Mais Forte Que Bombas (2015)

Mais Forte Que Bombas 2

Jesse Eisenberg e a revelação deste drama intimista, Devin Druid, numa das melhores cenas do filme dirigido pelo dinamarquês Joachim Trier

Mais Forte Que Bombas é um drama intimista do diretor dinamarquês Joachim Trier que, já vou dizendo, não tem nenhum parentesco com o polêmico conterrâneo Lars Von Trier. Ainda em cartaz na cidade, narra os conflitos de uma família classe média alta norte-americana em crise após a morte da mãe num trágico acidente de carro. Ela é Isabelle Reed (Isabelle Huppert), uma respeitada fotógrafa de guerra que parece ter cansado da vida. Despedaçados, pai e dois filhos tentam seguir em frente.

Mas não é fácil catar os cacos de uma vida afetiva que se foi. Gene (Gabriel Byrne), por exemplo, tenta administrar a própria dor da perda com os filhos Jonah (Jesse Eisenberg) e Conrad (Devin Druid), esse último um adolescente problemático com quem entra em atritos constantemente. “Será que é impossível ter um diálogo entre nós dois”, reclama.

Ao mesmo tempo, um segredo na relação do casal irá desmitificar a figura dessa mulher independente com urgente espírito escapista. Caberá a cada um deles, junto com os demônios pessoais que os acompanham, filtrar a situação e saber lidar com o que sobrou para seguir o caminho com mais leveza.

A fotografia azul plúmbeo do filme denuncia a angústia narrativa da fita que tem um clima fantasmagórico pertinente. Acentua-se com os personagens das fotografias tiraras por Isabelle conversando com os personagens em crise da trama.

Um dos pontos altos Mais Forte Que Bombas é interpretação contundente de todos em cena. Destaque para o jovem Devin Druid, uma revelação daquelas pouco vistas no contemporâneo cinema hollywoodiano. É ele que, com seu silêncio perturbador, norteia as impressões do espectador quanto aos conflitos que dançam na trama. O diálogo que tem com o irmão sobre a superficialidade e crueldade do ensino médio é exemplar.

Enfim, nada mal para o primeiro filme de projeção internacional do dinamarquês Joachim Trier, que se mostra mais sutil quanto aos dramas humanos do que o extravagante Lars Von Trier.

* Este texto foi escrito ao som de: Jackson Browne (1970)

Jackson Browne

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s