A Hora da Estrela – Clarice Lispector

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Em “A Hora da Estrela”, o último livro que escreveu, a autora fala da árdua vida da retirante nordestina Macabéa na cidade maravilhosa

Clarice Lispector é um mundo. É toda uma experiência de vida e morte. Uma experiência de existência. Uma experiência literária e artística marcantes. Com sua escrita moderna, mordaz e confessional, ela nos encanta e espanta. Afaga e atormenta. Enfim, primeiro ela nos Ilude em sua trama pragmática e reflexiva, para depois jogar na cara a dura e triste realidade que nos cerca. Seja ela social, existencial ou moral.

“Tudo no mundo começou com um ‘sim’. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida”, escreve a autora naquela que é sua obra mais reverenciada: “A Hora da Estrela”. “Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho”, continua.

Lançado no ano de sua morte e adaptada para o cinema pela cineasta Suzana Amaral, o livro narra as peripécias de uma retirante tentando a sorte no Sul Maravilha. No caso aqui, a Cidade Maravilhosa. A protagonista é a datilógrafa Macabéa, espelho de muitas mulheres nordestinas que enfrentaram a triste realidade da cidade grande na pobreza ou o como a escritora gostava de descrever, numa espécie de “miséria anônima”.

Ao conhecer o operário Olímpico de Jesus, eis que a trama ganha uma abordagem social a partir do conflito de classes. “’Metalúrgico e datilógrafa’ formavam um casal de classe”, ironizava Clarice.

O laborioso ato de escrever paira sobre a narrativa por meio da figura do narrador Rodrigo S. M., uma espécie de alter ego da autora de origem ucraniana. Essa discussão metalinguística corre paralelamente à aventura urbana de Macabéa, embora não interfira de forma direta na trama. “As palavras são sons transfundidos de sombras que se entrecruzam desiguais, estalactites, renda, música transfigurada de órgão”, desabafa o narrador.

Em rara entrevista que deu falando sobre a gênese dessa obra, no final da vida, Clarice Lispector revelou que algumas passagens da história foram inspiradas em sua vida. O emblemático episódio da cartomante é um deles.

* Este texto foi escrito ao som de: John Wesley Harding (Bob Dylan – 1967)

John Wesley Harding

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