Os oito odiados (2015)

Os oito odiados

Brincando com o gênero norte-americano por excelência, Quentin Tarantino traz nas entrelinhas questões morais e sociais que até hoje afetam a sociedade norte-americana

Dizer que o cinema de Tarantino é repetitivo é cuspir para cima, não sabe o que diz. Assim como Woody Allen, Domingos de Oliveiras e meia dúzia de tantos outros diretores, o cineasta norte-americano recicla o seu estilo de contar histórias nas telonas, sempre apresentando algo diferente, irreverentemente contundente. No final, tudo se resume a diversão, o mínimo que os fãs dele esperam.

 

Em Os oitos odiados, seu oitavo filme – daí a gozação do título -, Tarantino conta a história de oito pessoas perdidas num Velho Oeste estilizado e filmado em esplendoroso formato 70mm. Diga-se de passagem, infinitamente melhor do que essa bobagem de filme 3D. A trama começa com uma diligência cruzando a neve no meio do nada, levando um caçador de recompensas (Kurt Russell) e sua prisioneira (Jennifer Jason Leigh) para o seu destino fatal: a forca. A cena em que a câmera numa grua desliza ao redor de uma estátua de Cristo crucificado é hipnotizante de tão bela.

Logo a carruagem é parada e outro caçador de recompensa vivido por Samuel L. Jackson é convidado a completar a viagem. Não sem antes se envolver num diálogo absurdo típico dos filmes do Tarantino tendo como tema a Guerra Civil norte-americana, racismo e uma carta escrita por Abraham Lincoln. Tudo com muito humor e cinismo crítico social e histórico.

A segunda parte da trama, mais interessante e que se passa num restaurante de beira de estrada, é o que resume o estilo trash kitsch pop do diretor. Ali é aonde os oito personagens do título irão se encontrar e travar um duelo verbal de vida e morte que jorrará sangue na tela, quase respingando no público.

Com total controle do roteiro e da mise-en-scène que ele propicia, Tarantino, na linha dos irmãos Cohen, brinca aqui o gênero norte-americano por excelência, o faroeste, para falar sobre questões sociais e morais que até hoje afetam a sociedade norte-americana. Do ponto de vista cinematográfico é um filme para se deleitar descansado e com bastante paciência. E, apesar da violência exagerada e caricata, sua marca registrada, por sinal, trata-se de um filme seríssimo. Embora um pouco superestimado, Quentin Tarantino é um dos grandes do cinema contemporâneo.

* Este texto foi escrito ao som de: Highway to hell (AC/DC – 1979)

Highway to hell - ACDC

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2 comentários sobre “Os oito odiados (2015)

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