Mãe Só Há Uma (2016)

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Novo filme da cineasta paulista Anna Muylaert é baseado em caso do menino Pedro, sequestrado em uma maternidade em Brasília…

Os filmes da paulista Anna Muylaert têm uma abordagem digamos assim, de cientista político. Mesmo aquelas produções menos despretensiosas, como Durval Discos (2002), deixa transparecer nas entrelinhas um olhar social mais apurado com relação às contradições sociais de um país confuso sob todos os aspectos. Que Horas Ela Chega?, por exemplo, é um retrato contundente sobre o conflito de classes diante de novo panorama econômico da sociedade.

O drama Mãe Só Há Uma também, mas a partir de uma tragédia particular baseada em história real que chocou o Brasil em 1986, o sequestro do menino Pedro. Na trama, Pierre (Naomi Nero) leva uma vida normal de adolescente classe média baixa quando descobre que foi trocado na maternidade. O pior não é nem isso, a irmã dele, de 12 anos, também e o conflito que se dá desse desajuste de mundos diferentes.

Os pais biológicos, após incansáveis buscas desse filho recuperado, querem tirar o tempo perdido o sufocando de mimos, afetos e novos olhares. Agora ele chama Felipe, mora numa confortável casa classe média e vive com uma família burguesa conservadora. A perda da identidade se confunde com a liberdade tolhida, potencializada pela dúvida do personagem diante de sua orientação sexual. Apesar de sair e transar com mulheres, Pierre/Felipe se veste de mulher e gosta de comportar como tal.

Apesar de narrativa curta e direta, há muitas questões de caráter social e humano colocados em Mãe Só Há Uma. Talvez o filme até seja um complemento, nesse sentido, do trabalho anterior da diretora, o incômodo, Que Horas Ela Chega?

 E, embora os conflitos familiares e dramas interiores dos personagens surgem na tela de forma forçado e artificial, a essência da ideia foi passada. Ou seja, a de que, independente de quem somos e de onde viemos, somos donos do nosso próprio nariz.

* Este texto foi escrito ao som de: Zizi Possi (1986)

Zizi Possi 1

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