Cheiro de chuva no ar…

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Cheiro de terra molhada no ar e de repente minha infância querida me vem à memória com toda a força da saudade… Tempos bons que não voltam mais…

Cheiro de terra molhada no ar. Gosto de chuva na boca. Poderia ser de sangue, como nos tempos das crônicas do Nelson Rodrigues, quando as pessoas morriam sufocadas pela tuberculose, mas o que perpassa os meus pulmões por esses dias cinza é um gosto de umidade sincera. Não sei por que, mas ando bem proustiano ultimamente, de uma melancolia infantil… Que mágico seria sentir o gosto molhado da língua dela na minha boca, só pra aquecer minha alma…

Ela lava o cabelo com o shampoo de criança, o que lhe dá um toque todo especial. É como se estivesse acabado de sair do banho ou tivesse feito algo diferente no cabelo… E isso me faz sentir tão bem, me deixa tão feliz… O vento lá fora está avisando que o frio está chegando, o céu vermelho conspira a favor, mas está tão quente aqui dentro de mim, no meu peito. Especialmente quando penso nela. E isso é o tempo todo, porque penso nela o dia inteiro…

Cheiro de terra molhada no ar. De repente, minha infância querida me vem à memória com toda a força que a saudade tem, me fazendo lembrar do barro molhado junto ao junco, da mangueira gigante onde brincávamos de super-heróis e a Cidadela dos Robinson. E de como escondíamos os pés descalços nas folhagens quando o frio vento da chuva tomava de assalto o quintal. Tempos bons que não voltam mais…

Ontem choveu fraco na hora do almoço, mas o cheiro de terra molhada, misturado com cimento úmido me deu uma sensação boa… Era como se eu sentisse minha alma levitando, meu coração brincando de ser feliz, uma cócega gostosa estivesse dentro da minha cabeça, lá onde ficam as gavetas das boas e doces recordações. Quem disse que cinza não é uma cor bonita? Quem disse que cinza é a cor da tristeza? Cinza é a cor da minha alegria… A escuridão é pior do que essa luz cinza, já dizia um poeta daqui…

…Acho que ele tem razão…

* Este texto foi escrito ao som de: I am the cosmos (Chris Bell – 1992)

Chris Bell

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