JK e Israel

Israel Pinheiro e Juscelino Kubitschek em meados dos anos 50, durante um dos vários voos sobre os canteiros de obras do que viria a ser Brasília

Ontem (6) fez 43 anos que morria Israel Pinheiro. Mas você sabe quem foi Israel Pinheiro? Simplesmente uma das figuras mais importantes do surgimento da Nova Capital ao lado de Juscelino Kubitschek, o fundador, Oscar Niemeyer, o arquiteto modernista, Lúcio Costa, o idealizador do Plano Piloto ou Bernardo Sayão, o desbravador. Homem de confiança de JK, foi o sujeito que colocou a cidade de pé à frente da Novacap.

Mineiro de Caeté, Israel era um homem do século 19. Nasceu em 1896. Formado em Engenharia, entrou para política nos anos 20, elegendo-se por sua terra natal vereador e prefeito. Nos anos 30 e 40, assumiu várias secretarias no governo do Estado de Minas Gerais. Um dos criadores da Companhia Vale do Rio Doce, fundou em 1945 o Partido Social Democrático, elegendo-se Deputado Federal. Ali, no Congresso Nacional, estreitou as relações com o homem que mudaria para sempre sua vida e a política do país: Juscelino Kubitschek.

Nos primeiros anos de Brasília, Israel Pinheiro foi o braço direito de JK no surgimento de uma cidade que nasceu no meio do nada. Durante as obras era incansável. Enérgico, duro e trabalhador, não parava. Levantava às 6h da manhã e ia até às 8h da noite. Se não estava no escritório da Novacap, então na Candangolândia, era visto metido dentro de uma Rural Willys fiscalizado os trabalhos nas construções.

Carrancudo, metia medo, intimidava os operários. Às vezes chegava a ser ríspido, mas era honesto, sincero e solidário. Não fazia rodeios, ia direto ao ponto. É famosa a história do encontro dele com um grupo de agricultores japoneses insatisfeitos com a terra ruim de Brasília. “Ué, se fosse boa ia querer japonês pra quê”, desconversou em seu pragmatismo desconcertante.

Após a inauguração de Brasília, Israel Pinheiro assumiu a prefeitura da Nova Capital. A escolha não poderia ser mais justa. Continuou a trabalhar como nunca pela cidade que ajudou a construir, fazer existir. Brasília é Juscelino Kubistchek, mas também é muito Israel Pinheiro, cuja figura está muito associada à Novacap, que este ano completa 60 anos de existência.

O último feito de dr. Israel Pinheiro como homem público foi o governo de Minas Gerais, cargo que ocupou de 1966 a 1971. Mas foi como grande homem que era que será lembrado pelos amigos, parentes e pela massa eufórica de trabalhadores com quem conviveu durante o surgimento de Brasília. Numa crônica publicada no jornal O Globo, no dia 7 de julho de 1973, um dia após sua morte, o jornalista Nelson Rodrigues escreveu:

“Notem que não digo grande político. Isso é secundário, o irrelevante em sua vida. Ele me importa e me impressiona como grande homem… Dizia o poeta que o gênio é o que acompanha a natureza. Assim foi Israel Pinheiro. Força da natureza, ele ventava, chovia, trovejava, relampejava…”.

É isso aí…

* Este texto foi escrito ao som de: Para Quando o Arco-Íris Encontrar o Pote de Ouro (Nando Reis – 2000)

Nando Reis

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