Doce Veneno (2015)

Doce Veneno 2

No filme, Vincent Cassel está de olho na filha do melhor amigo, uma Lolita infernal que irá conduzir o espectador numa trama marcada por sentimentos trocados…

A sessão estava cheia e enganou quem pensou que fosse Como Eu Era Antes de Você (2016), porque estou falando da comédia francesa Doce Veneno, em cartaz bem ali no Libert Mall. Com direção de Jean-François Richet, o filme narra as desventuras de dois coroas que tentam educar as filhas adolescentes que estão prontas para saírem do casulo.  Um é vivido por Vincent Cassel ou outro François Cluzet, a cara do Dustin Hoffman, repare.

Na trama que se passa na charmosa ilha de Córsega – cenário de muitos filmes de capa e espada -, eles são Laurent e Antoine, de férias na região com suas respectivas filhas. O primeiro é mais liberal, o segundo quer controlar a filha como se ela tivesse um GPS. O choque de idades e estilos é inevitável e é desse conflito que vai girar o enredo o tempo todo, que ganha um sabor apimentado quando uma das meninas flertar com um dos pais.

vivem o tempo todo os personagens de Doce Veneno que traz um ingrediente picante quando uma das meninas se apaixona por a mais quando uma das meninas se apaixonam pelo pai. “Seu pai é meu melhor amigo e você é de menor”, tenta desvencilhar o personagem de Cassel, tentando se livrar da tentação da Lolita Louna (Lola Le Lann). “Só temos uma vida. Quando estou com você me sinto segura”, desconversa ela, toda lasciva.

Comédia de costumes que descamba para uma comédia de erros, flertando, aqui e acolá, com momentos dramáticos, o filme, mesmo com seus tiques hollywoodianos, agrada por abordar temas universais com humor despretensioso e reflexão comportamental divertida. Quem é que não tem filhos ou sobrinhos adolescentes que infernizam nossas vidas, no bom sentido, é claro, nessa fase de descobertas e confusões sentimentais?

De forma sutil, o roteiro consegue amarrar num mesmo contexto, questões abstratas pertinentes nessa situação em que vive os personagens como ciúmes, machismo, falso moralismo e o pecado da tentação, quando uma adolescente se deixa levar por um amor mais maduro. “Há jogos que é melhor não saber como acaba”, ironiza a filha de Laurent, enciumada da relação de sua melhor amiga com o pai. “Você é uma vadia e ele um pervertido”, explode.

O final é exemplar, com seu silêncio cheio de lições de moral subtendidas.

* Este texto foi escrito ao som de: Brand New Eyes (Paramore – 2009)

Paramore - Brand New Eyes

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