Billy Wilder – Cruel como um espelho

Billy Wilder

O diretor fazia um tipo de cinema em que desnudava as mazelas e imoralidades dos seres humanos com muito humor e inteligência

Ele nasceu na Polônia, quando o país fazia parte do império austro-húngaro e logo cedo foi embora para Viena, Áustria, onde cresceu, bem antes de Hitler dar as caras por lá e tocar o terror no resto do mundo. O que não impediu, anos mais tarde, de assistir uma sessão de cinema com o ditador nazista duas salas adiante da sua e de ter levado um fora traumatizante de Sigmund Freud, quando tentou entrevistá-lo nos seus tempos de jornalista.

 

– O senhor é jornalista? – teria perguntado o pai da psicanálise, que não titubeou diante de um sim – Por favor, a porta é por ali!

Bem, um sujeito que tem uma biografia tão empolgante como essa, antes mesmo de completar os 30 anos, claro que estava a um passo de se tornar alguém na vida, fosse lá qual caminho ele seguisse. E contar histórias sempre foi o grande talento de Billy Wilder, um dos maiores cineastas que Hollywood já teve.

Mas antes de dirigir filmes, Wilder escrevia roteiros, e foi como amigos das “pretinhas”, que batia incessantemente numa máquina de escrever, que fez fama na Paramount. Como não dominava bem o inglês, que aprendeu rápido, mas com forte sotaque, contou com parceiros brilhantes que o ajudavam a organizar as ideias brilhantes que tinha. Um desses casamentos profissionais marcantes foi com Charles Brackett. O romeno I.A. L. Diamond era o outro.

A marca registrada de seus filmes era o cinismo, com o qual ele desmascarava a hipocrisia humana com tramas cheias de perfídia, sarcasmo e sensualidade imoral. Para o jornalista Ruy Castro não restava dúvidas. Fosse Billy Wilder o diretor de Os dez mandamentos, ele iria fazer os egípcios cobrar pedágio do povo de Deus para cruzar o mar vermelho.

Alguns dos clássicos que dirigiu foram: Farrapo humano (1945), Crepúsculo dos deuses (1950), Quanto mais quente melhor (1959), Se meu apartamento falasse (1960) e Fedora (1978). Me lembrei de todas essas obras-primas ao reler a biografia do mestre, E o resto é loucura.

* Este texto foi escrito ao som de: diisiii (Benny Goodman – )

Benny

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