Frida kahlo e as mulheres artistas do México

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Os deslumbrantes vestidos usados pela artista plástica são uma das várias atrações dessa formidável exposição da Caixa Cultural

Quando quis se libertar do sistema, das ideologias opressivas da política e até do cinema, o cineasta russo Serguei Eisenstein não pensou duas vezes, foi para o México. Lá, ele se encontrou nas artes e na vida. Um passeio pela exposição Frida Kahlo – Conexões Entre Mulheres Surrealistas no México, em cartaz na Caixa Cultural até o dia 5 de junho, dá uma ideia do que talvez ele tenha fascinado tanto por lá o diretor de pérolas como O Encouraçado Potemkin (1925) e Outubro (1927).

São pinturas, esculturas e fotografias de 15 artistas que forjaram uma identidade ao surrealismo na América Latina a partir das impressões oníricas, subjetivas, pessoais e relação visceral que elas tiveram com a vida, com a maneira de encarar o cotidiano que a cercava, com a marcante cultura popular local. Liberdade criativa diluídas em sonhos surreais que revelam contundente catarse psicológica e espiritual dessas artistas.

No olho do furacão dessa ebulição cultural, a figura sui generis da inconfundível artista plástica Frida Kahlo. Mirradinha, com longas e peludas sobrancelhas e discreto bigodinho sobre os lábios, ela provou que ser feia era sinônimo de beleza e que ousadia e coragem eram combustíveis poderosos conta a hipócrita, machista e conservadora sociedade de seu tempo.

“Pinto a mim mesmo por que sou sozinha e por que sou um assunto que conheço melhor”, disse, referindo-se as dezenas de autorretrato que fez de si mesma.

Pois bem, junto com um grupo de mulheres do México e exiladas estrangeiras formidáveis, Frida Kahlo deu voz e traços à expressão artística feminina de seu país a partir de obras norteadas por cores vivas e de uma autenticidade contagiante. E o legal da exposição é você conhecer o trabalho dessas outras artistas independentes de seu tempo.

Ok, confesso que prefiro o surrealismo europeu niilista de Salvador Dalí e sua turma, mas não tem como não se deixar se impressionar com os trabalhos pungentes dessas mulheres ousadas e independentes. Obras como Torso, de Lola Álvarez Bravo, Alegoria do Trabalho, de María Izquierdo e aquela boneca bizarra da tela, A Noiva Que se Espanta ao Ver a Vida Aberta, dea própria Frida Kahlo, são impressionantes.

Um trabalho específico na exposição despertou minha atenção. É o da arquiteta Ruth Rivera Marín – filha do muralista Diego Rivera. Trata-se de um ensaio fotográfico onírico em que uma mulher com longas madeixas se deixa envolver pelos braços de um enorme tronco de árvore à beira-mar, como se ela fosse assim, uma espécie de sereia surrealista.

Para mim, a foto é o resume dessa mostra.

* Este texto foi escrito ao som de: Somewhere in England (George Harrison – 1981)

George Harrison - Somewhere in England

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