Mendigo de mim mesmo…

Mendigo

Cansei dessa esmola ganha, da vontade alheia desgraçada/Ali, nesse cemitério abandonado, não serei mais escravo de ninguém…”

Miro no espelho e a visão é eloquente

A imagem de um homem senil e decadente,

É o reflexo de meu pai, meu futuro iminente,

Mendigo de mim mesmo, um fracasso evidente…

 

Não sei pra onde ir, qual caminho seguir,

Às vezes me pergunto o que eu faço aqui,

Perdido entre tolos, num falso jardim,

Acho que minha glória, esta no meu fim…

 

Paira no horizonte, uma ditadura da opressão,

Dinheiro, aparência, uma falsa ostentação,

Não sei fingir, não sou um bobo bufão,

Tudo o que quero é sair dessa confusão…

 

Cansado dessa cidade medíocre e provinciana

Cheia de gente débil, vazia e insana,

Com um sorriso falso, que nunca me engana,

Como aquela vadia sádica, chamada Ana,

 

E a musa virtual é um sonho em Nova York,

E eu aqui um beatnik tentando a sorte,

E a musa real é um louco risco de morte,

Queria ser apenas a estrela solitária do norte…

 

Alguém segura a Bíblia e se acha um santo,

Essa hipocrisia da alma me causa espanto,

Por isso, por desespero, simplesmente canto,

Sou a imagem agônica e sincera do desencanto,

 

Um cemitério abandonado, no deserto vazio do nada,

Talvez ali seja baby, minha mais nova e fria morada,

Cansei dessa esmola ganha, da vontade alheia desgraçada,

Ali não serei mais escravo de ninguém, nessa triste jornada…

* Este texto foi escrito som de: Death Of a Ladies’ Man (Leonard Cohen – 1977)

Leonard Cohen - Death Of a Ladies Man

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