Beat Generation no CCBB…

The Beatniks

Esse filme de 1980 com Nick Nolte no elenco marcou meus tempos de adolescente insone que não perdia uma Sessão Coruja…

Os Beatniks estão chegando… Na verdade, eles já chegaram e estão acampados bem ali, no CCBB, em cartaz no cinema do espaço até o dia 1º de agosto com 34 filmes que ajudam a entender e contar essa história de um bando de jovens intelectuais loucos e anárquicos que incendiaram a literatura e a poesia, não apenas contestando o conservador e hipócrita sistema norte-americano, mas mergulhando num fluxo criativo sensorial em que experiências empíricas, somadas a vivências emblemáticas, deram origem a obras perenes.

Sejamos pragmáticos. Sem os Beatniks não haveria Bob Dylan e muito menos Leonard Cohen, como mostra a biografia do bardo canadense lançada recentemente no Brasil pela Best Sellers que estou devorando capítulo a capítulo. Posso estar enganado, mas acho que cheguei à trupe via Bob Dylan, que me apresentou o clássico On The Road, de Jack Kerouac. Aquela versão surrada de bolso com tradução do Eduardo Bueno, o peninha, marcou minha vida de adolescente e só não larguei tudo botei uma mochila nas costas por pura covardia.

Mais tarde, me deliciei com o delirante Almoço Nu de William S. Burroughs numa edição que, me lembro até hoje, comprei num sebo da rua Augusta, junto com meu primeiro David Bowie, The man who sold the world. Naquele mesmo dia, vi ali mesmo, na Augusta, Cinema, Aspirinas e Urubu, uma das obras-primas do cinema pernambucano dirigida pelo Marcelo Gomes. Tempos de descobertas…

A mostra é imperdível para quem gosta do tema, com filmes raríssimos garimpados em arquivos públicos e pessoais sobre o tema nos gêneros documental e ficção. Dos títulos exibidos no CCBB sobre a Geração Beat vou tentar não deixar de ver pelo menos três títulos: O mítico e marginal, Chappaqua – Almas Entorpecida, de Conrad Rooks, Os Beatniks (Heart Beat), de John Byrum e o documentário de John Antonelli, Jack Kerouac – Rei dos Beats.

O primeiro, Chappaqua, desde que comecei a ler sobre o assunto, é citação recorrente em textos e memórias. Também pudera, uma pequena pérola do cinema underground realizado em meados dos anos 60 por um devotado integrante, traz no elenco figuras clássicas da Beat Generation como William S. Burroghs, o poeta Allen Ginsberg, além dos músicos Ravi Shankar e Ornette Coleman. O terceiro, um resgate importante desse que talvez seja a figura mais icônica do movimento.

Mas é o segundo, com o ator Nick Nolte no elenco, o título mais almejado por mim nessa mostra e por um motivo especialmente sensorial, já que conta com imagens de abertura marcantes que fizeram minha cabeça de adolescente insone diante das mágicas sessões corujas. O mais gozado e beatnik  é que na época eu nunca tinha ouvido falar sobre a turma e tal. Acho que era um transe meio que inconsciente…

* Este texto foi escrito ao som de: A Love Supreme (John Coltrane – 1965)

John Coltrane - A Love Supreme

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