Life – Um Retrato de James Dean

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Acho que a única coisa que gostei do filme até agora foi o trocadilho maneiro do título, que faz referência à revista estilosa dos anos 50

Tentar transformar em ficção a vida de um artista da grandeza de James Dean, mesmo com sua curta trajetória, pode ser um risco perigoso para qualquer cineasta. Sobretudo porque o ator que morreu jovem, aos 24 anos, no auge da carreira, se tornou um mito quase inatingível. Diretor de vários clipes de bandas como Metallica e U2, e de “Control”, cinebiografia do líder do Joy Division, Ian Curtis, o Holandês Anton Corbjin parece nem se importar com isso.

Até porque, o que interessava para o cineasta era contar a história de amizade entre o ator de talento rebelde e o fotógrafo Denis Stock, que registrou as fotos mais icônicas do artista antes de sua morte num trágico acidente de carro em setembro de 1955. O recorte de retratar apenas duas semanas da vida do ídolo, período que Stock precisou para fazer um ensaio fotográfico para a revista Life, conferiu uma leve densidade à narrativa.

Mas só de leve. Porque o roteiro fraco do filme faz o espectador se perder entre diálogos monótonos que parecem ter sido criados apenas como pretexto para justificar as fotos que Stock imortalizou da intimidade de James Dean. Registros esses que, previsivelmente, aparecem nos créditos finais da fita.

No filme, James Dean é vivido por Dane DeHaan. O fotógrafo Denis Stock é interpretado por Robert Pattinson o vampiro da saga Crepúsculo que até pode enganar as fãs com seus dentes afiados, mas não é bom ator. A ideia do roteirista Luke Davis é até interessante, a de traçar um paralelo entre a revolução estética que foi a revista Life, no início dos anos 50, com o surgimento de novo modelo de interpretar que estava surgindo no cinema, com jovens e selvagens atores como Marlon Brando, Paul Newman e James Dean.

Mas o tema não é aprofundado, muito menos à crítica que se faz ao submundo do cinema na construção de um astro, com suas firulas em torno de publicidade tacanha e exposição barata. Um filme bem intencionado que vai só cumprir o papel de apresentar esse grande nome das telonas às novas gerações.

* Este texto foi escrito ao som de: I’m Your Man (Leonard Cohen – 1988)

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