A Simplicidade Moderna de Mondrian

Mondrian

Uma grande caixa de luz brilhando no gramado do CCBB como se fosse a pedra de Bolonha de Goëthe, mas eram um artista holandês moderno

A simplicidade dos traços do pintor holandês Piet Mondrian (1872 – 1944) chega a ser infantil, mas é de um espasmo revolucionário impressionante. Um tour pela exposição, Mondrian e o Movimento De Stijl, nos leva a uma viagem mágica pelos meandros de um estilo (Stilj) que mesclou geometria e combinações líricas de cores primárias, influenciando meio mundo, de pintores, claro, passando por arquitetos, designers gráficos, decoradores, estilistas, publicitários e até cineastas.

Impressionante a força que a Holanda, um país minúsculo europeu, mas de forte tradição, tem na cultura pictórica. Rembrandt, Van Gogh, Mondrian. Nomes emblemáticos da pintura que constrói uma teia de impressões visuais que atravessam séculos e nos apaixonam.

Um dos pioneiros da arte abstrata, Mondrian é moderno e sofisticado, com sua mistura envolvente de equilíbrio, harmonia, leveza e contrastes delineados a partir de traços geométricos horizontais/verticais e cores básicas que, aparentemente, não dizem nada, mas provocam sensações, sentimentos. Não sei você, mas deu vontade de sair do CCBB ouvindo Jazz. Aliás, era o que rolava constantemente em seu ateliê, quando ele descobriu o ritmo.

Mondrian estava tão à frente de seu tempo, que alguns de seus trabalhos remetem à cultura pop. Lembra, por exemplo, a arquitetura arrojada do americano Frank Lloyd Wright. Quando olho para a pintura, Composição com Grade, de 1919 penso no álbum do Talking Heads, More Songs About Buildings and Food. Seu último trabalho, a tela Victory Boogie Woogie, avaliada em milhões, traz no título uma busca inconsciente que iria dar no rock nos anos 50, imagino.

Muitas capas de discos de Jazz foram desenhadas tendo em mente a plasticidade dos desenhos de Mondrian, assim como dezenas de cartazes de filmes. Um que me vem à cabeça agora é O Pecado Mora ao Lado, do mestre Billy Wilder.

Uma das atrações da exposição, Mondrian e o Movimento De Stijl, é a grande caixa de luz que personifica em dimensões gigantes, a tela, Composição Com Grande Plano Vermelho, Amarelo, Preto, Cinza e Azul, de 1921, talvez o símbolo máximo de estética. Imponente, quase onírica, ela ressoa como uma grande caixa de luz no gramado do CCBB. É uma espécie de pedra de Bolonha de Goëthe com cores alegres modernas.

…Não queria ir embora dali nunca mais…

* Este texto foi escrito ao som de: Time Out (Dave Brubeck – 1959)

Time Out

 

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