Chocolate (2015)

Chocolate - Omar Sy

Uma das atrações do Festival Varilux deste ano, essa cinebiografia narra a fantástica trajetória do cubano Felipe Padilla, o primeiro artista negro da França…

O velado racismo e preconceito que trazemos, inconscientemente, dentro de nós, é um dos motivos que está levando um bocado de gente para ver o drama biográfico Chocolate(2016), talvez a principal atração do Festival Varilux, mostra francesa anual que este ano acontece em 50 cidades brasileiras até o dia 22. Brasília, claro, é uma delas. O outro, é a simpatia contagiante do ator negro de origem africana, Omar Sy, aqui no papel-título.

A história é baseada na fantástica trajetória do cubano Rafael Padilla, o primeiro artista circense negro da França que fez estrondoso sucesso no final do século 19 em Paris. Sua carreira no picadeiro teve início num circo matusquela do interior que o tinha como atração exótica. Mostrado como uma aberração por causa de sua cor negra, ali ele é Kananga, o horrível homem da selva que amedronta mulheres e crianças.

Um dia, ele é visto pelo palhaço decadente, Foutit (James Thierrée), que o convida para formar uma dupla de palhaços diferente, indissociáveis. Um é branco e o outro é negro. Mas não apenas isso. “Eu faço o idiota”, se conforma Chocolate, que seria um perfeito “escada” para o artista principal, ou seja, o saco de pancada em cena. Aproveitando da ingenuidade do amigo de Cor, Foutit também lhe rouba nos contratos que fecham com grande companhia de Paris.

Não demora muito para Chocolate e Foutit revolucionem o circo na época e a maneira das pessoas rirem com um espetáculo de pantomima original. Os números da dupla lembram as traquinices geniais de Chaplin, mas com uma pegada mais de Vaudeville, afinal estamos ainda na Belle Époque.

 Mas, fascinado pelo sucesso, pela fama e pelo poder que o dinheiro lhe traz, Chocolate vai da ascensão à queda, se entregando ao vício do jogo, enfrentando pelo caminho insultos e preconceitos quando começa a incomodar os brancos em sua mesquinhez burguesa. “Shakespeare e eu nos damos muito bem”, desabafa ele, ao querer abandonar o circo para interpretar Otelo do bardo inglês no teatro.

Dirigido por Roschdy Zem, Chocolate é uma cinebiografia convencional em sua narrativa, mas pungente na abordagem de personagem fascinante, revelando o lado trágico do riso por meio de um sentimento humano nefasto que nem a arte conseguiu vencer: o racismo.

* Este texto foi escrito ao som de: I Want You (Marvin Gaye – 1976)

Marvin Gaye

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