Paulina (2015)

Paulina

Uma advogada promissora decide trocar a toga pelo giz e passa por experiência traumática numa comunidade carente na fronteira da Argentina, Brasil e Paraguai…

O estupro, infelizmente, é uma realidade universal que mostra sua faceta mais macabra quando relacionada com as comunidades mais carentes. Foi o que mostrou, recentemente, o caso da jovem do Rio de Janeiro vilipendiada por um bando de delinquentes numa favela carioca. O drama argentino Paulina, em cartaz no Libert Mall, é assombroso nesse sentido ao manter uma incômoda relação com este episódio.

Interpretada por Dolores Fonzi, a personagem-título é uma advogada com promissora carreira que larga tudo para ser professora de direitos humanos e política numa escola paupérrima na fronteira da Argentina, Brasil e Paraguai. A decisão irrita o pai, um juiz poderoso, ainda mais quando, pouco tempo depois, ela é estuprada por uma gangue de marginais que é referenciada no título original como La Patota.

Os detalhes desse drama pessoal vivido por Paulina passa ser conhecido pelo público a partir do depoimento da vítima apresentado não de forma linear. Esse detalhe narrativo só aumenta a angústia do público diante desse triste episódio montado como se fossem um quebra-cabeça marcado por dor, confusão e claro, traumas que talvez sejam irreversíveis.

Baseado num remake dos anos 60, o filme de Santiago Mitre, de forma pertinente, toca numa ferida dolorida dos dias atuais de forma pungente. Pior, mostra a fragilidade do sistema diante da situação, sobretudo no lado mais carente da sociedade, seja aonde for.

Mais do que urgente, o tema pode ser conferido no filme francês Agnus Dei, em pré-estreia no mesmo espaço. Na trama, o drama de freiras polonesas estupradas durante a 2ª Guerra Mundial. Um tema suscetível de ruidosa reflexão.

* Este texto foi escrito ao som de: Cheap Thriller (Big Brother & The Holding Company – 1968)

Cheap Janis 2

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