Triste por dentro… Morrendo aos poucos…

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“Às vezes, a melhor forma de de viver é não existir, tentando desenvolver um estilo de vida que não necessite da minha existência”

Ele a adora e ela nem se dá conta da importância que isso tem para ele. Nem se esforça. Uma indiferença esnobe que o deixa doente e desnorteado, a ponto de estar o tempo todo triste por dentro, morrendo aos poucos, como se tivesse com um câncer na alma, alma que poderia ser vendida ao diabo, só pra conseguir um pouco de atenção dela… É isso, Fausto de Goethe! Minha alma pela atenção dela… Será que funciona?

Não sei… Baixa autoestima? Mimado? Dramático? E aquela canção do Coldplay que não lhe sai da cabeça: “Everything’s Not Lost”. “Um demônio para cada dia…”, canta Chris Martin. Deus é uma mentira vagabunda, já dizia Nietzsche, não com essas palavras… Mas já dizia Nietzsche…

…De repente, ela surge no meio da festa com seu sorriso de anjo e encanto pessoal que contagia e irradia o lugar. Todos querem falar com ela, tocar, sentir sua presença divina em meio à balbúrdia da alegria que contagia o grupo… De longe, ele a mira com dedicação feérica, desejo latente pulsando no peito, no sexo, nas entranhas de sua existência…

…Ela é perfeita nos mínimos detalhes com suas coxas bem torneadas, barriguinha deliciosa e saliente saltando sutilmente para fora da camisa vermelha ofuscante, sorriso de fada estampado no rosto. No meio da escuridão do espaço agitado, ele tenta vislumbrar o desenho delicado de suas narinas em forma de pera, o risco perfeito de sua boca desenhado por dentro. A vontade que tem é de beijar cada centímetro de seu corpo perfeito delineado em curvas angelicais… Mas ficou feliz só de vê-la pulando alegre, faceira, como se fosse uma criança radiante depois de tudo que ela passou… Foi embora para casa feliz com a felicidade dela…

…Mas triste por dentro… Morrendo aos poucos… Solitário como um lobo da estepe, vazio e frio por dentro como uma Sibéria russa, amargando lentamente a crise de sua existência, cheio de culpa e medo, sem vontade de seguir adiante, desenvolvendo um estilo de vida que não necessite de sua existência. A vida sem ela é entediante e monótona… Ele não queria estar em lugar nenhum… Às vezes, a melhor forma de viver é não existir…

* Este texto foi escrito ao som de: The Stone Roses (1989)

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“Às vezes, a melhor forma de de viver é não existir, tentando desenvolver um estilo de vida que não necessite da minha existência”

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