O Mestre dos Gênios (2016)

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No filme o charmoso ator inglês Colin Firth é o grande editor por trás de importantes escritores do início do século 20

Pensei que o filme era sobre Tom Wolfe, um dos fundadores do new Journalism. Nada a ver. O personagem em questão é Thomas Wolfe (1900 – 1938), romancista norte-americano do início do século 20, um dos pioneiros em misturar escrita poética e impressionista com elementos autobiográficos. Seu estilo influenciaria mais tarde, veja só, nomes como o gigante William Faulkner e os escritores da beat generation.

Mas O Mestre dos Gênios não fala sobre nada disso. Mostra a relação entre um escritor em começo de carreira e seu editor. No caso o norte-americano Max Perkins (Colin Firth) e Thomas Wolfe (Jude Law). E não apenas isso. Também fala da paixão sobre livros, do árduo, mas prazeroso exercício que é escrever, a magia das palavras. Tudo nas entrelinhas, às vezes subtendido, às vezes não. Fala também sobre o conflito interior que é parir uma obra de arte. No caso aqui um romance.

Uma das figuras lendárias do mercado editorial norte-americano à frente da editora Scribners, Max Perkins ficou famoso por descobrir e editar os trabalhos de lendas da literatura estadunidense como F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway e… Thomas Wolfe. Um autor original, mas rebelde, que escrevia mais do que devia, enquanto que o poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade nos ensinou, entre outras coisas que, “escrever é cortar palavras”.

O papel de Max Perkins, com sua presença precisa e discreta, era lapidar esses talentos brutos, driblando o ego e vaidade de cada um, senha arranhar o estilo da escrita original. “O meu trabalho é fazer a sua obra algo atraente para o público”, ensina ao afobado Thomas Wolfe.

Mas é dessa premissa que paira uma dúvida deixada no ar pelo cineasta estreante Michael Grandage. Afinal, a interferência de Max Perkins ajudava ou interferia no estilo de cada escritor? Ou mais ainda. Seria ele o grande escritor por trás de nomes consagrados da literatura do início do século 20?

Diretor de teatro respeitado, Grandage intercala essa estreita relação entre editor e escritor – que o verdadeiro tema do filme e não a vida e obra de Thomas Wolfe – com os conflitos pessoais desses dois personagens centrais de O Mestre dos Mestres. É quando entra em cena a diva Nicole Kidman, na pele da possessiva e ciumenta designer, Aline Bernstein, mulher de Tom Wolfe. A quem diga que o filme aborda o tema proposto de forma rasa. Bobagem. Norteado por atuações poderosas, e roteiro sensível, dentro do recorte que propôs contar.

* Este texto foi escrito ao som de: Bend Sinister (The Fall – 1986)

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