Lou Reed – Transformer (Parte 1)

Lou Reed

Biografia do artista nova-iorquino lançada no Brasil trás os detalhes de uma vida conturbada regada a eletrochoques e muitas drogas

Nos primórdios do Velvet Underground, as apresentações da banda – à sombra do mecenas Andy Warhol – eram verdadeiros happenings, com uma mistura provocante e polêmica de música, claro, mas também de cinema, teatro, artes plásticas e… insinuações pornográficas. O que fez Lou Reed constatar com autêntica arrogância insana. “Andy criou a multimídia em Nova York”, observa ele em TransformerA História Completa de Lou Reed.

Escrito pelo inglês Victor Bockris, o livro, lançado recentemente no Brasil pela editora Aleph, numa edição de luxo, é um retrato pungente de um artista de verve original, responsável por antecipar o espírito anárquico do punk e de trilhar por caminhos sujos e perigosos em busca de um refrão marcante.

Com a experiência de quem trabalhou com o maluco de pedra, Andy Warhol, o autor revela as muitas camadas e facetas de Lewis Alan Reed, contando como ele se transformou num garoto de origem judaica problemático de Freeport, que gostava de chocar os pais, em um dos maiores nomes do rock ‘n’ roll.

“Na adolescência, Lou fez com seus pais acreditasse que ele se tornaria um músico de rock e um homossexual – dois dos maiores pesadelos para os pais suburbanos na década de 1950”, comenta Victor Bockris, logo nas primeiras páginas.

O resultado desse estilo provocador foi um traumático tratamento de choques no Creedmore State Psychiatric Hospital, um grande prédio sombrio que ficava num trecho horroroso da estéril Long Island.

Pode até não ser surpresa para os fãs mais empedernidos do VU e Lou Reed, mas essa jornada pelos tortuosos caminhos da psiquiatria surge como uma revelação para o grande público fã da cultura musical.

A narrativa de Transformer tem como esteio os depoimentos dos primeiros amigos de Lou na faculdade, mentores determinantes para a construção de sua persona atormentada e cáustica, como o poeta beat Delmore Schwartz e colegas artistas passageiros e de uma vida toda, como o galês John Cale, um dos pilares do Velvet.

Uma revelação contundente é de que Lou Reed, como muitos jovens de sua idade no início dos anos 60, era um grande fã de Bob Dylan, a ponto de suas letras épicas sofrerem influência do bardo folk. Ele até andava para cima e para baixa na Syracuse University com uma gaita pendurada no pescoço.

“Lou tocava gaita com um ar intenso e fúnebre que completava suas canções com perfeição, mas infelizmente se parecia tanto com Bob Dylan que, par não ser visto como um clone dele, deixou de lado o instrumento”, narra Victor Bockris.

A origem das primeiras canções da banda alternativa da cena nova-iorquina que influenciou uma galera ao longo de quatros álbuns, assim como o amor cego de Lou pelas drogas e o lado selvagem da vida que tanto marcaram suas canções, estão presentes de forma exuberante nas primeiras 100 páginas do livro. Escritos no final de sua temporada na faculdade, ainda bem jovem, sucessos eternos como I’m Waiting For a Man e Heroin já davam a dimensão de um poeta singular.

“A precisão e o escopo dessas canções anunciavam o Lou Reed que seria conhecido como o Baudelaire de Nova York”, escreve o autor.

* Este texto foi escrito ao som de: Transformer (Lou Reed – 1972)

Lou Reed 2

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