Os 58 anos do Palácio da Alvorada

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O Palácio da Alvorada em seu esplendor de beleza ousada e simplicidade moderna. Projeto desenhado por Oscar Niemeyer foi o primeiro a apresentar as famosas colunas. Foto: ARPDF

Nunca fui ao Palácio da Alvorada. Talvez seja pela distância, talvez por conta da liturgia do poder que envolve o lugar que é a residência oficial do Presidente da República. Primeiro prédio de alvenaria construído em Brasília, o lugar teve projeto desenhado às pressas por Oscar Niemeyer, mas somente quatro meses depois é que a construção teve início. Era preciso primeiro encontrar o lugar certo, ideal, perfeito para a morada do chefe da nação. E este lugar estava situado numa península que divide o Lago Paranoá em Lago Sul e Lago Norte.

Ao entregar ao presidente Juscelino Kubitschek os primeiros esboços de seu projeto o arquiteto Oscar Niemeyer recebeu um sonoro não. Para JK, apesar de apresentar grande beleza artística, aqueles primeiros traços não apresentava a monumentalidade que se impunha uma residência de chefe de estado. “O que eu quero, Niemeyer, é um palácio que, daqui a cem anos, ainda seja admirado”. E foi o que teve.

De uma beleza sólida e leve, com suas audaciosas e modernas linhas e curvas, o Palácio da Alvorada impressiona pela elegância majestosamente simples. Inaugurado há exatos 58 anos, o prédio ficaria pronto um ano e dois meses depois do início das obras, ditando o “ritmo Brasília” com que a cidade seria erguida no meio do nada.

A inspiração de Niemeyer para o desenho do palácio veio de onde menos se esperava. Das casas de fazendas coloniais brasileiras com suas enormes fachadas horizontais e largas varandas, ali recriadas com um visual modernista e abstrato. O toque metafísico foi dado com uma pequena capela, cuja beleza espectral do interior foi desenvolvida de forma lírica pelo artista plástico Athos Bulcão.

Sobre a sensualidade das colunas desenhadas por Oscar Niemeyer que seriam sua marca registrada mundo afora, o escritor e ministro da Cultura André Malraux disse: “São as colunas mais bonitas que vi depois das colunas gregas”, comentou.

Dividido em três pavimentos: subsolo, térreo e primeiro andar, o Palácio exibe no interior uma elegância sem igual na sua mistura entre o clássico e contemporâneo. Além da charmosa piscina, o lugar apresenta um belíssimo espelho d’água realçado pela obra As Iaras, do artista plástico Alfredo Ceschiatti.

Duas histórias engraçadas. Reza a lenda que, sufocado pela solidão espacial do Planalto Central, o presidente Jânio Quadros tomava pileques homéricos. O único lugar que se divertia era na confortável sala de cinema do prédio, onde via repetidas vezes faroestes com John Wayne. Certa vez, bebeu tanto que viu uma das fitas deitado de costas e de cabeça para baixo.

Um fanático por futebol, em 1970, para comemorar o tricampeonato da seleção brasileira, o presidente Garrastazu Médici abriu os portões do Palácio da Alvorada para comemorar o título com o povo. Foi uma algazarra geral, com gente correndo pelos jardins e tudo o mais. Dizem que o presidente militar nem deu pelota.

Belo assim, até eu queria morar lá um dia.

 * Este texto foi escrito ao som de: Força Bruta (Jorge Ben – 1970)

Jorge Ben

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