Ao Som de Simon & Garfunkel na Catedral…

Catedral 3

“Em frente àquele monumento metafísico e enigmático riscado pelas mãos mágicas e líricas de Oscar Niemeyer, mordisquei seus lábios…”

A pior parte foi a despedida, entre lágrimas e um gosto de sonho na boca. Porque quando mordisquei seus doces lábios ao som de Mrs. Robinson, da dupla Simon & Garfunkel, bem ali, em frente à Catedral, aquele monumento metafísico e enigmático riscado pelas mãos mágicas e líricas de Oscar Niemeyer, quase me derreti de tanta felicidade. Era como se eu sentisse uma espécie de Deus dentro de mim… Ela!

Sim, porque só agora eu percebi que esse Deus com “D” Maiúsculo que tenho aqui, dentro de mim, era o tempo todo ELA! Sempre foi. ELA é mais forte do que a razão, do que o bom senso e vale à pena todos os meus momentos ridículos e digam o que quiserem, essa será a trilha sonora de nosso amor clandestino…

…Enfim, tentei ir embora, mas pedi ajuda aos quatros evangelistas guardiões do templo que ficam ali na praça em frente ao santuário. Tentei ouvir deles explicações para esse amor selvagem que me consome, dia e noite, como se fosse uma chama olímpica acesa dentro do meu peito, mas deles nada ouvi, contudo, não desisti, porque segui para o interior da Catedral clara, translúcida e silenciosa em busca de paz interior, só que as portas estavam cerradas…

Acho que esse deus matusquela da Bíblia que todos seguem não gosta de mim… E aquela balada de Simon & Garfunkel insistindo em mentir com a frase: “Jesus te ama mais do que você imagina”, diz a letra. Será?

Fui embora. Sim, fui embora com o cheiro dela impregnado em meu corpo, o gosto de sua língua quente, ardente e envolvente na minha boca, me anestesiando a alma cheia de desejo e tensão. E com aquele cheiro de canção de George Harrison bailando no ar que ela insiste em dizer que é Armani Code, peguei estrada como se estivesse flutuando num céu de Krishna. Às vezes, acho que a história do nosso amor bem que poderia ser um capítulo do Bhagavad Gita…

Chego em casa, tarde da noite e fui direto para a cama, não tive coragem de tomar banho, só pra não lavar o cheiro dela em meu corpo carente de sua presença… Não tive coragem de beber mais nada, só para não tirar o gosto dela da minha boca… É bom dormir com ela dentro de mim, mesmo que seja por sensações abstratas, invisíveis ou fantasiosas… Quer saber? Talvez da mais doce ilusão nasça o verdadeiro amor…

…Teve um momento desse encontro mágico em frente à Catedral que ela verteu lágrimas sentidas, lágrimas que me pegaram de surpresa a ponto de eu não ter tempo de capturar aquelas gotas de triste delicadeza num relicário. Queria beber dela e senti tanto remorso e consciência pesada que, num átimo de tempo, era eu quem deixava rolar lágrimas de angústia pelo meu rosto… Será que o meu pranto seria capaz de comovê-la como o prato dela me comove? Vai saber…

Amanhã, Dia dos Namorados, ela estará nos braços de outra pessoa. Aqui, do meu lado solitário e clandestino do mundo, estarei sentindo a presença dela como se fosse parte indissolúvel de mim. Porque o melhor momento é quando a sinto dentro da minha mente, do meu coração, da minha alma. Mesmo com a triste e leve sensação de que a pior parte continua sendo a despedida…

Às vezes, quando me pego sinto sozinho, com falta dela, penso em não existir… A morte pelo amor é uma forma divina de redenção…

* Este texto foi escrito ao som de: Simon & Garfunkel’s Greatest Hits (1972)

Simon & Garfunkel

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