Geração em Transe – Luiz Carlos Maciel

a-cruz-na-praca

O autor do livro, nos anos 50, na Bahia, sendo assediado durante as filmagens do segundo curta-metragem de Glauber Rocha

O magnetismo da figura do cineasta Glauber Rocha é algo contagiante. As ideais revolucionárias, o jeito passional com que ele lidava com as questões políticas e sociais do confuso Brasil do seu tempo, enfim, a convulsiva entrega à arte de fazer cinema. Todos esses elementos fizeram com que me apaixonasse de imediato pelo artista vulcânico e homem político que ele foi. Agora imagina para quem o conheceu e conviveu com ele?

O gaúcho Luiz Carlos Maciel foi um deles. Escritor, jornalista, diretor de teatro, roteirista de cinema e televisão e professor de filosofia, ele conta como foi essa experiência indelével no livro Geração em Transe – Memórias do Tempo do Tropicalismo, que desenterrei de minha estante mágica outro dia. Sou assim, quando fico deprimido me deixo perder em meus livros e quarto cheio de música e filmes.

A minha edição desse livro publicado em 1996 comprei num sebo do Rio de Janeiro e não sei por que levei tanto tempo para lê-lo. Como o subtítulo enfatiza, o autor correlaciona o surgimento do tropicalismo e sua importância cultural e política nos anos 60, a partir da explosão criativa de uma tríade infernal: o cineasta Glauber Rocha, o diretor de teatro José Celso Martinez e o cantor e compositor Caetano Veloso.

Geração em Transe penetra no universo desmistificador e dessacralizante da tropicália, mostrando-o para nós através de pequenos acontecimentos, notícias e discussões paralelas”, escreve Maciel na apresentação do livro.

A primeira parte da obra é dedicada ao cineasta baiano, que o autor conheceu quando foi fazer teatro em Salvador, nos anos 50. As histórias são cheias de revelações preciosas sobre o surgimento do Cinema Novo. Maciel, por exemplo, foi um dos atores do curta, A Cruz na Praça, no qual ele é alvo de flerte homossexual. À revelia do tema polêmico, o filme era mais um exercício de linguagem bem glauberiano a partir da caligrafia da câmera.

No livro Maciel revela que a carreira de escritor de João Ubaldo Ribeiro foi incentivada por Glauber Rocha e como o sucesso de público e crítica foi primordial para a construção de uma nova cultura ideológico no Brasil pré-Golpe de 64. Um pensamento cristalizado com o surgimento do filme Terra em Transe, seu trabalho mais perene. “Pode-se dizer que Terra em Transe foi a pedra fundamental para o movimento da tropicália, criando uma imagem metafórica, estilizada do país”, avalia o autor.

* Este texto foi escrito ao som de: The Madcap Laughs (Syd Barrett – 1970)

madcaps-laughs

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s