49 Contos de Tennessee Williams

Tennessee Williams

Olhar perturbador e imoral que o dramaturgo e escritor norte-americano traçava do ser humano lembra Nelson Rodrigues

O dramaturgo norte-americano Tennessee Williams está para a literatura teatral da América o que foi o Nelson Rodrigues para os palcos brasileiros. Cínico, cruel, direto e incômodo, ele trazia à tona o que o ser humano tem de mais deprimente e imoral. Se você, assim como eu, nunca leu um de seus textos dramáticos, não tem problema, basta ver as adaptações para o cinema tão intensas e verdadeiras que realizaram. Gata em Teto de Zinco Quente é um deles.

Gostei tanto de rever o filme outro dia estrelado pela bela Liz Taylor e Paul Newman, que saquei de minha estante mágica um livro já antigo guardado ali. São 49 contos escritos pelo dramaturgo e escritor, alguns inéditos e publicados no Brasil pelo projeto, Contos Completos da Companhia das Letras.

O texto e o universo bem particular de Tennessee Williams já se faziam notar longo na tenra juventude. Na introdução do livro de quase 700 páginas, o jornalista Gore Vidal explica que o primeiro escrito publicado por Tennessee William foi quando ele tinha 17 anos, o último o inverso desses números, ou seja, 71.

“Todas as coisas que lhe sucederam, reais ou imaginárias, estão aqui. Exceção feita a uma ou outra incursão pelo reino do fantástico, ele permanece próximo da vida tal qual experimentou ou imaginou”, escreve Vidal. “Estes contos são as verdadeiras memórias de Tennessee Williams”, observa.

Um dos contos brindes dessa coletânea é uma espécie de autobiografia tardia sobre sua conturbada relação com a família. No conto O Homem da Poltrona Estofada o clima é amargo. “Sua cor original era azul, um azul que não tinha nada de especial, como se ela houvesse absorvido em seu tecido e estofo todos os pesares e ansiedades de nossa vida familiar, como se tais emoções houvessem se tornado seu próprio estofo e pigmentação”, compara.

Em Alguma Coisa de Tolstói Tennessee William traça um perturbador ensaio sobre o egoísmo humano a partir de uma história de separação. Ele é um judeu dono de uma livraria sem ambição apaixonado por sua mulher. Ela uma jovem artista cansada de uma vida comum. Depois de 15 anos longe de casa ela retorna e o reencontro é melancólico e exemplar.

Assustador e ao mesmo tempo pertinente a investigação que Tennessee Williams faz da natureza humana.

* Este texto foi escrito ao som de: The Libertines (2004)

Libertines

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s