O voo do Camaleão do rock… Dentro de mim…

Lazarus 2

Mestre na arte da reinvenção, astro das mil facetas eternamente em mutação, David Bowie saiu de cena assim como entrou: com elegância…

Por que algumas pessoas morrem, quando elas bem que poderiam ser deuses ou simplesmente eternas? Uma frase clichê. A manhã de ontem amanheceu mais triste com a morte do astro pop David Bowie. Na verdade, a notícia pegou todo mundo de surpresa. Sim, porque todo mundo talvez achasse que ele fosse eterno mesmo. Outra pergunta boboca de desespero. Como viver num mundo sem David Bowie agora? Muito fácil, ouvindo suas músicas por que, essas sim, são e serão eternas. E ontem mesmo quase tive uma overdose, assim, de David Bowie. Fui de Space Oddity a Low sem intervalo nenhum. Senti meus ouvidos sangrarem… Mas… Sobrevivi… Acho…

Mestre na arte da reinvenção, astro das mil facetas eternamente em mutação, David Bowie foi um visionário andrógino por extrapolar os caminhos da música com um tipo de performance que flertava com moda, teatro e audiovisual. Ou seja, era multimídia quando a palavra nem era conhecida direto. E assim, extravagante e inovador, se tornou um dos artistas mais importantes das décadas de 70 e 80. Portanto, não seria exagero dizer que Bowie influenciou mais artistas do que os Beatles.

Bom, como na maioria dos jovens que gostava de música, David Bowie entrou em minha vida via Nenhum de nós. Você estava lá, sabe do que estou falando, a banda gaúcha que conquistou as ondas sonoras do país no final dos anos 80 e início dos anos 90 com o hit Astronauta de mármore, versão do sucesso Starman, um dos clássicos conceituais do álbum The rise and the fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1972).  Low (1977) até hoje me deixa pregado no chão ou no teto quando ouço…

Mas o primeiro David Bowie que comprei foi The man who sold the world (1970), num sebo bem ali na Augusta, em São Paulo. E sempre gostei daquela capa estilosa, um misto de ousadia, provocação e deboche. Sim, porque depois daquela foto, os homens podiam vestir saias e porque não! E enquanto o resto da humanidade estava sendo preguiçosa, lá estava o Starman sendo inovador e contestador.

Nascido em 8 de janeiro de 1947, David Robert Jones aprendeu a tocar saxofone aos 13 anos e aos 15 montou sua primeira banda. Várias tentativas fracassadas depois levaram a concluir que a carreira solo seria o mais correto, se lançando apenas como David Bowie em 1969, com o álbum Space oddity, um marco com suas referências veladas às corridas espaciais.

“Estou dando um passo para fora da porta/E estou flutuando de um jeito mais peculiar/E as estrelas parecem muito diferentes hoje”, diz um trecho da canção.

No filme do José Eduardo Belmonte, A concepção, eu descobri que existia o álbum Hunky Dory (1971) só por causa da belíssima Oh! You pretty things. Depois de se metamorfosear de Ziggy Stardust, veio a fase alemã com trabalhos sui generis como Low (1977) e Heroes (1977). Foi quando conheci preciosidades como Iggy Pop, Lou Reed e Kraftwerk. Outro dia, vendo Francis Ha (2012), me surpreendi ouvindo Modern love, do álbum Let’s dance (1983).

O último disco do astro britânico, Blackstar, é sombrio e seco, trazendo como música de trabalho Lazarus, curiosamente uma referência bíblica do amigo de Jesus ressuscitado por ele. O clipe, bizarro, mete medo. Mesmo assim, uma bela despedida. David Bowie saiu de cena como entrou, ou seja, com elegância.

* Este texto foi escrito ao som de: Honky Dory (David Bowie – 1971)

Hunky Dory

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