Prince, o Príncipe…

Prince

O artista roubando a cena durante um show de Tom Petty, ao solar, de forma magistral, na música “While My Guitar Gently Weeps”, do George Harrison…

É fácil gostar de um artista depois que ele morre. Muita gente só presta atenção no cara depois que ele já era, partiu dessa para melhor. O sujeito não ouvia falar de seu “ídolo”, há séculos e, de repente, ele passa a ser a estrela da sua existência só porque não existe mais. Típico.

Bem, não era fã de Prince, como não era grande admirador do Michael Jackson. De modo que não os conheciam o suficiente a ponto de admirá-los, assim, digamos, loucamente. Apenas o reconheciam como grandes artistas que revolucionaram a música. Cada um dentro de seu estilo e ousadia criativa.

De modo que, desde sua morte, no último dia 21, há bastante tempo que não ouvia falar do Prince. E não porque ele estivesse no ostracismo ou fosse um astro medíocre em franca decadência. Nada disso, ele não só não  gravitava em minha órbita afetiva musical.

Acho que a última vez que ouvi falar do Prince foi quando ele passou a adotar um símbolo maluco impronunciável como nome. Antes disso, quando ele lançou a trilha sonora do Batman do Tim Burton e, claro, por causa de Purple Rain que, não sei por que, eu achava, veja só, que era um cover do Jimi Hendrix. Viu como não sou, realmente, fã do cara?

Acontece que, nos últimos dias, o sujeito parece que andou me perseguindo. Fui ali na Rádio Cultura, gravar um programa sobre pioneiros de Brasília, e um especial sobre o artista estava no ar. Fui pesquisar sobre o George Harrison na internet e lá estava ele solando como se fosse um anjo da guitarra na canção While My Guitar Gently Weeps ao lado do Tom Petty. Estava lendo uns textos do Nick Hornby sobre canções marcantes de sua vida e o Prince é citado.

De modo que, movido por curiosidade obtusa, arregacei as mangas e fui ouvir seus discos fundamentais e o que constatei é que, Elvis pode ter sido o rei, meu chapa, mas Prince era, de fato, o Príncipe. E por vários motivos. Com sua figura andrógena, sensual e provocante, ele, que além de compositor também era de baita produtor e músico, estava à frente de seu tempo.

Quer ver? Lançado em 1982, o psicodélico-funk-rock ‘n’soul, 1999, parece, como de fato o título elucida, vindo de um futuro recente. Antes disso, ela já tinha dito a que veio com o cínico e debochado, Controversy, de 1981. Sign O’ The Times, de 1987 revela os caprichos de um gênio onde ele, entre outras coisas, presta homenagens a ídolos como Joni Mitchell e Sly Stone.

“Sempre disse que um dia eu tocaria todos os tipos de músicas e não seria julgado pela cor da minha pele, e sim pela qualidade do meu trabalho”, disse certa vez durante uma entrevista à MTV. “Tudo o que ouviram dizer sobre mim é verdade: eu mudo as regras e faço o que quero”, alfinetou em 1982.

Mas daí tem o disco que dá título a sua canção mais emblemática, Purple Rain, que vendeu, só nos EUA, mais de 13 milhões de cópias. O álbum, com sua pegada pop, rock, soul cheia de guitarras distorcidas e batidas eletrônicas, teve a pretensão de ter sido lançado no auge da carreira de grandes ícones do gênero como Madonna e Michael Jackson. E detalhe, sobreviveu aos dois.

* Este texto foi escrito ao som de: Purple Rain (Prince And The Revolution – 1984)

Purple Rain

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