Meu Rei (2015)

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O francês Vincent Cassel em cena desse drama visceral sobre relação afetiva. Para quem acha que casamento é um passeio na Disney…

Depois que você sai da sessão do drama francês “Meu Rei”, a certeza que tem é que, entrar numa relação afetivo-amorosa, digamos, séria, é um tanto quanto uma roubada, um tiro no escuro, algo suicida. Ou seja, casamento, por exemplo, é uma furada formidável. Uma bobagem ululante irreversível que, quando vemos, já estamos metidos. Vejamos…

…Georgio (Vincent Cassel, um sundae em cena) é um “adolescente crescido quase 50nquentão” egoísta e narcisista de pirulito na boca que manipula os sentimentos das pessoas – sobretudo o das mulheres -, com seu charme irresistível manipulador. Tony (Emmanuelle Bercot) é uma mulher com nome de homem que cai nos seus encantos e a história do filme é essa visceral relação entre os dois num casamento de uma década que parece ter mais…

“Não nos conhecemos de verdade”, lamenta a esposa, depois de saber que ele é infiel e um junk que perdeu o controle. “Sou o marido que não falha, segura as pontas”, diz ele, tentando justificar sua fraqueza.

Tudo, evidentemente, começa como um conto de fadas, ele é o macho irresistível e imprevisível que fascina e surpreende. Ela a femme que se deslumbra e se deixa levar pelo o que ela acha que é “novidade”. “Posso deixar meu celular com você?”, pergunta ele, esbanjando charme irresistível, jogando seu fone para ela como se estivesse numa propaganda.

Drama dilacerante com narrativa construída dentro de duas tramas paralelas – às vezes excessivamente piegas e sufocante -, “Meu Rei” até pega o espectador de surpresa. Apresenta aqui e ali, as agruras sufocantes de uma relação sentimental conturbada, deixando transparecer, nas entrelinhas, questões como individualismo, ausência, irresponsabilidade, vício  de personagens fragilizados.

“Não sou alguém que você conheceu na biblioteca”, reclama ele, talvez sufocado por velado complexo de inferioridade diante da experiência acadêmica dela. “O problema não sou eu e você, mas vivermos juntos”, reflete a protagonista da fita, lúcida diante do caos dessa relação.

Sexo selvagem na cozinha de um restaurante, diálogos insólitos sobre vagina, um Louis Garrell coadjuvante quase roubando a cena com seu personagem cáustico… Enfim, surpreendente essa diretora com nome de artista nórdico: Maïwenn.

Depois do filme, não sei se terei pique pra encarar as pseudo relações afetivas que ando enfrentando… Algumas experiências culturais atrapalham mais do que ajudam… Bem, não sei se me fiz entender…

* Este texto foi escrito ao som de: Candleland (Ian McClloch – 1989)

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