O Morro dos Ventos Uivantes (1939)

O Morro dos Ventos Uivantes

Clássica versão com Lawrence Olivier e Merle Oberon é uma das mais impactantes e sombrias adaptações da obra de Emile Brontë

 

Antes de morrer em 1848, aos 30 anos, vítima de tuberculose, Emile Brontë escreveu um único romance registrado com o pseudônimo de Ellis Bell. Desde então a história de amor entre um serviçal e sua ama tem emocionado milhares de pessoas mundo afora, imortalizada talvez como uma das mais marcantes aventuras do gênero de todos os tempos. Como essa adaptação para o cinema do mestre William Wyler, indicada a nove Oscars.

Na trama que se passa nas desertas charnecas de Yorkshire, Inglaterra, uma mansão sombria e solitária no meio do nada esconde perturbadores fantasmas do passado. É ali que vive com o coração cheio de mágoa e dor Heachtcliff (Lawrence Olivier), cuja trajetória na casa começou ainda menino, depois de ser salvo da sarjeta por um golpe de misericórdia e humanismo.

Sua chegada ao local plantou uma semente de cálida esperança no coração da jovem Cathy (Merle Oberon), mas despertou a hostilidade do irmão mais velho (Hugh Williams), um garoto mau caráter que cresce viciado em jogo e uma taça de vinho. Quando o patriarca da casa morre, Heathcliff é rebaixado à condição de criado, sofrendo as piores humilhações. O que não o impedi de nutrir paixão arrebatadora por Cathy.

“Nada é real lá embaixo. Nossa vida é aqui”, diz ele, ao trocar ardentes beijos de desejos com a amante no Morro dos Ventos Uivantes.

Marcado por densa narrativa social, o livro de Emile Brontë causou polêmica na época por romper com certo romantismo na criação dos personagens, desenhando personalidades distorcidas pela ganância e adoração ao materialismo. Um claro exemplo dessa abordagem é Cathy, uma menina no começo dócil que se deixa corromper pela vaidade, se tornando uma nobre fútil e esnobe.

“É isso que eu represento para você?! Um par de mãos sujas?”, se desespera Heathcliff.

Embora não seja a única adaptação do clássico texto de Emile Brontë para os cinemas, essa versão seja uma das mais famosas e importantes, com seu velado clima de terror. O final da trama melodramático, mas exemplar, é redentor. Provando que o amor pode ser e sempre será maior do que a morte ou qualquer empecilho.

* Este texto foi escrito ao som de: Black Sabbath (1970)

Black Sabbath

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2 comentários sobre “O Morro dos Ventos Uivantes (1939)

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