cinzas. Ok, eu sei que fico mais deprimido ainda, mas é uma depressão gostosa, se é que me entende, porque me traz um momento de reflexão… Se é que me entende…

Bem, quando quero saber o que pensa os meus sentimentos, ouço poetas como o Leonard Cohen, que foi um dos maiores letristas do rock. Que escrevia poesias sentimentais existenciais amorosas como poucos. Que falava sobre os desvarios da alma e do coração com uma verdade sentimental sui generis… “Me leve até a esquina/Nossos passos sempre rimarão/Você sabe que o meu amor vai com você/Enquanto seu amor fica comigo”, canta o bardo canadense em Hey, That’s No Way To Say Goodbye, sua primeira canção que ouvi, long time ago, na voz do Renato Russo.

…Sou um rapaz sensível. Do tipo que deixa verter uma gota de lágrima só de ver uma folha bailando no ar no vento febril de outono. Ou se emocionar ao tropeçar com uma pedra solitária em forma de coração numa calçada da vida. Muito dessa sensibilidade tem a ver com a energia sentimental das canções barrocas de Leonard Cohen. Ou simplesmente por conta da voz mágica de anjo da garota que, alegremente, inferniza meu coração delirante… Tudo isso é distante, abstrato e um tanto quanto confuso, mas, paradoxalmente, confortante…

* Este texto foi escrito ao som de: Leonard Cohen (1967)

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