O Samurai da Federal e a Musa Sublime

hepster

Quando eu também desviei o foto da notícia e esqueci completamente do lenhador da Federal só para anestesiar meu coração…

Foi Guy Debord quem escreveu sobre a sociedade do Espetáculo. Acho que ele não aguentou tamanha mediocridade sobre o assunto circulando ao seu redor e se suicidou. Mas o “suicídio é o único problema filosófico realmente sério”, escreveu o existencialista Albert Camus. De modo que, falando sobre existência, eis o grande mal do nosso tempo: a exposição gratuita, barata e rasteira.

Hoje, qualquer um, mas qualquer um mesmo, um idiota qualquer, vira celebridade do dia para noite. Na manhã seguinte todo mundo já esqueceu quem era essa nova tendência do momento, mas tudo bem, eis o preço a pagar pelo efêmero gozo do sucesso. Ainda bem que meu plano de vida é me manter invisível ad eternum

Mas pegamos o exemplo esse Hipster da Federal que parece mais um personagem de filme do Kurosawa. Eis que ele surge escoltando o mestre dos malas, Eduardo Cunha, e bimba, vira estrela. De repente, o foco da notícia muda e o protagonista é ofuscado pelo personagem coadjuvante que insisto, parece ter saído de uma cena de Rashomon (1950) ou Os Sete Samurais (1954). Logo, o banal é destaque e o importante banalizado. “Cunha preso, e daí?!”.

Ontem vi uma entrevista com o sujeito e também mudei o foco do meu interesse. Não dei a mínima atenção para o cara, nem uma pelota sequer. Fiquei mais deslumbrado mesmo foi com quem fez a entrevista, minha eterna musa etérea de sorriso mágico que mais uma vez caiu de paraquedas em meu coração como se fosse um anjo da Renascença. Dentro de seu vestido Beach Boys Wild Honey ela era só doces sonhos selvagens bailando diante dos meus olhos.

Bem, agora todo mundo vai deixar a barba crescer e andar de coque por aí só pra parecer um lenhador nórdico, enfim, pegando carona nessa onda de cinismo e exposição que a mídia criou. Eu que não tenho cabelo, fico aqui petrificado na solidão inebriante dessa paixão que me consome dia e noite… Dizem que amor platônico mata, é fatal, pois é desse mal que quero morrer todos os dias…

* Este texto foi escrito ao som de: Wild Honey (Beach Boys – 1969)

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