Gata em Teto de Zinco Quente (1958)

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Um dos melhores filmes adaptados de texto de Tennessee Williams, conta com atuações poderosas de Paul Newman e Liz Taylor, trocando farpas ferinas

A força do texto do dramaturgo Tennessee Williams no cinema é perturbadora porque as adaptações foram arrebatadoras. As minhas versões preferidas são, na sequência: A Noite do Iguana (1964), Vidas em Fuga (1959), Uma Rua Chamada Desejo (1951) e A Rosa Tatuada (1955). Mas e Gata em Teto de Zinco Quente (1958)? Bem, esse é hors-concours em minha predileção porque está acima do bem e do mal. E porque está acima do bem e do mal?

Primeiro porque traz no elenco a diva das divas, Elizabeth Taylor, soberba e deliciosamente impecável em cena. Gozado que já devo ter visto essa fita umas sete ou oito vezes e sempre descubro algo novo toda vez a vejo. Desta vez fiquei enfeitiçado pelos pés de fada verde da Liz Taylor, um tesão de desejo.

Depois porque ela está contracenando com um dos gigantes do cinema dos anos 50, o galã, mas também bom ator Paul Newman. E terceiro porque talvez seja um dos textos mais pungentes e formidáveis de Tennessee Williams, onde a natureza humana em todo o seu cinismo e podridão é desnudada sem que sobre pedra sobre pedra.

Mas note bem. O grande personagem em cena aqui não é a bela e carente Maggie (Liz Taylor), nem o atormentado alcóolatra Brick (Newman) e sim o “Velho”, vivido pelo ótimo Burl Ives. Ele é o patriarca de uma família do Tennessee em decadência moral há bastante tempo, agora vomitando sinceras e incômodas verdades na cara um dos outros depois que ele descobre que tem uma doença terminal.

“Uma crise familiar traz o melhor e o pior de todos”, diz um dos personagens do drama.

E eis aqui a essência dessa trama pontuada por personagens em crise. Sensual, Liz Taylor é a mulher carente de carinho, afeto e amor do marido alcóolatra, um herói do esporte fracassado que bebe para aplacar a culpa pela morte do amigo Skipper, aqui, talvez amante da mulher. No texto original vetado pelos produtores, amante do marido. “Não vivemos juntos, Brick. Só dividimos a mesma jaula”, diz ela, revoltada com o desprezo e indiferença dela.

Os diálogos cortantes como uma navalha de Tennessee Williams é de uma ousadia de arrepiar para época, desnudando a psicologia crua da natureza humana com seus espasmos de sexualidade velada e cinismo à flor da pele. “Você é um bêbado e eu não dou filhos”, lamenta Maggie, revelando a causa da tragédia pessoal do casal.

Diante de qualquer texto de Tennessee Williams, perdemos a fé no ser humano.

* Este texto foi escrito ao som de: Gasoline Alley (Rod Stewart – 1970)

Gasoline Alley

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