Mr. Zimmerman… 7.5…

Dylan

Bob Dylan tirando onda de baixista durante as gravações de “Highway 61 Revisited”, álbum icônico de 1966

Mr. Zimmerman… Era assim que John Lennon chamava Bob Dylan na sua reflexiva canção God e, até então, o bardo folk norte-americano se resumia para mim apenas à canção: Blowin’ In The Wind. Foi na faculdade, aos poucos, que fui descobrindo um universo inteiro de confluências artísticas e político-sociais que me levariam até aquele nome.

 

De lá para cá, duas biografias na minha estante mágica, muitos recortes de revistas e jornais, sites e publicações similares depois, e uma discografia com quase 40 discos repletos de músicas antológicas, posso dizer sem medo de errar que o artista de 75 anos é uma das mais importantes referências e influências do pop rock.

Não há nada na música, desde que deixou tudo para trás, aos 20 e poucos anos, para fazer canções de protestos, lá no início dos anos 60 – influenciado por Jack Kerouac e os beatniks -, que não tenha passado por ele direta ou indiretamente. A gaita nas canções dos Beatles é uma influência de Dylan e toda vez que você ouvir John Lennon cantar Hey, You’ve Got To Hide Your Love Away, lembre-se dele também.

Se você gosta de Zé Ramalho cantando Avohai e Chão de Giz e se surpreendeu com o surgimento dos meninos do Vanguard, nos anos 90, a culpa é de Mr. Zimmerman. Lembro que, após começar a prestar atenção no artista, passada a febre terçã em torno do Fab four, uma das primeiras músicas dele que me apaixonei foi a contemplativa Forever Young, escrita para um dos seus filhos.

De voz anasalada e beleza tímida, Bob Dylan, um poeta genuíno, se impôs pelo talento com que descreveu, com visão poética e cinismo socialista, os conturbados anos 60, se tornando, mesmo a contragosto, o porta-voz de toda uma geração. “Jamais quis ser um profeta ou salvador”, reclamou certa vez. Culto, dono de um repertório temática ilimitado, vendeu mais de 100 milhões de discos, reinventando o folk para criar o folk rock.

Abaixo, uma rápida reflexão sobre seus cinco discos que mais gosto, pela ordem de lançamento…

…Top Five – Bob Dylan

The Frewheelin’ Bob Dylan (1963) – A capa apaixonante, com o bardo folk perambulando com a namorada, Suze Rotolo, por Greenwich Village, é icônica. Foi o álbum que cristalizou o Bob Dylan que conhecemos com canções reflexivas como Blowin’ In The Wind, A Hard Rain’s A-Gonna Fall e Masters Of War. É um dos registros do qual o artista tem mais orgulho de ter feito e o ex-beatle George Harrison sempre citou como uma referência.

Bringing It All Back Home (1965) – Com produção de Tom Wilson, aqui Bob Dylan, influenciada por bandas como os Beatles, abraça de vez o rock ‘n’ Roll tocando guitarras pela primeira vez num disco seu. A capa surreal é cheia de simbologias e referências culturais. Apesar de sucessos marcantes como Mr. Tambourine Man e Subterranean Homesick Blues, a minha preferida é a romântica e enigmática: She Belongs To Me.

Highway 61 Revisited (1965) – Divisor de águas na obra do artista, o disco é responsável, entre outras coisas, por ele ter sido chamado de Judas durante turnê britânica em 1966. Letras surrealistas marcadas por canções longas e ásperas, Highway 61… rompeu os limites das rádios que só tocavam canções curtas com refrãos pegajosos. A hipnótica, Like a Rolling Stone talvez seja sua canção mais emblemática. “Foi a melhor música que escrevi”, admitiria.

Blonde On Blonde (1966) – Primeiro álbum duplo da história do rock, Blonde On Blonde representa talvez o auge da carreira de Dylan como letrista e cantor do gênero. Com sua capa desfocada e canções chapadonas, surgiria como prenuncio para trabalhos experimentais nos anos seguintes. Não há como deixar se emocionar com baladonas como Just Like a Woman e Sad Eyed Lady Of The Lowlands.

John Wesley Harding (1967) – Depois de sofre grave acidente de moto no final de 66, Dylan se reclusa em Woodstock e surge com essa pérola do country norteado por metáforas bíblicas e homenagens às raízes folk. O grande sucesso é a antológica, All Along The Watchtower. Note na capa como ele está a cara do filho Jakob Dylan e o registro seria seguido pelo igualmente root e tocante, Nashville Skyline (1969).

* Este texto foi escrito ao som de: Highway 61 Revisited (Bob Dylan – 1965)

Dylan 66

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