Lou Reed – Transformer (Parte 3)

Lou Reed

Lou Reed perambulando pelas ruas da cidade que soube retratar como poucos em canções com narrativas sujas e pegada outside…

Como se fosse um gato safo na cena nova-iorquina, Lou Reed teve várias vidas. Talvez mais do que sete delas, reciclando sua imagem e som ao sabor dos ventos pessoais que sacudiam sua psique e do draconiano mercado fonográfico, mas nunca se vendendo ao sistema por completo. O legal de biografias como essa de Victor Bockris lançada no Brasil em edição atualizada, é o de vislumbrar os bastidores dessas transformer (ções).

Depois da rápida, mas fecunda passagem pelo Velvet Underground, Lou Reed seguiu por sinuosa carreira solo, cujo ápice seria sua parceria com David Bowie no mítico álbum, “Transformer”, lançado em 1972.  Mas muitos outros trabalhos de sua vida pós-VU merecem respeito. Gosto em particular de New York, lançado em 1989.

“Esse disco oferece a perfeita mídia musical para a descrição pesada e carregada de Reed e seu ataque violento contra uma NY devastada pela AIDS, na qual amigos estão sempre ‘desaparecendo’”, escreveu Jonathan Coot, um dos principais críticos de rock dos Estados Unidos.

E de fato a obra é um retorno aos seus tempos de Velvet Underground, onde transitava pelas ruas da Big Apple vasculhando as latas de lixo em busca de comida e sujeira moral, mas aqui, com uma pitada de niilismo social contemporânea contundente.

No livro, Victor Bockris mostra como o genial Berlin, lançado logo após o formidável sucesso de Transformer, foi um registro incompreendido e negligenciado pela sombra do trabalho anterior. Lendo as páginas da biografia, me deixo cativar, entre outras coisas, pela obscuridade do álbum de 1974, Sally Can´t Dance, no qual me cativa a delicadeza melancólica da faixa Billy, uma crítica velada e mordaz do artista à Guerra do Vietnã.

Nesse período, ele andava sempre grudado à beldade Rachel que, lá pela página 200 e qualquer coisa vamos descobrir que é um travesti, com quem Lou viveu seu período  mais intenso afetivamente.

Uma novidade para mim são os sucessos dos discos ao vivo do artista lançados nos anos 70. No livro, o autor mostra a decadência e conflitos pessoais de Lou antes, durante e após essas apresentações e as desgastantes quedas de braço com as gravadoras pelo controle dessas obras.

O livro de Victor Bockris registra também com perspicácia os bastidores dos álbuns ao vivo de Lou Reed, mostrando não apenas o vigor e visceralidade de suas performances em cima do palco, como as  arranjos diferentes de grandes sucessos, mas a desgastante queda de braços com as gravadoras.

Graças a essa biografia, fui além da obra de Lou Reed no Velvet Underground.

* Este texto foi escrito ao som de: New York (Lou Reed – 1989)

Lou Reed 2

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