A Luneta do Tempo (2014)

Luneta do tempo

No filme marcado pelas lembranças do artista pernambucano sobre o mito do cangaço e seu maior ícone, Lampião rouba uma luneta mágica de Satanás

Se você correr ainda dá tempo de ver no Cine Brasília a estreia de Alceu Valença no cinema. Artista criativo e inquieto, o pernambucano cismou que tinha jeito para cineasta quando visitou a fazenda onde se criou e cresceu, na pequena São Bento de Una (PE), após a morte do pai. As lembranças das histórias que o coroa lhe contava vieram à tona em sua cabeça, com predominância das aventuras de Lampião e Maria Bonita. Esse é o enredo do seu filme.

Uma visão bastante pessoal sobre o maior mito do cangaço, A Luneta do Tempo é bastante original em sua construção narrativa. A história é contada em estilo de cordel e, assim como sua conversa divertida e inteligente, tem ritmo frenético. O projeto levou 14 anos para ficar pronto, mas ficou do jeito que o cineasta neófito queria.

Na trama, Lampião (Irandhir Santos), vê o futuro por meio de uma luneta mágica. É valente, mas dado a romantismo sem medida ao lado da amada Maria Bonita (Hermila Guedes), com quem corta o sertão nordestino fugindo dos homens do governo. “Como foi que você conseguiu essa luneta, Lampião?”, indaga sua amante. “Tomei de Satanás”, responde evasivo.

Para aqueles que estão acostumados com um cinema convencional e didático, o filme de Alceu Valença pode assustar. Apesar de flertar com as nuances popular do universo de Ariano Suassuna, tem uma pegada glauberiana que dificulta o entendimento do enredo. Isso não é um problema, já que estamos falando aqui de lirismo narrativo. De modo que as pessoas têm que sentir o filme e a ótima trilha sonora escrita por ele mesmo, claro, facilita essa relação.

O artista, que além da trilha e direção também assina o roteiro e montagem da produção, faz uma pequena ponta no seu musical, na pele do palhaço Quiabo. Essa não é a primeira experiência cinematográfico de Alceu Valença. Lá atrás, em 1974, ele foi o protagonista de Sérgio Ricardo no também musical, A Noite do Espantalho. De modo que A Luneta do Tempo só foi uma maneira dele se lembrar de como foi brincar de cinema.

* Este texto foi escrito ao som de: Cavalo de pau (Alceu Valença – 1982)

Cavalo de pau

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