A musa das curvas numa cama de seda…

Nude

“Curvas deliciosas e bem torneadas como os traços do arquiteto Oscar Niemeyer, que causa espanto com suas linhas sinuosas”.

Nua, em cima da cama, com a barriga roçando o lençol de seda, ela parece uma pintura renascentista que surgiu do nada só para deslumbrar meu desejo seletivo ensandecido. Curvas bem delineadas que, de tão bem desenhadas, como se fossem traços divinos, lembram as sinuosas montanhas entre o Irã e a Turquia e tudo faz sentido, porque ela é minha deusa do Oriente, com seu jeito exótico e misterioso de ser que lembram as musas ibéricas de Almodóvar.

Curvas deliciosas e bem torneadas como os traços que o arquiteto Oscar Niemeyer deixou espalhados por Brasília, impressionando quem passa e olha. Foi ele, Niemeyer, quem disse que a arquitetura tem causar espanto e que muitos de seus riscos curvilíneos foram inspirados no corpo de uma mulher. É verdade, eis ali, deitada naquela cama de lençol de seda, uma das musas do poeta das curvas Oscar Niemeyer que me causou espanto com a beleza sensual de suas curvas desnudas…

A minha vontade era de mergulhar cegamente nesse corpo perfeito, no auge de sua maturidade, só pra vasculhar cada detalhe e segredo de suas linhas e, a partir dali, eternizar em versos e prosas, o encanto e o espanto de sua beleza em minha caixa de Pandora. Parafraseando o bardo canadense Leonard Cohen: “Deixe-me ser por um momento, em minha miserável e atordoante desgraça, um animal feliz”.

E alteza da situação, ela sabe como se fazer de deliciosa, criando um clima onírico de êxtase na penumbra do espaço, manipulando a luz, o ambiente, o visual, tudo com uma sensualidade de mexer com a libido de qualquer homem de bem. O charme está nos detalhes, como os cabelos negros sutilmente caídos sobre os ombros desnudos e a beleza feérica dos seus pés que aparecem sós apenas em minha imaginação de podólatra em êxtase. De tão belos e delicados em sua perfeição, eu seria capaz de fazer amor só com os pés delas…

Às vezes, a grandeza mágica de tudo está naquilo que não se vê por inteiro, mas no subtendido, no insinuado, quase escondido. De novo o poeta canadense Leonard Cohen. “Toquei o corpo dela com a minha mente, porque não havia outra maneira”. Bem, ela já confessou que gosta de ser esse obscuro objeto do meu desejo… Que bom, porque eu amo de coração que ela seja minha eterna musa do prazer…

* Este texto foi escrito ao som de: Chelsea Girl (Nico – 1967)

Nico

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