O Estado das Coisas (1981)

O Estado das Coisas

Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza, essa drama metalinguístico de Wim Wenders é uma reflexão melancólica sobre a indústria do cinema…

E qual dos grandes diretores de cinema que não fez o seu exercício de metalinguagem? Ou que não se aventurou no gênero road movie? Essa pérola do diretor Wim Wenders vencedor do Leão de Ouro em Veneza parece ser as duas coisas, além de um desabafo amargo sobre a apaixonante, mas difícil arte de fazer filmes.

Patrick Bauchau é seu alter ego em cena na pele de um diretor europeu tentando finalizar um filme meio que de ficção científica em Portugal. Lá pelas tantas o produtor some sem dá sinal de dinheiro e o projeto, interrompido por falta de filme virgem, fica à deriva. Assim como todo o elenco e produção, ilhados, sem dinheiro e perspectiva, num hotel em ruínas a beira mar.

“Acho que morrer é como dormir, só que a gente não sonha”, diz uma das filhas do diretor, de forma ingênua, captando o clima que reina entre todos.

Sem nada para fazer ou resposta quanto ao andamento do projeto, todos começam a tecer reflexões sobre a vida e o cinema.

Ilhados sem dinheiro e perspectiva num hotel em ruínas, a equipe começa a fazer divagações sobre a vida e o cinema. “Esse lance de fazer filme é suicídio”, desespera-se alguém da equipe.

O fato de o filme ter sido rodado todo em preto e branco é uma provocação de Wim Wenders, que questiona a padronização dos filmes em Hollywood e a caretice mercenária da indústria do cinema. “Quem faz filme preto e branco hoje em dia? Se tentasse fazer esse filme com um diretor americano, um elenco americano e em cores, estaria no topo do mundo em seis meses”, ironiza o produtor fujão.

A melhor resposta sobre a questão vem do personagem blasé vivido pelo autêntico personagem do cineasta Samuel Fuller. “Bem, a vida é colorida, mas ela é mais realista em preto e branco”,  reflete, com certa amargura.

Com trilha sonora assinada, veja só, por Jim Jarmusch, O Estado das Coisas, como bom cinema que é, traz pelo menos dois momentos marcantes. Um deles é a da cena do carro do protagonista sendo seguindo pelas ruas de Los Angeles, filmada de cima. A outra é a sequência final melancólica, com o diretor desnorteado do filme usando a câmera como um revolver. Bem Wim Wenders…

* Este texto foi escrito ao som de: Clicklewood Green (Ten Years After – 1967)

Ten Years After

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