Rifle (2016)

Sendo bem sincero. Já está chato o bordão “Fora, Temer!” proferido como se fosse água de torneira no Festival de Brasília deste ano. Em poucas palavras, gratuito, oportunista e infantil. Dito isso, vamos ao que interessa.

Segundo longa do gaúcho David Pretto, “Rifle” abriu ontem a Mostra Competitiva do 49º Festival de Brasília narrando o conflito entre pequenos fazendeiros e a indústria do agronegócio no Rio Grande Sul. A pegada do drama é realista, construída por elipses narrativas que pode incomodar o espectador preguiçoso. Dione, um jovem recatado está no olho desse furacão que retrata a realidade de um Brasil rural que caminha para a modernização.

A propriedade de sua família é uma pedra no meio do caminho dos poderosos homens do negócio rural da região e ele vai defender suas raízes com unhas e dentes, um rifle na mão. Justiceiro à moda antiga, faz justiça com as próprias mãos.

Claro, há muita referência aos faroestes hollywoodianos na construção dos personagens e enquadramento da câmera sobre cenário desolado e vazio, mas o desenvolvimento do tema social brasileiro respalda em filmes como “Baixio das bestas” e porque não “Aquarius”. Cada um, dentro de sua abordagem temática, revela um Brasil dos injustiçados sufocado pelo o que o cineasta Glauber Rocha chamava de opressão do sistema.

Os curtas da noite

 Ótimo Amarelo (BA) – Curta-metragem baiano dirigido por Marcus Curvelo, Ótimo Amarelo é uma reflexão triste e pessimista sobre as marcas da memória tendo como protagonista um personagem que volta do exílio em busca de suas raízes em Salvador. O passado, por mais nostálgico que seja, lhe bafeja na cara cheio de momentos melancólicos como a rápida passagem do ídolo Bebeto pelo futebol baiano, a volta do clã ACM ao poder e farras com amigo. O estilo contido da narrativa do filme não agradou o público.

Quando Os Dias São Eternos (SP) – Já animação paulista Quando os Dias Eram Eternos, único filme do gênero a participar da competição, recorre à filosofia japonesa para contar a história de regresso de um filho para os braços da mãe que está morrendo de câncer. A direção do brasiliense Marcus Vinicius Vasconcelos, radicado há anos em São Paulo, mescla uma montagem lírica com traços sombrios.

* Este texto foi escrito ao som de: Fuzzy Logic (Super Funny Animals – 1996)

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