Perfume de Gardênia (1992)

Christiane Torlone 2

No filme, Christiane Torlone é uma dona-de-casa que, da noite para o dia, para desgosto do marido ciumento, vira uma estrela do cinema e da televisão

As novas gerações não sabem, mas Guilherme de Almeida Prado foi um dos cineastas mais criativos do cinema nacional da década de 80 e início dos anos 90. Pior, nem desconfiam que ele ainda está na ativa. Oriundo da Boca de Lixo, onde começou como assistente de direção, esse paulista de Campinas realizou filmes marcantes como A Dama do Cine Shanghai (1987) e Perfume de Gardênia (1992), esse último, de bobeira outro dia no Canal Brasil. Revi.

Para quem não sabe, a obra do diretor é essencialmente metalinguística. Em suas tramas, os personagens sempre vão falar de cinema, viver o cinema e fazer referências ao cinema. A citação explícita aqui é o sensacional filme do mestre Rogério Sganzerla, O bandido da Luz Vermelha (1968). Daí a participação, logo nos primeiros minutos de filme, da dupla símbolo do Cinema Marginal Helena Ignez e Paulo Villaça.

É a história de Aldagisa Diniz (Christiane Torloni), uma dona-de-casa que, da noite para o dia, vira Star. Coisas de cinema, com ares de novelão mexicano. Acontece que o marido é um taxista machista e quadradão vivido por José Mayer e o cara não quer saber dessa história da mulher mostrando todo o seu sex appeal para deus e o mundo no cinema e na televisão. Resultado: ela vai embora, deixando para traz ele e o filho pequeno.

“Ela não é de ninguém e é de todos, de quem pagar melhor”, desabafa, inconformado, ao filho, agora adulto, que acabou de reencontrar a mãe.

O clima soturno de filme noir – uma marca do diretor -, está lá, assim como a predominância de ambiente marginalizado, com seus personagens em conflitos cotidianos. Deslumbrante, Christiane Torloni é um sundae de carne e osso em cena, um sorvete de morango com pitadas de sangue quando ela se veste de vampira fatal.

Negligenciado comercialmente nos cinemas no apagar das luzes do Governo Collor, o filme é uma dessas peças cultuadas do cinema nacional. Lamentável que a pequena, mas densa obra do diretor não esteja ainda disponível em DVD.

* Este texto foi escrito ao som de: Pérola Negra (Luiz Melodia – 1973)

Pérola Negra - Luiz Melodia

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