Todo mundo tem problemas sexuais (2008)

Problemas sexuais

Cláudia Abreu e Pedro Cardoso realizam fantasias sexuais no cinema e no teatro

Perto de completar 80 anos, Domingos de Oliveira é o tipo de intelectual brasileiro que não fica chorando pitangas porque o governo não faz, não dá ou não ajuda a classe artística. Ele simplesmente se debruça sobre os parcos recursos que tem e, volta e meia, desenterra projetos irreverentes e inteligentes que levam para os palcos ou telonas. É assim que ele ganha a vida, sobrevive, ou seja, reciclando, de forma mágica, os temas universais que aborda desde que começou a bater uma máquina de escrever: o amor, o sexo, a vida…

 

Baseado em peça de grande sucesso que levou mais de 200 mil espectadores, Todo mundo tem problemas sexuais – exibido outro dia no Canal Brasil – é uma mescla das duas linguagens. Mas o diretor explica que, para ele, a dramaturgia sempre estará acima da sétima arte. “Para emprestar ao cinema alguns dos poderes do teatro, que é mais velho”, diz.

Na trama baseada nas cartas anônimas recebidas pelo terapeuta Alberto Godin, que assina a coluna Vida íntima do jornal O Globo, histórias absurdas e hilárias envolvendo os dois sexos ganham vidas por meio de interpretações impagáveis de Pedro Cardoso, Priscilla Rosenbaum, Cláudia Abreu, Orã Figueiredo, Paloma Riani e Ricardo Kosovski.

Numa delas, casal entre em crise depois que a mulher descobre que o marido usa viagra. “O que há, o viagra é o Gatorade de piroca!”, protesta o marido vivido pelo ótimo Pedro Cardoso.

Noutro episódio, Orã Figueiredo vive um chefe que perde as estribeiras depois de encher a cara numa confraternização do trabalho, dando em cima de uma das funcionárias casadas. Bem à vontade, Pedro Cardoso rouba a cena em dois esquetes. Um vivendo um balconista de farmácia dono para comer a amiga assanhada e gostosa e outro na pele de um marido que surpreende a esposa ao revelar fantasia sexual transgressora.

“Na cama você pode fazer o que quiser comigo. O meu prazer é dar prazer”, tranquiliza a esposa vivida por uma deliciosa Cláudia Abreu.

A leveza da narrativa se faz jus na montagem maneira que mistura cenas do filme reproduzidas em cima dos momentos mais marcantes da montagem pelo Brasil afora. Um momento que mostra não apenas como o texto de Domingos de Oliveira empolga o público, mas evidência entrosamento afiado do elenco nos palcos e nas telas.

* Este texto foi escrito ao som de: Olhos felizes (Marina – 1980)

Olhos felizes

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