Legião Urbana e a atual crise política

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Naquele sábado (7), no Net Live Brasília, canções de 30 anos atrás ecoando com melancolia perturbadora nos dias atuais… (Crédito da foto: Rayan Ribeiro)

O show em homenagem aos 30 anos de lançamento do primeiro disco da Legião Urbana, realizado por Dado Villa-Lobos e Bonfá, no último sábado (7), no Net Live Brasília, foi mágico, uma catarse coletiva inesquecível, mas serviu para mostrar que não evoluímos nada como nação. Triste quando percebemos que a realidade brasileira não só parece a mesma, como dá claros sinais de que estamos indo ladeira abaixo, ficando cada vez pior.

De modo que ecos de algumas letras do Renato Russo escritas há três décadas atrás rodam como espectros em meu ouvido. Isso porque, infelizmente, os anseios, angústias, medos e indignações de 30 anos atrás parecem continuar. Daí o fato dos 5,5 mil fãs ensandecidos cantarem algumas faixas numa espécie de desabafo.

“Será que é tudo isso em vão? (…) Será que nada vai acontecer?/(…) Será que vamos conseguir vencer? (…) Será que vamos ter que responder pelos erros a mais?”, é a sintomática faixa de abertura do disco.

Será?!

Em Petróleo do Futuro, uma solitária frase de desespero em forma de pergunta. Perguntas que até hoje não querem calar. “O que é que eu tenho a ver com isso?”.

Dado Villa-Lobos surtando nas guitarras como um príncipe dos anos 80 e o fantasma de Renato Russo profetizando, lá atrás, os sombrios dias atuais. “Não é difícil aprender/Todas as manhas do seu jogo sujo/Não é assim que tem que ser/(…) Suas crianças derrubando reis/Fazer comédia no cinema com as suas leis”, escreveu.

Em Baader-Meinhof Blues, um grito de raiva explode no espaço quando o André Frateschi cantou os versos: “Essa justiça desafinada e tão humana e tão errada”. No conto gay soldados, uma pergunta que também não quer calar: “Quem é o inimigo? Quem é você? Nos defendemos tanto tanto sem saber porque lutar”, eco enigmático.

Já se foram 30 minutos e lá vem a segunda parte do show com mais choque de realidade vindo direto do túnel do tempo, do passado mais. “Os sonhos vêm e os sonhos vão/E o resto é imperfeito”, diz a letra da melancólica e lisérgica, Há tempos. Em Teatro dos Vampiros,  uma constatação bizarra sobre a crise econômica de hoje com os 11 milhões de desempregados. “Vamos sair/Mas não temos mais dinheiro/Os meus amigos todos estão/Procurando emprego”, registrou o líder da Legião, nos anos 90, falando sobre os negros anos Collor.

A epígrafe desses dias de melancolia patética bem que poderia ser: “Nos deram espelhos e vimos um mundo doente/Tentei chorar e não conseguir”.

* Este texto foi escrito ao som de: Legião Urbana (1985)Legião Urbana

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