Nada de novo no front – Erich Maria Remarque 2

Nada de novo no front 2

No romance, a mistura de relatos humanos e realidade dos conflitos são chocantes, beira à loucura claustrofóbica… Fome, medo, frio, opressão física e psicológica… Está tudo lá…

 

Quase ninguém parou para pensar sobre isso. Mas a verdade é que o cinema sempre glamourizou as guerras nas telonas. Sobretudo o cinema norte-americano, salvo uma ou outra exceção. Algumas produções europeias até impressionam pelo realismo com que tratam o tema, como um filme polonês que vi recentemente – e do qual não lembro o título -, mas de resto é tudo pirotecnia visual.

A literatura universal tem sido mais honesta com o público em relação aos conflitos mundiais e o romance alemão, Nada de novo no front, de Erich Maria Remarque, que estou acabando de ler, é uma prova obtusa dessa premissa. Como já foi descrito aqui, ex-combatente da 1ª Guerra Mundial, o autor não faz uso da maquiagem narrativa para amenizar os horrores no front.

No romance, a mistura de relatos humanos e realidade dos conflitos são chocantes, beira à loucura claustrofóbica. Paul, o narrador da trama, faz relatos tristes e atormentados da situação. Fome, medo, frio, saudade, opressão física e psicológica, angústia, enfim, o cheiro de podridão nos campos e crateras da morte. Está tudo lá. As notícias que chegavam do front para os familiares daqueles que estavam lutando eram apavorantes.

“Desamparados como crianças, e experientes como velhos, somos primitivos, tristes superficiais… Acho que estamos perdidos”, é dito em dado momento. “Para cada veterano, morrem de cinco a dez recrutas. (…) Cento e vinte homens jazem por aí cheios de tiros; é uma desgraça, mas o que temos a ver com isto, uma vez que estamos vivos?”, alguém lembra em dado momento.

Uma das passagens mais perturbadores do livro é aquela em que um soldado sabe que vai morrer e pede para os colegas fazerem o inventário de seus pertences. O objeto mais cobiçado são as botas. Um artigo de luxo em tempos de decadência moral humana.

* Este texto foi escrito ao som de: Blood sugar sex magik (Red Hot Chili Peppers – 1991)

RHCP

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