Nada de novo no front – Erich Maria Remarque

Nada de novo no front

Relato frio e realista da I Guerra Mundial chocou o mundo que tinha uma visão romântica e heroica do conflito. O autor foi soldado durante o conflito 

O pessimismo lírico do título desse clássico da literatura universal sempre me saltou aos olhos. O que não explica a razão de eu ter deixado tanto tempo a obra mofando numa das minhas estantes mágicas sem lê-la. Contudo, bastou eu rever as aventuras do cineasta Billy Wilder pela Europa durante os anos 20, para sentir novamente curiosidade de ler esse romance que traz um relato triste da I Guerra Mundial, desmitificando, então, a narrativa romântica e heroica que se faziam do combate.

O realismo do texto se deve ao fato de o autor Erich Maria Remarque ter lutado no conflito, no qual se feriu três vezes, num desses gravemente. Adaptado para o cinema em 1930, um ano após sua publicação, o livro denuncia a crueldade e estupidez da I Guerra (mas qual guerra não é estúpida?), trazendo ao conhecimento do grande público o dia a dia dos soldados que lutaram e perderam sua vida no front. Longe de ser combatentes, eram homens neuróticos, maltrapilhos, assustados e com medo.

“Estranhamente, Behm foi um dos primeiros a morrer. Durante um dos ataques foi atingido nos olhos por uma bala”, comenta, melancólico, o narrador, revelando o fato que a vítima foi um dos recrutados que não queria lutar, sendo chamado de “covarde”.

O cheiro de fenol, pus e suor que infesta os hospitais de campanha, assim como o autoritarismo sádicos dos superiores, são narrados com um toque de humor negro e rancor melancólico. “Engraçado como o infortúnio do mundo provém tão frequentemente de homens baixos: são muitos mais enérgicos, de gênio muito pior do que os indivíduos altos. (…) Em geral são uns carrascos”, descreve o autor.

Depois que voltou da guerra, Erich M. Remarque travou novo combate para sobreviver num país destruído pela guerra, trabalhando como pedreiro, motorista, organista, agente de negócios e crítico de arte. Algumas dessas experiências resultaram em outras obras como O caminho de volta (1931), Três camaradas (1937) e Arco do triunfo (1948), adaptado para o cinema e protagonizado pela diva nórdica, Ingrid Bergman.

* Este texto foi escrito ao som de: Tristão e Isolda (Richard Wagner -1857/1859)

Tristão e Isolda

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