A morte de Domingos Montagner, o pau do Zulu e as chorumes do Duduvier…

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Um ator de talento e magnetismo único que foi embora cedo demais, às vezes a vida é cinicamente impiedosa…

Que conste nos laudos: Não aguento mais ouvir falar sobre a morte do ator Domingos Montagner. Mas fazer o quê se essa semana foi foda mesmo, tensa e intensa com esse episódio triste, além de bobagens como o pau do Zulu e os chorumes do coração do Gregório Duduvier. Punk, meu chapa, punk! De modo que vai aqui o meu desabafo.

Muito triste, claro, um artista jovem morrer assim, de maneira banal no esplendor da carreira, mas a vida é cinicamente inesperada ou alguém aí ainda não percebeu isso? Gozado que pouco tempo atrás tinha assistido uma entrevista dele no Canal Brasil falando do desafio de viver um vilão no filme “Vidas Partidas” – o folhetim de Marcos Schechtman sobre violência doméstica -, além de suas lembranças dos tempos de palhaço antes de virar ator global.

Um grande ator com certeza, dos raros que valorizava mais o trabalho do que o glamour da vida artística. Bastava vê-lo em cena. Tanto que Montagner começou a fazer cinema e televisão tarde, quase 50quentão. Isso mesmo 50quentão e me lembro dele, entre outras coisas, numa rápida participação no filme, Gonzaga – De Pai para Filho, cinebiografia sobre o rei do baião. Tinha talento e magnetismo de sobra o cara, talento e magnetismo que o Velho Chico levou embora, assim, num estalar de dedos, num piscar de olhos.

É, que fique a lição. Não se deve jamais dar as costas, zombar da força da natureza, há muita mística e mistérios nela que nós, seres humanos ignorantes e arrogantes, não conseguimos entender. É algo transcendente, sabe.

Não sei se há transcendência ou mesmo glamour no pinto molenga do modelo Paulo Zulu perambulando pelas redes sociais como um dos assuntos mais badalados da semana. Ok, sabemos que não foi culpa dele, tadinho, que a imagem vazou, mas convenhamos. Que tipo de bobaca fica fazendo nude em frente do espelho como se tivesse peteando o pentelho?

Tenho o ego bem menor do que o meu pau, ou seja, a vaidade, autoestima e grau de exibicionismo abaixo da média, portanto, sem a menor chance de cometer bobagens infantis como essas. Não sou do tipo “oráculos patéticos” que fica mandando nudes gratuitamente por aí só para se sentir a grande sensação do momento entre amigos. Tenho mais o que fazer e, de mais a mais, há várias maneiras de se mostrar sem parecer ridículo. Meu tipo de vaidade é outro. Às vezes -, quer dizer +.

Desculpe o transtorno, mas preciso falar sobre o Duduvier também. Quando comecei a ler a crônica dele na Folha aquele dia, na boa, achei que fosse sobre a Clarice Lispector. Nem sonhava que era a Falcão da Adriana e do João. Quando descobrir do que se tratava, me decepcionei. Ainda mais quando se viu que havia uma puta de uma jogada de marketing por trás de tudo. Sentimos afetivos, ainda mais de ordem amorosa, é algo bastante valioso para ser negligenciado ou banalizado num texto bonitinho viral. Tem que ser tratado com transcendência.

Não sou budista nem algo do tipo, mas acho que o que falta para muita gente nesse mundo globalizado e virtual é um pouco de transcendência… Só isso…

* Este texto foi escrito ao som de: Moseley Shoals (Ocean Colour Scene – 1996)

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