Aladim e a Lâmpada Maravilhosa (1973)

Aladim

Goste ou não, mas Renato Aragão e sua trupe são herdeiros do humor circense e escrachado das chanchadas de Oscarito e Grande Otelo…

Lá em casa é assim, temos quase todos os filmes dos Trapalhões e minhas sobrinhas são fãs incondicionais do quarteto mágico do humor brasileiro. Qualquer filme da trupe, com aquelas palhaçadas ingênuas misturadas com estilo Chaplin, é melhor do que todos os programas de humor da televisão brasileira hoje.

Outro dia mesmo, vendo, Aladim e a Lâmpada Maravilhosa (1973), pensei sobre isso. Aliás, os filmes dos trapalhões são herdeiros dos clássicos da chanchada brasileira. Tanto é que muitos dos diretores dos filmes do grupo humorístico vieram de lá. Como é o caso de Vitor Lima e J.B. Tanko, um iugoslavo radicado no Brasil.

Protagonizado apenas pela dupla, Renato Aragão e Dedé Santana, o filme mistura uma das clássicas histórias de As Mil e Uma Noites, com muita correria e o jeitinho brasileiro para narrar as peripécias de Aladim (Didi) e Dracolin (Dedé), dois feirantes que ganham a vida na feira vendendo um elixir milagroso.

O que eles não sabem é que um grupo de capangas está atrás do anel usado por Aladim, já que a joia rara, uma herança de família, tem o poder de despertar o gênio de uma lâmpada mágica. Nesse meio tempo, Aladim e a amiga Marina (Monique Lafond), ajudam seu irmão a recuperar a visão, perdida após um grave acidente.

Fábula do Oriente imortalizada nos livros e cinema ganha aqui uma versão bem ao estilo do humor que iria consagrar os Trapalhões em grandes sucessos nas telonas e telinhas. O ponto alto da trama são as atrapalhadas de circo da dupla e as piadas bobas sinceras despretensiosas que atingem tanto o público adulto, como o infantil, claro.

“Ué rapaz, porque você não quebrou os ovos?”, reclama Dedé, ao ver Didi colocar dois ovos inteiros, com casca e tudo, dentro da panela. “Pra quê, se eu já sei o que vem dentro”, responde faceiro.

Com trilha sonora assinada pelo maestro Erlon Chaves, o filme, um sucesso de bilheteria, traz nas entrelinhas uma reflexão sobre a ganância, o egoísmo, o abuso de autoridade e as curas medicinais promovidas por charlatões.

* Este texto foi escrito ao som de: The Essential Phil Spector (2011)

The Essencial Phil Spector

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